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Como explicarias ao teu filho se fosses tu o refugiado?

Daquelas horríveis imagens do nosso século
já pensaram que
não fizeram mal a ninguém e têm de deixar tudo o que conquistaram em toda a vida e, fugir ... pensem em tudo o que têm neste exacto momento e imaginem-se sem ele
não fizeram mal a ninguém e têm de fugir de tudo ... pensem em como se sentem quando são vítimas de alguma injustiça que naturalmente vos revolta, agora imaginem-se com esta injustiça às costas 
não fizeram mal a ninguém e arriscam-se a morrer na fuga. Arriscam a sua vida e a dos que amam ... pensem no que fariam, no pânico que vos assolaria, na forma como o fariam, na forma como protegeriam os vossos filhos, na ausência de um colete salva vidas, ou da escolha entre uma vida ou outra... 
Em pleno século XXI não há grandes vantagens, para a humanidade, em aqui ter chegado, sobretudo no que toca ao humanismo com que nos relacionamos.
Daquelas horríveis imagens do nosso século, penso 
E se fosse eu a ter de fugir? E se eu tivesse de tomar a decisão de colocar a vida do meu filh…

Regressar de férias é-me tão mau quanto o tempo da sua espera...

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Regressar de férias é-me tão mau quanto o tempo da sua espera...
Antes de sair ando cansada, exausta, com dores de corpo, a contar dias e horas para partir. Quero abandonar tudo o que não é verdadeiramente meu. Saio e depois ali fico, durante dias a fazer unicamente e verdadeiramente o que é meu. A cuidar dos meus quereres, das minhas necessidades, das minhas relações pessoais. Ali fico para o que me é Amor. E este é o tempo onde reuno o melhor da minha vida, não ter obrigação em relação ao que não me é nada, ou que pouco me é. Ali fico com Tempo, 80% para mim e 20% para logística. E sou feliz, muito feliz nessa minha gestão. Haja muito ou pouco dinheiro certo é que nada consegue pagar-me a "não obrigação exterior".
Obrigo-me unicamente a inventar locais de férias para estar e a logística que isso requer. O resto é Tempo útil para mim e para as minhas relações.
E isto faz-me sempre pensar que devo andar trocada nas voltas da vida. Vinte e dois úteis assim, contrariamente às res…

... quando a morte bater na porta ao lado da vossa

... e quando ela bater na porta ao lado da vossa nao digam a quem ficou que é preciso ter força  nao digam para ter coragem nao digam que foi o melhor nao digam que a vida continua nao digam que chegou a hora de apoiar quem fica nao digam nada ou digam, mas sem abrir a boca, abram antes os braços abram um sorriso abram o ceu negro e sejam luz e calor, nao digam pêsames digam que estão triste pela perda nao digam os meus sentimentos, digam que estão ali por amor ou nao digam nada,  porque quem fica deixa de ter coragem deixa de ter força deixa de querer vencer deixa de acreditar deixa de estar deixa de perceber deixa de existir no todo que foi até então e tem direito a não comer naquele dia a não falar a não atender a não esperar a não sorrir a não estar a não aceitar a não querer, porque quem fica, fica sem parte e parte para lugar nenhum, fica com vazio e esvazia-se de tudo, quando a morte bater na porta ao lado da vossa encham-se somente de força para um abraço de coragem para um silêncio pacificador e de amor para contin…

(de/para quem conhece a sensação de estar longe dos nossos filhos e do seu regresso...)

Chegar basta. Um chegar que faz com a vida comece a surfar na onda. Tudo o que existe de exterior a mim, e que seja negativo, desaparece. E fico com ele, num espaço e num tempo, que mais ninguém conhece. Num espaço ausente e num tempo parado.
Chegar basta. Um chegar que às vezes vem meio apressado e despenteado mas que, quando acontece, tem a força de parar o tempo e de pentear pacientemente o final do dia. E fico com ele, chamado-o aos meus olhos, e fazendo-os parar um segundo infinito.
Chegar basta. Um chegar às vezes mais cansado e refilão do que o habitual. E fico com ele, a acolher as queixas ao mundo, as injustiças da vida, a má sorte que tem, e elas vão-se dissipando no meu colo.
Chegar basta. Um chegar marcado há um dia que é recebido com normalidade. E fico com ele, com essa normalidade, que é um lugar de paz.
Chegar basta. Um chegar de há uma semana que é recebido com todas as forças físicas que temos. E ali ficamos nós em abraço apertado, em inalações profundas às bochechas e a…

Congresso MEM, Lisboa 2015... eram só Mariazinhas!

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No tempo "Crático" que temos vindo a atravessar onde as escolas, os professores e as famílias são colocadas na bitola da economia e não da educação, há um conjunto de pessoas Educadoras que se mantém firme e que continua a acreditar. 
Refiro-me à Associação do Movimento da Escola Moderna "uma associação que se assume como um movimento de cidadania democrática de professores, os quais decidiram fazer da sua profissão uma actividade de intervenção nas escolas" (Sérgio Niza). E é bem verdade. O MEM português este ano faz 50 anos e, por estes dias, realiza no Instituto de Educação o seu 37º Congresso. 
Ontem fui assistir ao teatro/momento lúdico preparado pelos responsáveis das regionais. E lá estava a Madeira, os Açores, Vila Real, Algarve, Évora, Setúbal, Lisboa, Porto, Tomar, Seixal/Almada... umas dezenas de pessoas que, após um ano duro de trabalho, ainda tem a coragem e a força de, não só preparar um congresso desta envergadura, como também de montar exposições, faz…

Expo 2015 - Lisbon South Bay

É sempre difícil o exercício de olhar para dentro e de perceber, nas entranhas, o que por lá se passa. 
Sentir a emoção, identificar, olhar, perceber e não julgar. Ter tempo para o fazer é uma tarefa sempre difícil. 
É mais fácil sentir e colocar na prateleira à espera de mais tempo, ou ignorar. E os dias passam a correr e nas prateleiras vão-se amontoando pequenos bibelôs (ou ficam para sempre vazias quando nem sequer conseguimos sentir o que quer que seja)... o bibelô dos "fornicoques" que nos causa a reacção daquele colega; o bibelô da ansiedade provocada pela não-resposta; o bibelô do medo provocado pela rejeição; o bibelô da neura-cerebral provocado pela falta de educação dos outros e por aí adiante. Entretanto já enchemos umas quantas prateleiras que ficarão a ganhar pó e, por onde, de vez em quando, passaremos os olhos, suspiremos e pensemos "um dia volto aqui com tempo e limpo tudo isto, agora tenho pressa".
E ali ficam elas a carregar com o pó dos dias. Às ve…

Tempo passado, presente, futuro

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... e há dias em que se sente o peso do mundo entre o topo da cabeça e a cintura escapular. dias em que não se consegue endireitar as espinhas, aproximar as omoplatas, ou abrir a caixa torácica. daqueles dias em que se soma tudo o que é menos bom, a conta bancária, o local de trabalho, a casa, as distâncias, os projectos, o futuro, o presente e, o melhor somatório é conseguido quando se acrescentam algumas parcelas do passado.
dias em que, olhar para alguns momentos do passado, permite descansar do presente e abolir o futuro.
não sendo do género saudosista gosto de desenrolar a memória nas imagens do passado, quase como voltar aos álbuns em formato de papel, mas de momento que nunca foram fotografados. não se trata de uma "viagem na maionese", essa faz-se sempre no caminho para um futuro, mas sim, uma viagem com origem no agora e destino no antes. 
um antes que mesmo agora permanece desconhecido. Olhar o passado a partir do presente é ser espectador em plateia VIP, onde temos o…