sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Alerta Vermelho - temperaturas altas para o meu território

É nestas alturas que a capa de Super-Mãe fica com a bainha desfeita, mas só a bainha, como que a anunciar que uma Super-Mãe também é de carne e osso, que também tomba, que se embrulha nos pés, que fica sem palavras, que gela de medo. Mas, felizmente, a capa permanece para que eu nunca esqueça que sou A Super-Mãe e como tal, engulo todas as ansiedades que os "Microbichos" do meu Guerreiro me trazem.
A primeira notícia do aparecimento de febre no meu Guerreiro congela-me o mundo. A atenção, a razão, a emoção ficam somente focadas nele. Deixo de ver o exterior. Transfiguro a cara. Febre é, para mim, desde os quinze meses de vida do meu filho, sinal de Alerta Vermelho. Foi por essa data que ele teve a primeira convulsão febril. Depois disso seguiram-se mais duas. Pararam aos três anos e dez meses. Um total de três episódios (dois assistidos sozinha) que me ditaram a sentença por uns belos anos. Uma sentença que vem de uma herança familiar - o meu irmão partiu aos vinte e sete anos com uma doença que se manifestava com convulsões (epilepsia). O cenário fica ainda mais negro para mim, como imaginam.
Conclusão: febre é alerta vermelho com muitos flashback negativos. Três convulsões, duas sozinho comigo. Uma "bela" prova da Vida. Cansativa.
O descanso só vem depois das palmas das mãos e dos pés passarem de frios a mornos, até lá sei que a febre está a aumentar. 
Trinta e sete de temperatura é motivo de administração de antipirético. A febre, por muito natural e defensiva que seja, deixa-me no meu estado mais anti-natura e agressivo que tenho.
Soro, água de mar, água, Brufen, Ben-u-ron, lenços de papel, Aéreus, termómetro, bisolvon, vick, panela com água e essência de eucalipto em cima do aquecedor, lanterna, telefone com carga e estamos prontos para o combate! Combate à febre e aos "Microbichos"! Combate à ansiedade! Redobrar confiança e forças. Exorcizar fantasmas. Agir!
Acabou o tempo de intervalo... o Beijo Sabura e vocês fazem-me companhia nesta luta desigual que os pais têm entre os seus filhos e as doenças deles. Nenhum pai / mãe quer ser treinador do seu filho nestes combates. Todos preferiam ser o próprio jogador e sentir as dores.
Vou voltar ao combate. Cada um ao seu!

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