segunda-feira, 4 de maio de 2015

E a história? Presa, cheia de medo de se mostrar. Parecia que ía ao dentista.


Hoje foi dia nervos à flor da pele... acordo com despertador, enfrentar ventania e chuva, começar a Encontar histórias bem cedo. 

O corpo não queria obedecer à história, queria virar-se mais para os cabelos enleados e molhados. 
O saco queria obedecer à chuva e rasgar-se como um rio, tal como o trânsito... um ribeiro imenso e nós dentro da Nau.
E a história? Presa, cheia de medo de se mostrar. Parecia que ía ao dentista. Preferia tudo, a estar ali. 

Mas teve de estar. Foi literalmente empurrada para a frente e obrigada a passear na boca de cena, durante uns bons trinta minutos. De vez em quando olhava para trás, assustada, e pedia-me conselhos para continuar. De outras vezes conseguia abrir um leve sorriso. Outras porém, ficava estática, só a olhar quem a olhava e escutava os seus passos.

As nossas histórias, são nossas. Não é possível dar-lhes a volta. Não há modificações, alterações ou edições. São assim, com aquelas palavras escolhidas pela Vida. E, do meu lado, elas não gostam de se mostrar publicamente. Acho que ninguém gosta de mostrar as suas histórias publicamente, só as dos outros. Se calhar por isso corre tanto boato por essas estradas fora.

Quando uma história pessoal passa a "história pública" (público geral) se calhar é porque não é mesmo a nossa história. 

A quem contas as tuas histórias? De quem ouves? Quem pode contar histórias perto do teu corpo? A quem conta histórias o teu corpo?

Hoje, pela primeira vez em muitos anos, o meu corpo amarfanhou-se como o cabelo, quando ía contar uma história. Por norma, só conto ou leio aquelas histórias que me escolhem como transmissor. Mas hoje, esta história, escolheu-me como transmissor e escrivã... e não foi nada boa a sensação de a dar aos outros... Se calhar tudo isto, só porque ainda não nasceu. 



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