domingo, 3 de março de 2013

Alcunhas

"Pastel de nata mal cozido"... esta foi a única alcunha que tive e somente durante a infância. Toda a gente me trata pelas quatro letras que me iniciam. Nem mais, nem menos. Mas antes destas estarem escolhidas antecederam-se outras tantas pavorosas. Do lado paterno a escolha era bastante católica: Maria de Fátima. Do lado materno a escolha era mais alegre: Ana Rita. Depois de uma batalha nominal e sobretudo, depois de nascer uma prima, lá se decidiram ao "Rita" precedido do "Isabel" (não podia ser perfeito, mas tendo em conta a primeira escolha, não está mau). O "Maria de Fátima" foi levado para a prima que nascera antes...E porque o nome "Rita" já é pequeno nunca deu aso a alcunhas. Durante uns anos tentei criar-me uma alcunha, mas ninguém lhe pegava. Eu achava que ter uma alcunha era ter uma característica especial e ser conhecida por ela, se eu não tivesse era porque não tinha nenhuma característica especial (física, emocional, etc.)... que não era alguém especial, para o bom ou para o mal. Claro que, entre irmãos, tínhamos sempre os nossos cognomes e o meu era "dentes de cavalo", mas isso era só dentro de casa e utilizado em combates físicos. Com o passar dos anos o "pastel de nata mal cozido" ficou como memória e o "Rita" permaneceu. Nem entre namoros ganhava cognomes (mas também sou avessa a dá-los aos outros) e os terminais "inhos e inhas" irritavam-me (e irritam-me) a pele. Mas ainda me irrita mais o " 'mor"... "oh 'mor, dás-me a mala?" "oh 'mor...oh 'mor" é um termo demasiado universalizado para chamarmos à pessoa especial que está ao nosso lado. Mas qual não é o meu espanto quando, no correr da vida, e já perto dos "entas", fico a ser conhecida por outra coisa que não as quatro letras de Rita... lembrei-me disso hoje. Estava eu na rua e passa por mim uma criança dos seus cinco anos. Cruzámos olhares. Ela parou e eu percebi que me conhecia quando me diz: "Olá, mãe do Afonso" e foi nesse instante que esta história das alcunhas me subiu ao racional e eu pensei: "Tchiiii na pá...demorou mas valeu a pena, já tenho a melhor alcunha".

O nome que nos identifica e que carregamos tem peso nas nossas vidas. Às vezes fazem-nos carregar nomes com uma história pesada, com uma vida triste. Às vezes a escolha cai na homenagem a um familiar que já partiu ou a alguém que se cruzou nas nossas vidas e com quem fomos tão felizes. Outras vezes porque é uma palavra bonita, que nos soa bem ao ouvido. Há sempre um destino na escolha do nome. O meu nome nunca deu aso a uma alcunha, irrita a garganta quando é dito e não vai com a minha cara. Mas conheço a sua história. Não foi minha a escolha, mas não o acho feio, pelo contrário. Mas ser conhecida como mãe de uma criança, que tem um nome lindo e que fui eu (e o pai) que escolhi... é melhor ainda! 

E os Beijos Sabura têm alcunhas ou conhecem a história do vosso nome? 

2 comentários:

  1. Contra os costumes familiares, a minha madrinha proibiu darem-me o seu nome e assim me livrei do Manuela. Uma grande amiga chama-me Siss. De resto tenho o que eu chamo de aumentativos: Sandrinha e Sandrita. Que eu gosto, principalmente quando saem de boquinhas de 8 anos de idade :)

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  2. Sfaia, Mole, Baleia, Bossyboots, Bifa, Ferdy (uma formiga dum desenho animado), Krauss (a governanta generala da série Benson), BigMamma (na fase das botas militares e de ser a única fêmea entre um bando de rapazes), Flifofonela (não faço ideia porquê!)Soft,... e a mim que me deram um nome tão lindo que foi escolhido exactamente porque fica igual em todas as línguas da minha família!
    E ainda o outro dia, quando ouvi uma voz pequena a chamar-me Mãe da Bali ocorreu-me que de todas as alcunhas, e foram muitas, esta era a perfeita!
    bjñs
    Sofia

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