quinta-feira, 28 de março de 2013

É um 40 faxavori!

Isto ainda vai dar que folar, ai vai sim!
Valham-me os meus 172 centímetros para nunca ter sentido grande necessidade destes gafanhotos. Enquanto crescia, o que eu sentia era precisamente o oposto ao sentimento proporcionado por estes gafanhotos. Queria ser pequena, não queria ser a maior da turma, do grupo, etc. Odiava dar nas vistas por ser alta. Há umas dezenas de anos atrás as raparigas não eram altas, não existiam sapatos de tamanho quarenta e as preferidas pelos rapazes eram as pequeninas (por serem como a sardinha? por darem menos nas vistas? porque assim eles tinham o campo de visão acima da cabeça delas?... aceitam-se justificações). Sempre achei que o meu azar nas relações masculinas tinham que ver com o meu tamanho, todas as outras eram pequeninas e tinham sucesso (eu nem colocava outra hipótese que não fosse relacionada com o meu tamanho!). Na altura das festas/cerimónias era uma desgraça. Não havia meio termo entre a roupa de criança e a de adulta. Os únicos sapatos que existiam para rapariga, e de tamanho quarenta, eram ténis, e eu fui adepta deles: vans; all-star pretos, azuis, cinza; sanjo preto; loto branco e verde (destes lembro-me de ter comprado três pares iguais)... Eu desejava que existissem casamentos/baptizados/comunhões para poder comprar ténis! Se bem que eu sabia que não os ia usar no dia da festa, mas já cá estavam deste lado! Mas as vestimentas também não eram um suplício menor... as únicas hipóteses de gala faziam sentir-me uma adulta enfiada num saquinho de batatas. E não eram bonitas. Na altura já tinha guerras com a minha mãe porque eu teimava que não era necessária roupa cerimonial, que eu ia mais feliz se fosse de calças de ganga, e o que importava era eu estar feliz, mas ela insistia que não e lá andávamos nós quilómetros e quilómetros à procura de um trapinho. Avenida abaixo, alameda acima, shopping a um lado, rua do outro. Era uma travessia no deserto. O sentimento que tomava posse de mim era de raiva e incompreensão, não percebia porque razão insistiam em mascarar-me... No final lá encontrava um saquinho de batatas e assim se fazia a festa (sempre com os ténis a aguardar no carro). Isto foi nos tempos de adolescentes, porque nos tempos de meninice o caso era bem pior. Uma tia com imenso jeito para a costura fazia-me o fatinho, ora de veludo, ora de bombazine, ora com folhos, ora com gola tudo a gosto dela e da sua mana (minha mãe). Por norma, dois factores eram comuns a todos eles: serem feitos com muito amor e com um tecido que picava a pele! Odiava! E ainda hoje me lembro de todos os que picavam (já foi objecto de estudo da psicanálise e já resolvi a coisa, tranquilos). Cresci a achar-me demasiado grande e como tendência natural foi deixando os joelhos flectidos, fui colocando os pés para dentro. Hoje sofro essas consequências, por exemplo, enquanto pratico yoga, eu bem peço aos meus joelhinhos que se estiquem mas os estafermos têm medo, muito medo. E ter 13 anos e calçar o 37? Era uma aberação. Hoje também é uma aberração porque os miúdos com 13 anos já calçam o 40. Cresci a achar que ninguém no mundo feminino calçava o quarenta.  Até que, um belo dia, li numa revista cor-de-rosa que as modelitas e actrizes, tal como Julia Roberts ou a Cindy Crawford calçavam o meu número, o 40! E foi desde então que, ter as barbatanas com este tamanho, deixou de ser feio ou um incómodo. Felizmente, hoje as miúdas crescem que nem espeques e já não têm de passar por isto. Felizmente a indústria de calçado já faz 40 para todos os gostos e feitios. Há uns anos atrás era impensável ver o gafanhoto que vos deixei lá em cima de tamanho 40. Hoje ele existe até no 41... e eu sei que isto vai dar que folar, ai vai sim, minhas Sras. e Srs!

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