terça-feira, 15 de outubro de 2013

Quintas

O Quintas continuava triste, sem se mexer do lugar, sem gritar ou bater em alguém. Apenas ficou a olhar para mim, só isso. Mão direita na respectiva bochecha e a esquerda a imitar. Quando assim acontece, ou está doente ou o seu mundo está prestes a desmoronar. Não gosto de o ver assim. Não suporto vê-lo assim. Imagino todos os cenários para tamanha tristeza mas tenho a certeza de não alcançar o certo. Não é possível levar a minha mente à desumanização de um filho. Chega o irmão. Cenário em duplicado. E as minhas entranhas só aguardam o toque de saída para voar para junto de quem amo. Toca. Arrumo tudo em segundos mas antes já eles tinham saído. Voo para o carro e vejo-os a irem buscar mais um da família. Volto para trás. Disfarço com uma pergunta tonta, abraço-os e dou-lhes uma esfrega na cabeça. O mais novo agarra-se à minha cintura e aperta. Nó cego na minha garganta que faz resistir uma torrente nos meus olhos. Voo para o amor. Chego e agradeço muito por ter um sorriso e um coração gigante à minha espera. Um coração despido de amor. Amor que desembaraça os nós na garganta. Amor sem rumo, que circula em todos os espaços de mim... 

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