sábado, 18 de abril de 2015

Hoje tive saudades de escutar algumas vozes...



Hoje tive saudades de escutar algumas vozes. Todas elas guardadas em memórias e fantasia. E apareceu-me na memória, a angustia da falta da mesma, da memória. Como podemos deixar de sentir o cheiro? Como podemos deixar de lembrar todas as marcas que tem? Como podemos deixar de sentir o sussurrar ao ouvido? Como podemos deixar de sentir a mão? Como podemos deixar de lembrar o tom da voz, a entoação, as pausas? Como podemos deixar de lembrar o ritmo da respiração? Como podemos deixar de lembrar o gesto? Não podemos porque não temos nenhum poder. Temos a obediência de Ser e de Viver. 

E porque não conseguimos guardar?

Porque a memória tem Tempo e Ele não pára (grande Cazuza que nos cantas isso tão bem). Nem a memória consegue parar o Tempo. Mas às vezes apetece-me tanto pará-lo e resgatar aquelas respostas todas. Só para mim, só por um Tempo em mim. 

No passo seguinte, aceitas que a Vida te dá Tempo e que tira memória, que te tira Tempo e oferece sempre um novo espaço para novas memórias...

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