Queria enganar o meu espelho, queria esconder-me dele e nele continuar a ver-me, aliás, espreitar-me.
Não quero ser somente mais um visitante deste tempo. Nunca pensei que estaria mais de oitenta, e sempre pensei que não desaparecia nova. E neste tempo já fui transparente, opaca, brilhante, baça, viva, morta. É assim que se vive com o nosso reflexo. Cheia de tonalidades. Sempre em espelho.
Muitas vezes achava que o que estava à minha frente era muito maior, mais brilhante, mais transparente. E o meu reflexo, no espelho, ia ficando cada vez mais pequeno à medida que achava isto. Às vezes achava que o meu reflexo era tão alto, inteligente, amoroso quanto o que eu via à minha frente. E eu e o meu reflexo ficávamos a olhar-nos horas a fio, sem perder um pestanejo. Ficávamos no "achismo". Eu achava uma coisa, ele achava outra.
Não menos raras eram as vezes em que eu tentava enganar o meu reflexo. Tinha sempre esperança que me acontecesse o que a Suzy Lee tão bem descreveu no seu livro "Mirror".
Queria enganar o meu espelho, queria esconder-me dele e nele continuar a ver-…
Muitas vezes achava que o que estava à minha frente era muito maior, mais brilhante, mais transparente. E o meu reflexo, no espelho, ia ficando cada vez mais pequeno à medida que achava isto. Às vezes achava que o meu reflexo era tão alto, inteligente, amoroso quanto o que eu via à minha frente. E eu e o meu reflexo ficávamos a olhar-nos horas a fio, sem perder um pestanejo. Ficávamos no "achismo". Eu achava uma coisa, ele achava outra.
Não menos raras eram as vezes em que eu tentava enganar o meu reflexo. Tinha sempre esperança que me acontecesse o que a Suzy Lee tão bem descreveu no seu livro "Mirror".
Queria enganar o meu espelho, queria esconder-me dele e nele continuar a ver-…