domingo, 26 de julho de 2015

(de/para quem conhece a sensação de estar longe dos nossos filhos e do seu regresso...)


Chegar basta. Um chegar que faz com a vida comece a surfar na onda. Tudo o que existe de exterior a mim, e que seja negativo, desaparece. E fico com ele, num espaço e num tempo, que mais ninguém conhece. Num espaço ausente e num tempo parado.

Chegar basta. Um chegar que às vezes vem meio apressado e despenteado mas que, quando acontece, tem a força de parar o tempo e de pentear pacientemente o final do dia. E fico com ele, chamado-o aos meus olhos, e fazendo-os parar um segundo infinito.

Chegar basta. Um chegar às vezes mais cansado e refilão do que o habitual. E fico com ele, a acolher as queixas ao mundo, as injustiças da vida, a má sorte que tem, e elas vão-se dissipando no meu colo.

Chegar basta. Um chegar marcado há um dia que é recebido com normalidade. E fico com ele, com essa normalidade, que é um lugar de paz.

Chegar basta. Um chegar de há uma semana que é recebido com todas as forças físicas que temos. E ali ficamos nós em abraço apertado, em inalações profundas às bochechas e aos cabelos, em sorrisos, em encosto de cabeça no ombro, em olhar nos olhos no fim deste chegar e no início da nossa partida. 


(de/para quem conhece a sensação de estar longe dos nossos filhos e do seu regresso...)


(o chegar de hoje, foi recebido com tanta força física que conseguimos magoar-nos três vezes)


  

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