terça-feira, 5 de março de 2013

As linhas que nos separam nas escolas

De vez em quando há uma linha que separa o poder de um presidente de um conselho executivo, do poder de um auxiliar (ao que eu em pequena chamava de Contínuo). Naquela escola ele tem O poder. É um moço do bairro. Conhece toda a gente e todos o conhecem a ele...dentro e fora da escola. A sua voz e o seu tamanho imperam naqueles corredores. Ninguém ousa desobedecer às suas ordens. Os toques são substituídos pela sua voz lírica e estar perto dele significa sentir a sua epiderme na nossa. O contexto não é fácil e muitas vezes estas peças do xadrez são fundamentais. Lá têm as suas limitações de jogadas, mas quando entra em acção, a ordem e o medo sobrevoam pelas salas. Medo nunca senti, mas a ordem é notória ao primeiro grito. Já fui repreendida por ele e em diversas circunstâncias, ou porque pensei vir com os alunos para a rua, ou porque o relógio da sala estava adiantado e mandei os alunos saírem 4 minutos antes da hora, ou como hoje, que fui repreendida porque os alunos não estavam fora do portão às 17.31 - sendo que o horário da aula termina às 17.30. Ele é o melhor plano de evacuação. 
- As aulas terminam às 17.30 e para vir tudo para fora...humm!
- Eles estão só a terminar, vamos já.
Hoje o dia estava a correr lindamente. Éramos poucos e conseguimos estar sem barulho, e com muito prazer a fazer uma actividade. Estávamos bem. Existiram conversas sobre religião, crenças, namoros, ao mesmo tempo que pintavam uma Mandala - que será o seu símbolo de Guerreiro do Arco-íris. 
Entretanto apareceu um pai que refilou com a filha porque estava lá fora à espera há imenso tempo... Olhei para o relógio e confirmei, passaram apenas 2 minutos da hora. Saí ao portão eram 17.36. Liguei o carro às 17.38.
Naquele grupo são todos Guerreiros do Arco-íris. Todos eles sabem que precisam ser fortes para viver e, naquele contexto, sobreviver. Hoje, assumiram-se Guerreiros naquela tarefa mas, mais uma vez, e como nas suas vidas, havia alguém que lhes queria tirar o chão. Naquele lugar, por norma, é o auxiliar da acção deseducativa.
(o trabalho levaram-no para casa para terminar e porque assim o desejaram)




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