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No dia internacional do beijo... vem o dia das Lembranças do Amor

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No dia internacional do beijo...
vem o dia das Lembranças do Amor com beijos roubados, esquentados, esquecidos, nunca dados, viciados, grandiosos, delicados, desproporcionados, embrulhados, ocupas, longos, parados, desarrumados. Todos eles iguais ao amor...
E o que é ele? Esquecendo poetas, filósofos... que palavras ficam para ele? 
Que lhe queres, ou melhor, o que queres dele para ti?
O que queremos do outro que não temos em nós? E se não temos conseguimos pedir ao outro? Não somos espelhos?
Se não temos tempo para nos amar a nós próprios, como temos tempo para amar mais alguém?
Se não nos fascinamos connosco próprios, como nos conseguimos fascinar por mais alguém?
Se não conseguimos lutar pela nossa felicidade, como podemos lutar por alguém?
Como podemos ficar no Amor, se não paramos para Ser?
Se não consegues estar contigo, como consegues estar com mais alguém?
O Amor muda as suas vestes? Claro que muda. Eu mudo. As minhas vestes vão sendo cada vez mais as minhas, as que quero usar e não as …

Já fui bivalve

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Educaram-me a ser um bivalve. Educaram-me a esconder-me numa concha de cada vez que sentia um perigo ou uma situação estranha. Lembro-me disto. Lembro-me que se ficava fechado na concha, o tempo necessário, até não sentir perigo. Depois, voltava a espreitar e, se a costa estivesse livre, avançava. Mas até o avançar era feito de forma segura, sem grande alarido, com ausência de ruído e tudo feito da forma mais discreta. Biquinhos de "pés" e silêncio. E com isto, também me mostraram que o silêncio era uma forma de falar. 
Enquanto viaja à boleia da minha concha imaginava mil conversas, outras tantas respostas e mais de mil perguntas. E imaginava, perguntava e respondia a todas elas. 
Em dias de marés tempestuosas encerrava-me na concha. Em dias de mar chão espreitava o mundo inteiro... Inteiro não, parte, porque sendo um Ser minúsculo a minha vista apenas alcançava pequenos apontamentos da vida. 
A determinada altura da minha vida a concha sofreu alguns embates fortes. Não partiu…

A sensação de Ser por dentro e por fora

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Há dias que tenho toda a certeza do que vou encontrar no espelho. Há dias que por muito que olhe não consigo ver o que está ali à minha frente. Lembro-me de várias vezes ter a sensação, sobretudo a partir da adolescência, de ser constituída por duas parte, a de fora e a de dentro. E de existir um espaço, uma caixa de ar, entre as duas.
Esta semana esta sensação voltou... Creio ter-lhe encontrado a razão. Há uma Rita que volta ao trabalho, que volta a picar o ponto, que volta a cumprir horários, que volta à obrigação e aos 70% de capa profissional e eficácia e, a outra, a de dentro, que continua a querer estar em pleno nos 30%.  O ar continua a passar na caixa e às vezes faz ventos tempestuosos. Empurra para um lado, empurra para o outro e a "coisa", chamada de Vida, vai-se equilibrando. 
E depois das tempestades penso que tendo nós uma única oportunidade para estar Cá, e desta forma, fará sentido vivermos a maior parte da nossa vida no modo 70% ?! A responder às exigências de a…

Em Jericoacoara, em cima do equador, a alma perde o norte

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Terminar a etapa que me tinha afastado do Beijo Sabura e sair do país foi a maior chave de ouro. Todos (ou quase) saboreamos as vitórias com sabor de mel quando o percurso foi de fel. Entre muitas "tempestades" fechei um ciclo, ou se calhar vários... ainda não me reposicionei no Mundo para o perceber. Fui de férias, para o outro lado do mar, mas sempre acompanhada por ele. Não há outro meio para renovar energias. Mar, força das marés, sal nos lábios, chinelo no pé e calor. 
Diz-se que viajar é trocar a roupa à alma. Para mim, viajar troca-me a alma! Aliás, devolve-me a alma. Parar, sair das linhas habituais, desconhecer o caminho, olhar pela primeira vez, revisitar, adaptar, beber todas as conversas fora de tom, escutar o novo silêncio, fotografar com olhos, boca e mãos.  Jericoacoara (BRS) é uma vila pequena dentro de um gigantesco céu e um enorme mar. Chegada do hemisfério norte foi impossível não reparar no tamanho do céu e na distância da linha do horizonte. Como diz o Chic…

A educação Proibida

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Para todos nós Educadores ... ver, sentir e reflectir ...


IMAGINÁRIO

Não o perdes, é impossível
e não sobrevives sem ele
Ele toma o teu tempo, afasta-te dos outros
e ficas fechado em ti
sabes disso O certo é que todos nós temos medo que ele tome todo o nosso tempo
o errado é que nenhum de nós tem esse tempo.
eu e ele não dá certo, dizem os outros.
as pessoas não querem que estejamos juntos,
querem que nos afastemos
que estejamos com o mais bonito, o mais na moda
o que é sempre aceite...
e eu aceito
e depois vou buscar outro, mas falso
que me falsifica e tranquiliza mas na minha verdade, e em segredo, eu sei
que nada faço sem ele
e que o meu Imaginário é tudo.

(ao rever cadernos escritos , e por entre palavras em congressos, palestras, e sobretudo ao reler a Marina Colasanti "apareceu-me" este resumo. Obrigada a ela!)

na fila de trânsito somos todos iguais

na fila de trânsito somos todos iguais somos todos máquinas com as mesmas características 4 rodas, portas, chapa metal, faróis, vidros deslocamo-nos em caminhos mas ninguém imagina como está quem vai lá dentro somos gente que se desloca em caminhos mas ninguém sabe o que vai lá dentro vamos mais depressa, mais devagar, de vidros abertos, vidros embaciados quem vem atrás, ao lado, que ultrapassa, apita, chateia-se, refila mas ninguém sabe o que vai lá dentro hoje, na fila de trânsito, passámos por vários carros e ninguém soube o que ia lá dentro tenho a certeza que nuns iam pessoas que faziam aquele caminho pela última vez outros que nem sabiam que estavam a fazer aquele caminho outros em que as lágrimas caiam pela cara outros que cantavam com os filhos a música que passava na rádio outros que vinham com dores outros que tinham acabado de perder o emprego outros que ficaram felizes porque receberam a melhor notícia da sua vida outros que acabaram de saber o resultado do exame médico outros que iam felizes…