segunda-feira, 11 de março de 2013

"Desencaixe"

... e então, como foi o teu dia? 

Foi bom.

... humm... e conseguiste sentir uma coisa especial no teu dia?

Sim. Foi muito triste e especial. Quando a A. falou sobre o "desencaixe" eu pensei no J.C. (o seu best friend que voltou com a mãe para o Brasil) que se desencaixou de mim, e o F. pensou no pai que morreu.

E este "desencaixe" lembrou-me de uma aluna (6 anos) que, num conselho de turma, durante 15 minutos falou acerca do encaixe que o nosso grupo precisava ter. Ao mesmo tempo, ela entrelaçava os dez dedos das mãos para explicar a união que o grupo necessitava, apertava-os com força e olhava-os a falar. Quando terminou "desencaixou" as mãos e disse que aquele gesto era como, naquele momento, estava o grupo. Claro está que a única coisa que consegui fazer foi ficar de boca aberta, aplaudir e pensar naquele tamanho exercício de cidadania. Mas agora é o meu filhote que, contrariamente ao que queria, sofreu com um "desencaixe". O meu guerreiro de voz branca anda a sofrer com a perda do seu melhor amigo. Com o desencaixe que a sua vida teve há um mês. E podemos dar voltas, dizer que a amizade se mantém, que os amigos não se esquecem e tudo é verdade... mas criança, que é ser que vive sem planos a curto, médio ou longo prazo, não entende a espera, nem o porquê de partir um laço tão forte. Cada vez que alguém lhe fala em mudar de casa, responde prontamente "Sim, se for p'ra Brasil". Está visto... vamos reciclar uns garrafões de 5 litros para ir juntando as moedinhas que vêm para casa ao final de um dia de trabalho, e quando estiverem bem cheios partimos de férias até terras de Vera Cruz.

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