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Há dias ao contrário

Há dias ao contrário
quando acordas de manhã, levas o teu filho ao teu surf, apetece-te por tudo ficar mas não podes... devia ser ao contrário
quando visitas uma amiga, na cama de um hospital e vês o que não queres... devia ser ao contrário
quando percebes, finalmente, a razão pela qual a carta nunca chegou, porque alguém trocou o lugar do destinatário pelo do remetente... devia ser ao contrário
quando recebes uma carta, escrita com tinta de esferográfica e muito amor, e o envelope foi escrito de pernas para o ar... devia ser ao contrário
quando fazes contas caseiras orçamentais e, em vez de sobrar, falta...  devia ser ao contrário
quando uma ceramista te dedica um poema, e tu nunca conseguirás dedicar-lhe uma peça em cerâmica... devia ser ao contrário 
... 
finalmente, e contrariamente ao que estava previsto,
quando o fim de semana é alterado, fica ao contrário, e tu passas a poder entregar-te a dois braços... o contrário deu certo e o dia acaba no sítio onde começou... alinhado em amor.

A Moral da História ... "Era Uma vez um dia normal de Escola"

A expressão "moral da história" sempre me fez comichão nos intestinos...
é daquelas expressões que, ao que me consta na memória da pele, deve ter sido bastante pronunciada perto de mim. Sinto que a mesma me tenha sido dita, por diversas vezes, por gente adulta e com um ar severo. 
Cresci a frequentar a religião católica, faltando-me apenas dois sacramentos no passaporte cristão. Cresci com assiduidade na disciplina de "religião e moral" e, nela, com excelentes professores. Cresci a ouvir um dos melhores mensageiros da igreja, o Padre Janela, que me marcou um dia ao dizer, perante a sua audiência dominical, que não voltaria a desfazer a sua barba enquanto não conseguisse o seu objectivo... cresci eu com ele, e as suas barbas nele. Era um homem de palavra e de acção. Cresci no movimento escutista. Cresci sem grandes desvios na vida. Mas tenho cá para mim que, dentro deste conjunto, o meu crescimento tenha sido marcado pela carga negativa dada à palavra "moral"…

Os mês meninos d'oiro, ou, do dia do Planeta do Amor

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Depois de um ano lectivo, a começar de forma muito dorida e a manter-se com muitas pedras no caminho... o final quase à vista.
Para quem é professor o ano passa a ser o lectivo, e não o civil. Regemo-nos de Setembro a Junho com os nossos alunos. O Julho serve para avaliar, reflectir, repensar, reorganizar... tudo no final das forças.
Hoje, com muito orgulho, uma das minhas turmas apresentou o trabalho de final de ano. A meio do segundo período começámos a construir uma história, e foi essa mesma que apresentámos hoje. Não tenho jeito para encenação ou figurinos, nem tenho jeito para "crianças-marioneta" em palco. As minhas produções são sempre a apresentação de uma história. A deste ano foi especial. Uma turma com 2º e 3º ano, alguns repetentes, e muitos que foram desistindo a meio. 
Hoje eram somente oito no palco. Mas com todo o trabalho feito. Elas, zangadas porque não estavam pintadas, arranjadas, trajadas... eles, (dois) nervosos. A história chama-se "O Planeta do Amo…