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Há gente que diz que não devemos voltar ao sítio onde fomos felizes. Não concordo.

Do inesperado da vida
Diz-se que não devemos voltar ao sítio onde fomos felizes. Não concordo.
Não concordo, desde que consigamos levar uma bagagem diferente daquela que anteriormente levámos. Não adianta voltar ao mesmo sítio, seja ele qual for, tenha ele o tamanho que tiver, esteja ele onde estiver, carregando as memórias passadas e as expectativas futuras porque ele já não existe. Tudo estará diferente. O mundo já girou mais umas voltas, o sol e a lua já se beijaram umas quantas vezes mais. Adianta voltar ao lugar onde fomos felizes, se pensarmos que será um novo lugar. 
Já me desiludi (somente porque me iludi) algumas vezes, quando tinha menos Outonos no corpo, querendo voltar ao mesmo lugar. Hoje, não. Sei que não é possível voltar ao mesmo lugar, onde já fui feliz. Eu estarei diferente, ele também. Por isso, volto ao sítio onde já fui feliz.  



Há dias ao contrário

Há dias ao contrário
quando acordas de manhã, levas o teu filho ao teu surf, apetece-te por tudo ficar mas não podes... devia ser ao contrário
quando visitas uma amiga, na cama de um hospital e vês o que não queres... devia ser ao contrário
quando percebes, finalmente, a razão pela qual a carta nunca chegou, porque alguém trocou o lugar do destinatário pelo do remetente... devia ser ao contrário
quando recebes uma carta, escrita com tinta de esferográfica e muito amor, e o envelope foi escrito de pernas para o ar... devia ser ao contrário
quando fazes contas caseiras orçamentais e, em vez de sobrar, falta...  devia ser ao contrário
quando uma ceramista te dedica um poema, e tu nunca conseguirás dedicar-lhe uma peça em cerâmica... devia ser ao contrário 
... 
finalmente, e contrariamente ao que estava previsto,
quando o fim de semana é alterado, fica ao contrário, e tu passas a poder entregar-te a dois braços... o contrário deu certo e o dia acaba no sítio onde começou... alinhado em amor.

A Moral da História ... "Era Uma vez um dia normal de Escola"

A expressão "moral da história" sempre me fez comichão nos intestinos...
é daquelas expressões que, ao que me consta na memória da pele, deve ter sido bastante pronunciada perto de mim. Sinto que a mesma me tenha sido dita, por diversas vezes, por gente adulta e com um ar severo. 
Cresci a frequentar a religião católica, faltando-me apenas dois sacramentos no passaporte cristão. Cresci com assiduidade na disciplina de "religião e moral" e, nela, com excelentes professores. Cresci a ouvir um dos melhores mensageiros da igreja, o Padre Janela, que me marcou um dia ao dizer, perante a sua audiência dominical, que não voltaria a desfazer a sua barba enquanto não conseguisse o seu objectivo... cresci eu com ele, e as suas barbas nele. Era um homem de palavra e de acção. Cresci no movimento escutista. Cresci sem grandes desvios na vida. Mas tenho cá para mim que, dentro deste conjunto, o meu crescimento tenha sido marcado pela carga negativa dada à palavra "moral"…

Os mês meninos d'oiro, ou, do dia do Planeta do Amor

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Depois de um ano lectivo, a começar de forma muito dorida e a manter-se com muitas pedras no caminho... o final quase à vista.
Para quem é professor o ano passa a ser o lectivo, e não o civil. Regemo-nos de Setembro a Junho com os nossos alunos. O Julho serve para avaliar, reflectir, repensar, reorganizar... tudo no final das forças.
Hoje, com muito orgulho, uma das minhas turmas apresentou o trabalho de final de ano. A meio do segundo período começámos a construir uma história, e foi essa mesma que apresentámos hoje. Não tenho jeito para encenação ou figurinos, nem tenho jeito para "crianças-marioneta" em palco. As minhas produções são sempre a apresentação de uma história. A deste ano foi especial. Uma turma com 2º e 3º ano, alguns repetentes, e muitos que foram desistindo a meio. 
Hoje eram somente oito no palco. Mas com todo o trabalho feito. Elas, zangadas porque não estavam pintadas, arranjadas, trajadas... eles, (dois) nervosos. A história chama-se "O Planeta do Amo…