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Marina Colassanti e Affonso Romano de Santana

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Tão poderosa esta imagem, tão cheia de uma coisa que não tem nome. Acho que nem a palavra "Amor" chega, ou qualquer outra da família. Não chega. Marina e Affonso. 
Marina Colassanti, escritora, narradora, a fada dos contos, da poesia e paixão, e o grande poeta Affonso Romano de Santana que completa 82 anos! Um casal com mais de 40 anos de história juntos! E que foto esta, que ousadia de amor. Que verdade nestes dois. Vê-los juntos, em Beja, nas Palavras Andarilhas, para além de um privilégio é testemunhar que é possível existirem amores de verdade, para além da vida e da morte, para além da saúde e da doença, para além do que é imaginável...  
Ai Marina, mulher grande... ai Affonso esse homem delicado e tão forte!
Quando for crescida quero ter AMar(ina), assim, dentro de mim! 






"Para terminar, contam ambos em poucas palavras (e em família) a sua história de amor. Conheceram-se na redacção do Jornal do Brasil, inicialmente “sem grandes aproximamentos”. Mas, quando Affonso vol…

Marta Peirano, TedxMadrid

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Uma poderosa mensagem de Marta Peirano sobre o que se passa nos nossos bolsos...



Be True, in every time

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Num tempo em que a vida se faz entre a palavra "Trabalho" e a palavra "Vida", dou por mim a pensar frequentemente na dificuldade que é conseguirmos acertar o passo para ambas e mantê-las no mesmo caminho.

Uma dificuldade que pode vir de muitos lugares. Um lugar de onde parte uma Vida que não se encaixa naquele Trabalho. Um lugar de onde partiu um Trabalho que agora não encaixa nesta Vida. 

Sermos verdadeiros com a Vida, leva-nos a ser verdadeiros no "Trabalho", certo? E isto custa muito. Custa porque o lugar de onde partiram um e outro deveria ser o mesmo, assim como o caminho percorrido. 

"Eu sou muito feliz no meu trabalho", conheço poucas pessoas a dizerem-no. "Eu sou muito feliz com o meu trabalho", conheço algumas pessoas a dizer-lo.  "A minha Vida sem o Trabalho era uma alegria", conheço muitas. "O meu Trabalho torna a minha vida mais feliz"... não conheço quem o diga. 

Aqui podemos ler "Trabalho" como e…

...fechou-se a cortina

Após 44 anos em cena, hoje, fechou-se a cortina. O pano agora tapa o seu corpo, a sua vida. Não voltaremos a ouvir a sua voz. Não voltaremos a sentir o seu toque. Não conseguiremos voltar a rir juntos. Não seremos capazes de construir mais nada. Nas suas mãos leva o terço, sinal da nossa esperança. 
Ficaremos do lado de cá, à espera de mais um vinda ao palco, até ao dia em que a nossa memória nos comece a atraiçoar. 
Quando o pano se fecha, ficamos imóveis a viver uma realidade que não é a nossa, é a do seu ator e autor. Em menos de um mês perdeu a vida que lhe corria nas veias para um assombroso e oportunista linfoma. Um merdas que se apoderou e se tornou maior que ela.
Deixaste de estar no palco. 
A cortina fechou-se. Os que assistiram à tua peça durante 44 anos estão a sair agora. Não sabem para onde ir. Perderam o Norte. Apenas olham para o céu e elevam as palmas e as flores em tua honra. Apenas o silêncio, a dor, a vontade de acordar...

Voltar onde já fomos felizes

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Ensinam-nos a não voltar a um lugar onde fomos felizes. Assim fazemos, assim nos protegemos.

Voltar a um lugar que nos acolheu a felicidade só deve acontecer se a mesma permanecer em nós. Devia ser isso que nos queriam ensinar, em vez de somente não voltarmos onde fomos felizes.

Voltar a um qualquer espaço onde fomos felizes é uma viagem plena de consciência. 

Voltar a um lugar de vida, de escrita, de brincadeira, de férias, de trabalho, de sentimentos... é sempre uma viagem como bilhete de ida e volta. Uma vaigem sem escalas e de permanência curta, nada permanente.

Já foi muito feliz neste espaço de escrita, o Beijo Sabura. Depois, invasões após invasões, ataques após ataques, fui-lhe fechando a porta. Foi deixando de estar acessível as escritas que aqui eram tornadas públicas. A porta fechou-se para que ninguém pudesse "invadi-lo".

Passou o tempo, e apesar de não ter cuidado deste espaço, o meu jardim, as ervas daninhas foram crescendo de forma a proteger o interior do mesmo. …

A idade da tua morte atinge hoje a sua maioridade, dezoito anos.

A idade da tua morte atinge hoje a sua maioridade, dezoito anos.
A idade da morte tem o mesmo tempo que a idade da saudade. Faz hoje anos que são Maiores. Cresceram ambas juntas. Ambas com um nascimento difícil, muito difícil. Tão difícil que quase deram cabo da vida por completo. Não morremos com a tua morte, foram morrendo bocados de nós, da nossa memória, do nosso friso, do nosso tempo. 
Houve um Tempo que também morreu com a tua morte. Houve um Tempo que foi morto pelo peso de tantas dores e que, a cada 26 de setembro, volta a renascer quando me lembro das dores e das marcas deixadas por esse peso.
A idade da tua morte e da saudade são hoje Maiores, a cada ano que passa tornam-se maiores e vão-se alicerçando numa certeza...
o tempo da tua morte cresceu e o tempo de nos encontrarmos diminui.
Até já, Miguel

Construir memória

Conta as histórias e revela os teus segredos aos teus para que elas nunca se percam.  

Olha a luz das estrelas e faz que a mesma faça brilhar ainda mais o teu rosto. 

Sente o vento e deixa que ele acaricie a memória que a tua pele guarda.

Sonha, escuta, sente e constrói memórias.