terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Memória escrita

Fui mãe no dia 19 de dezembro de 2007 e, desde o dia 31 desse mês e desse ano, registo, em palavras escritas, alguns momentos da minha vida e do meu Guerreiro. Ganhei este bom hábito, também, porque profissionalmente estou num projecto que vive dos registos (este) e porque gosto de escrever (sem compromisso, sem normas ou "academismos"). E ganho muito com isso. Não me refiro a um ganho financeiro, mas sim a um ganho de memória, de emoção, de vida. Desde o ano 2000 que tento convencer professores, educadores, famílias, pais a fazerem registos das produções orais dos seus educandos ou filhos. Registos que partilharão uma vida com os envolvidos. Ao longo dos anos, aqueles que se juntaram ao Cancioneiro (o tal projecto que actualmente coordeno), tiveram a felicidade de ver os seus registos orais passados à escrita e editados em livro. Livros bonitos que podem espreitar aqui e que, marcam o percurso de um jovem leitor. Hoje, como mãe, tive mais uma prova de como estes registos podem ser significativos. Depois de ler ao meu Guerreiro algumas frases que ele tinha dito, desde os dois anos de idade até agora, perguntou-me qual tinha sido a sua primeira frase. Pedido aceite e fui buscar o seu primeiro caderno de memórias escritas. A escolha da história da noite estava feita, a história da sua vida.

"Da minha vida?! Eh lá ainda tenho uma vida pequena... isto são recordações, mãe!"

Abrimos o livro e caíram umas quantas fotos dele na minha barriga e em bebé. Fez-lhes "festinhas" mansas. Começámos a ler a primeira história, aquela que explica como foi habitar no meu apartamento T0 e passar o tempo dentro de água morna! Terminámos na saída da maternidade e prometemos voltar à história. Depois disto fez questão de registar com a sua mão, a sua caligrafia, as suas entranhas e todo o seu amor o que lhe ia na alma. Escreveu uma frase e desenhou. A alegria e a doçura com que estava agarrado às fotos, a ouvir a sua história e por fim, a registar as memórias escritas, valeram-me mais uma memória de vida. Uma tão grande memória vinda desta vida, ainda tão curta. 
Aconselho-vos a não perderem estas memórias. Convido-vos a aliarem-se à escrita destas memórias e preferirem, tal como eu, estes livros de cabeceira...


     

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