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Bom domingo

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Boas ideias para um Domingo. Dentro ou fora de casa. Beijo Sabura vai fazer o seu passeio de "higiene mental", baloiçar com os amigos e colher as memórias que cresceram na flor da pele. Vemo-nos lá...

O ataque da vaca mirandesa

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Beijo Sabura voou até Vila Real e não se arrependeu. Arrastou a asa até à serra e foi perceber onde nasce o frio.
Da terra pouco conheceu, mas do trabalho da Nuclisol Jean Piaget e da Estalagem do Paço muito ficou a saber. A primeira instituição alimenta os afetos, a segunda os estômagos. Pequena que sejam tão longe. 
Começámos por perceber onde nasce o frio... e é lá, entre serras e muito longe do mar de cá. O recorte da paisagem lembra que estamos muito perto do céu. E de facto, a instituição que visitámos é um pedaço de céu. Ela abrange o pré-escolar, o 1º ciclo e ainda tem uma valência de apoio a pessoas com deficiência mental. Fomos, Beijo Sabura e Tiçanita, convidadas para falar de poesia, palavras, prazeres literários com uma equipa já altamente motivada para o tema. Ao início da tarde a assistência variava entre os três anos e as muitas dezenas, e éramos cerca de cento e setenta pessoas a ouvir histórias. Gosto de contar as histórias que se colam à minha pele e acredito muito ne…

Música Sabura para ver, ouvir e sentir de olhos fechados!

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Música sabura que traz de voltas boas memórias. Grandes músicos, com grandes trabalhos!




Nancy Vieira e Manuel Paulo

PÁSSARO CEGO

E se nascêssemos nus, de olhos fechados, sem saudade, sem o outro, sem o reconhecimento da fala, sem a descodificação do medo, sem os signos do amor, sem uma rosa-dos-ventos no bolso?

Andamos de ilha em ilha à procura de nós próprios. A nossa identidade não é apenas o somatório dos sentimentos e dos afectos, mas, e acima de tudo, o que conseguimos com eles fazer pelos outros e por nós. É esta a viagem do Pássaro Cego.

São canções do Manuel Paulo. O registo orgânico das suas composições fazem dele o meu parceiro deste voo desamparado. A Nancy arrisca connosco a descoberta do outro, a descoberta das vozes, a descoberta do medo, a descoberta do amor e da felicidade... A Nancy Vieira, que canta as ilhas como ela sabe, é a nossa asa da frente.

A condição humana é uma sobreposição de camadas. Desde a emergência do choro primordial até à eloquência do que arriscamos cria…
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Indo nós, indo nós a caminho de Vila Real. Não gosto nada de ir p'ró norte mas ai Jesus que lá vou eu...
É  pela melhor causa. Só paramos nos leitões da Bairrada e na Nuclisol Jean Piaget de Vila Real. Vamos levar muitas histórias e muita poesia até ao Nuorte, carago!

De leitura simples...

...então diz-me lá... o pai do J.C. (o pai do maior amigo que partiu para o Brasil) agora mora onde?
- Na mesma casa onde morava com o J.C., a mana e mãe.
... hummm... mas agora está sozinho?
- Acho que sim, pelo menos sem a mulher e sem os filhos.
... então já sei, podias ser namorada dele e eu ficava para sempre como mano do J.C.! O que achas?

A vida é tão simples, não é?!  Às vezes dão-me umas ganas para voltar a viver com as regras da infância. Seria tão lindo. Verdades chapadas na cara, ordenados justos, sem horário de entrada ou de saída, tempo para tudo e uma simplicidade extraordinária na leitura do mundo.

Palavras à solta

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Às vezes eles saem das histórias e esquecem-se de palavras cá fora...


Gostamos de, na biblioteca, andar à caça de palavras perdidas pelas personagens, e com elas inventar novos enredos. Hoje caçámos: "urso", "pente", "sabão", "faca", "mãe", "caça", "bruxa", "filhos", "Arreganhadentes", "fim do mundo", "urso"... e vai daí surgiram "O Urso do Quarto-Crescente", uma história linda contada pelo Tim Bowley e de origem nipónica; a "Caça ao Urso" do Michael Rosen onde nós caçamos mesmo um urso e também fugimos dele e "A Bruxa Arreganhadentes" uma história com uma ilustração poderosa e assustadora! Sou verdadeira a contar-lhes as histórias e digo-lhes "Sim, há bruxas"... muitas vezes não damos por elas mas existem, só que a maior parte do tempo estão disfarçadas de gente crescida!

Brinde ao Alentejo!

Hoje um grande amigo alentejano faz anos! Tenho a sorte de me ter cruzado com ele numa escola em Lisboa. Ele  leccionava o 1º ano e eu também. Lembro-me de ter chegado em Novembro, de serem cerca de catorze professores (não gosto do termo "colegas", ensinaram-me há uns anos que "colegas" são as senhoras que trabalham na estrada de Coina) e de a sala destes ser uma nuvem de fumo. Recém chegada, com meninos à espera e sem uma palavra que prestasse apoio... só fumo. Nessa manhã valeu-me uma miúda de aspecto fora do comum, a professora de artes que estava a trabalhar na Biblioteca. Ela levantou-se, mostrou-me o meu horário e inclusive escreveu-o num papel. Subi à sala e perguntei onde estava o material dos meninos: "No armário, professoraaaaaa" e a chave?: "Nas empregadas, professoraaaa" ok. Ali estivemos, em processo de adaptação uns aos outros, e ali ficámos meio à deriva até todos conseguirmos chegar ao mesmo caminho. Sentia-me completamente sozi…