sábado, 21 de janeiro de 2017

Manifesto-me Por uma Escola Diferente #porumaescoladiferente



Por Uma Escola Diferente (Rita Alves)




O meu manifesto Por uma Escola Diferente começa por dar voz a quem me mostrou ao longo da vida que a escola é uma parte da vida, e que a vida é a maior escola.

Agradeço à minha professora primária, Maria do Céu, nunca ter abandonado a minha turma da 1ª à 4a classe e por nela caberem tantas palavras como empenho, respeito, olhar, empatia, amor. Agradeço-lhe a forma como me ensinou a juntar as letras, deve ter sido uma descoberta tão maravilhosa que eu própria repeti a experiência, fazendo eu de professora e a minha avó de aluna. Agradeço aos meus avós tantas histórias de resiliência e exemplos de amor.
Agradeço à minha mãe nunca deixar de me pedir que escrevesse cartas aos meus familiares. 
Agradeço aos meus chefes de escuteiros terem-me ensinado, aos seis anos, a responsabilidade de “fazer” uma mochila, a quem eu escutei e não cumpri, e que tal atitude me levou a caminhar vários quilómetros com umas botas espetadas nas costas, em vez de um saco-cama a acolchoar o impacto da mochila pesada.  
Agradeço aos que fizeram parte da minha história o facto de eu hoje ser uma professora em construção.

Nunca tive o sonho de ser professora. A licenciatura foi feita pelo prazer das atividades ao ar livre. Cedo percebi que nunca conseguiria exercer tal prazer nas escolas. Cedo percebi que não aguentaria várias horas seguidas, dezenas de crianças entre ranho, suor, gritos, idas à casa de banho. No período de estágio mais significativo percebi que era preciso viver todos os dias apaixonado pela profissão porque, se assim não fosse, não era possível tantas horas seguidas e com sanidade mental.

Ter uma profissão como a de Professor é viver sempre com a sua profissão. É viver com um complemento à vida que preenche tanto tempo dela.  É viver sempre com um olhar pedagógico. É viver feliz, menos feliz, com esforço, trabalho, lutas, vitórias, fracassos, alegrias, injustiças, justiças e sempre conscientes de que somos poetas em constante construção. 

Manifesto-me Por Uma Escola Diferente onde os professores estão

conscientes de que trabalham num lugar de constante surpresa, porque lá habitam seres curiosos que todos os dias formulam perguntas e não se contentam somente com uma resposta. Conscientes de que se isto não acontece, não estão numa Escola.

conscientes de que trabalham num lugar onde não há uma assistência, mas onde todos participam, cooperam, organizam, debatem e são autores. Conscientes de que se isto não acontece, não estão numa Escola.

conscientes de que, quer eles quer os seus alunos são investigadores de primeira linha. Conscientes de que se isto não acontece, não estão numa Escola.

conscientes de que trabalham num lugar por vezes frio, com paredes forradas de desencanto e corredores que guardam gritos mas que à sua passagem se enchem de Luz.

conscientes de que trabalham num lugar onde muita da agressividade e da violência provém de uma falha na raiz dos seus participantes: amor. Conscientes de que são um bom suporte para o crescimento saudável dos seus alunos. 

conscientes de que a alegria, a verdade e a empatia devem ser palavras-chave em todos os relatórios, ordens de trabalho e atas. 

conscientes de que qualquer dificuldade só o deixa de ser quando olhamos para ela e lhe damos uma solução.

conscientes de as pessoas com as quais passamos a maior parte do tempo das nossas vidas, os nossos alunos, não são menos ou mais do que qualquer outra pessoa. 

conscientes de que as pessoas, todas elas, e de todas as idades, preferem um bom problema a uma não-solução.

conscientes de que todos os seus colegas de profissão, alunos têm uma impressão digital diferente. Conscientes de que todos eles também têm uma casa diferente da sua. 

conscientes de que são modelos na formação de uma pessoa e que essa pessoa os olha com esperança. Conscientes de que "Não sou, junto de vós, mais do que um camarada um bocadinho mais velho. Sei coisas que vocês não sabem, do mesmo modo que vocês sabem coisas que eu não sei ou já esqueci. Estou aqui para ensinar umas e aprender outras. Ensinar, não: falar delas. Aqui e no pátio e na rua e no vapor e no comboio e no jardim e onde quer que nos encontremos." como foi Sebastião da Gama.

conscientes de que são poetas em eterna construção... 


Rita Alves
Professora Ensino Básico 1º ciclo e Ensino Superior

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

AmorEcológico . Ecolove . Biolove . Glutenfree for sure



Amor ecológico 

Ecolove... Biolove... 

Glutenfree for sure

Tendência dos tempos que correm, o Amor quer-se Sustentável, conscientemente Eco e de preferência embebido na cultura da Permacultura.

Um pedido de inscrição num Amor Sustentável pode ser a chave para a humanidade.

Ele quer uma relação sustentável e ela, com algum receio porque desconhece a sua veia ecológica, aceita-o uma vez que a sua preocupação com a pegada é cada vez maior.

Uma relação onde o importante é construir "com" e não "para". Uma relação que proporciona uma forma sistémica de se ver o Amor, o Mundo e todos os seus componentes.  Ou seja, uma meta-relação para se poder ver todas as outras relações, questões, ligações do mundo e a sua natureza.

Uma meta-relação que pretende ser utilizada de forma holística na relação entre humanos. Uma visão sistémica onde se pensa e partilha uma vontade de criar, planear, projectar, presentear, saudar, relembrar e melhorar todas as relações efectivadas desde o primeiro Homo. Desde o primeiro Tempo.

No AmorEco, no EcoLove, no BioLove ou LoveFreeGluten os dois seres deixam de ter tempo passando eles a ser o próprio Tempo. 

Nesta relação há cuidado com o solo que escolhem para crescer, cuidado na opção dos fertilizantes naturais seleccionados.

Não há espaço para facas afiada, o solo é escavado "às mãos", a semente colocada com extremo cuidado e tapada com cautela. E se algum dia este Amor deixar de ser fértil é com as mãos que ele é arrancado pela raiz. 

Todos os movimentos, produtos de conversas e discussões são reutilizados quando são excedentes. Nada se desperdiça, tudo se reutiliza a fim de melhorar o crescimento deste amor. A natureza é sábia e até as eventuais folhas, partidas pelos ventos tempestuosos de uma discussão, são reutilizadas para proteger o solo à volta do tronco. Cada gota de suor, cada lágrima é levada ao chão, dando ainda mais minerais ao terreno.

Um amor que se equilibra no seu ambiente, nas suas rotinas simples, previsões ancestrais. Um amor devidamente adaptado aos ritmos da sua própria natureza. Ritmos que variam por sermos habitantes num planeta redondo que gira em torno de uma estrela. Um amor que tem dias de ser noite e tem noites de serem dia; tem marés cheias que cobrem um vazio e marés vazias que destapam um peito cheio; tem verões que escaldam um olhar frio e invernos que esfriam o calor de uma discussão. Um amor que se inicia novo, e de tão novo é que ninguém o consegue ver, a não ser aqueles dois. Um amor que segue o seu ritmo, crescendo. Cresce tanto que se torna cheio e brilhante! Enche a casa de todos com o seu brilho! Um amor que depois vai decrescendo e ficando menos visível aos olhos dos outros, até voltar a ser de novo, um amor novo.

Um amor que tem origem num sistema ambiental, onde o ritmo é aquele que foi inventado por Ele e manejado por Ela. Nada deverá interferir com este  Rhen, com este fluir. Nada deverá interferir com o acoplar de todas as forças do universo e das suas interacções. Este amor terá o ritmo que respeitar da natureza. Terá ciclos, estações, tempos calmos e tempestades, tempos previstos e imprevistos mas que no fim, terá sempre mais força do que a mão de um qualquer obra do Homo e emergirá mais frondoso e belo do que antes.

Um dia sugeriram-me a inscrição num namoro sustentável, eu aceitei, pena não ter percebido que ele era um transgénico disfarçado de Bio e com alta percentagem de glúten...