terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Vindima literária




"Mas, na verdade, será o peso atroz e a leveza bela?
 O fardo mais pesado esmaga-nos, verga-nos, comprime-nos contra o solo. Mas, na poesia amorosa de todos os séculos, a mulher sempre desejou receber o fardo do corpo masculino. Portanto, o fardo mais pesado é também, ao mesmo tempo, a imagem do momento mais intenso de realização de uma vida. Quanto mais pesado for o fardo, mais próxima da terra se encontra a nossa vida e mais real e verdadeira é.
 Em contrapartida, a ausência total de fardo faz com que o ser humano se torne mais leve do que o ar, fá-lo voar, afastar-se da terra, do ser terrestre, torna-o semi-real e os seus movimentos tão livres quanto insignificantes.
 Que escolher, então? O peso ou a leveza?"

Milan Kundera, "A insustentável leveza do ser" (1983)

Acredito piamente que as histórias, os livros, as músicas nos chamam na altura certa. Nada é por acaso e o nosso Ser sabe exactamente o que precisa e em que dose, no momento certo. 
O Senhor Kundera chamou e eu fui. E agora ando aqui às voltas entre o meu lado andorinha e o meu lado lontra. Para já, é a andorinha que me levanta, que me afasta da terra, do ser terrestre e torna os meus movimentos tão livres quanto insignificantes. Tão leve que me permite ser mais verdadeira e real! Ele há coisas, Sr. Kundera...


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