sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Desejos de época

Este espaço virtual serve como apontamento à minha vida. Pontualmente aqui participam palavras. E diariamente aqui registo coisas boas e simples que a vida me oferece. Pensei-o para me obrigar a escrever e sobretudo, obrigar a parar após vinte e quatro horas de vida. Resultou e tive força anímica para o fazer durante quase um ano, ininterruptamente. Quase um ano. E durante este ano a vida deu tantas voltas, tombos e assombros, alegrias e contentamentos! Tantos! O certo é que ultimamente, a única coisa a registar de simples e bom, era e é a vida do meu filho e a minha sorte em ser a sua mãe. Ultimamente... até ontem, último dia. Ontem foi dia de Natal cá em casa. O Guerreiro de Voz Branca fez a sua meia dúzia de anos (dizemos que, apesar de ele não ter preço, agora está mais barato, ao jeito do Carlos Paião). Ontem o dia teve Luz, teve forças para levantar os cantos da boca para o céu. Ontem, a espiral de maus momentos e fraca força parou por instantes. E nos instantes que parou trouxe uma abertura de Luz para iluminar um caminho a seguir. Um renascimento (como o próprio Guerreiro dizia) e um caminho para um ninho. Abriram-se os céus e a terra para nós. O Guerreiro tinha razão, ontem renascemos!
Admitia estar em espiral, e quem olhava para mim percebia-o naturalmente. Sou daquelas pessoas que infelizmente não consegue disfarçar expressões faciais ou estados de alma nos olhos. E não é fácil encontrar coisas boas e simples na vida quando estamos em espiral negativa. Andamos, andamos, retornamos, andamos e vamos sempre dar a uma porta fechada. Não é fácil, e às tantas deixamos de lutar e de acreditar. Felizmente não deixei de acreditar em mim, se o fizesse seria a "morte do artista". Agarrei-me sempre ao meu filho, e à ideia de que vale a pena acreditar nele. É, sem dúvida, a pessoa em quem eu confio a cem por cento na minha vida. A única. E vale a pena, porque é o único Ser na minha vida que consegue limpar todos os males do mundo. Não me posso "recarregar" apenas nele. Seria injusto e prejudicial para nós, mas foi, neste últimos tempos a minha fonte pura. Ontem foi um dia muito feliz para nós. Tão feliz foi o dia que hoje, ao acordar, ambos pensámos que até podia ter sido um sonho! Felizmente é um sonho transformado em realidade, o que nos aconteceu.
Por isso hoje volto ao Sabura. Já consigo ter Luz para voltar. Algumas coisas na vida e no Sabura mudaram. E neste espaço, o que muda é a forma como o vejo e sinto. Vejo-o mais leve e sinto-o mais solto. Tive um total de cinco reacções à ausência. Reacções de animo e de preocupação. Reacções que me fizeram pensar sobre o que quero deste compromisso Sabura e acerca do meu compromisso com a "vida virtual"... mas isso fica para o balanço de um ano Sabura (a 4 de Janeiro de 2014).
Para já fica um voltar mais leve, mais feliz. Fica também o meu pensamento para esta quadra: parar no Tempo; limpar, limpar, limpar, soltar lastro; focar em nós próprios; lutar, batalhar, esgadanhar a vida para nos fortalecermos; reflectir e avaliar; serenar. Em época de consumo, sobretudo não quero ter mais plástico na minha vida. Quero que, o que existe nela, continue com as raízes bem nutridas e agarradas à Terra, e que a sua copa consiga tocar cada vez mais alto.
Aos que lêem o Sabura desejo o mesmo. E se estiverem em espiral negativa façam isso, parem e sintam-se para além do que existe exterior ao vosso Ser. Só assim podem ver bonito. Cá fora o mundo está feio, muito feio e nesse eu tenho pouca esperança. Mas em mim, e comigo, tenho muita. Aos que estão em espiral positiva não deixem de parar e de olhar à vossa volta... serão importantes para quem está no caminho descendente. Parem. Enviem um sms, um café, um mail, uma carta, um silêncio partilhado, um abraço gratuito, uma lágrima cúmplice ao canto do olho. São estes os meus desejos para esta época de Nascimento (e esta a música que nos tem acompanhado, uma espécie de mantra que agora se tornou realidade). Beijos Sabura.





  

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