terça-feira, 22 de abril de 2014

Pilar, Mª de Fátima e eu

Pilar, Mª de Fátima e eu saímos para o trabalho depois de quatro dias em tentativas de acordos de paz. Dei boleias às duas e fiquei a aguardar o convite de uma delas para o segundo café da manhã. Maria de Fátima disse que precisava falar urgentemente comigo. Início da manhã estragado. Veio falar-me do tempo, do ordenado, da angústia, do seguro do carro, da conta da oficina, do tempo, do ordenado, da separação do seu filho... O ambiente estava pesado... ficou Extra-Pesado... com direito a todos os halteres existentes no ginásio (onde ela própria não se inscreveu)! Levei-a a passear à estação, deixei-a sentada num banco perto da linha e voltei para o trabalho. Eu, sozinha no gabinete. Ninguém. Nada. Apenas trabalho. Lastro solto. Pilar chega perto da hora do almoço. Junta-se a mim e fica durante a tarde. Reunião ao final do dia e eu, uma vez mais, fico surpreendida com a forma como Pilar mergulha no que acredita. Com a força com que mergulha e o tempo em apneia. Na sua caixa torácica leva dezenas de litros de oxigénio - o seu e o dos que a rodeiam. Retém a sua respiração, ondula o corpo ao jeito da maré e desliza por ali fora. E ali fica a planar na profundeza das ideias, à procura de muito mais acerca delas, observando-as em todos os seus ângulos, rodeando-as e tornando-se cada vez mais parte delas. E eu gosto de seguir o exemplo de Pilar! Gosto muito!
E quanto à Maria de Fátima, essa deve ter apanhado o comboio na estação porque, durante o resto do dia, nunca mais a vi!

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