sábado, 21 de junho de 2014

Aos vinte e um dias do mês de Junho do ano mil novecentos e quarenta e quatro...


Aos vinte e um dias do mês de Junho do ano mil novecentos e quarenta e quatro, Etelvina subia mais cedo dos trabalhos do campo para descansar. A sua barriga era, pela quinta vez, maior que o Mundo. Subiram com ela algumas mulheres para a ajudar. Mas nada fazia prever o que se ia passar nas horas seguintes. Etelvina, uma mulher de força, dirigiu-se ao seu quarto para descansar. As dores eram mais que muitas. A barriga parecia uma pedra. Apoiou uma mão na barra de ferro da cama e a outra na zona dos rins. Quando os seus joelhos flectiram para se sentar, qual não foi o espanto que sentiu a criança a sair de dentro dela. Diz-se que esta chegou mesmo a cair. Ninguém a esperava tão cedo. As mulheres que a acompanhavam certamente que envolveram a criança em panos e felicitaram a mãe por tão grande acontecimento. Mas nada fazia prever o que se ia passar nos momentos seguintes. Descansada do momento da expulsão, Etelvina sente mais qualquer coisa na sua barriga e o seu corpo a comportar-se como se ainda quisesse expulsar mais alguma coisa. A placenta? Não. Outra bebé. Mais uma rapariga que ninguém sabia que existia. Um par de verdadeiras gémeas que hoje celebram setenta anos de existência em espelho.

No dia do aniversário das "Meninas" a festa era grande, muito grande! Podiam ir buscar tomate à horta e os pais ofereciam-lhes mais do que uma sardinha a cada uma. Hoje, à distância daquela vida e separadas por 200km, fazem questão de planearem, para as suas casas, a mesma refeição.

Sempre desejei ter um destes pares especiais... quiçá!









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