sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Regressar de férias é-me tão mau quanto o tempo da sua espera...



Regressar de férias é-me tão mau quanto o tempo da sua espera...

Antes de sair ando cansada, exausta, com dores de corpo, a contar dias e horas para partir. Quero abandonar tudo o que não é verdadeiramente meu. Saio e depois ali fico, durante dias a fazer unicamente e verdadeiramente o que é meu. A cuidar dos meus quereres, das minhas necessidades, das minhas relações pessoais. Ali fico para o que me é Amor. E este é o tempo onde reuno o melhor da minha vida, não ter obrigação em relação ao que não me é nada, ou que pouco me é. Ali fico com Tempo, 80% para mim e 20% para logística. E sou feliz, muito feliz nessa minha gestão. Haja muito ou pouco dinheiro certo é que nada consegue pagar-me a "não obrigação exterior".

Obrigo-me unicamente a inventar locais de férias para estar e a logística que isso requer. O resto é Tempo útil para mim e para as minhas relações.

E isto faz-me sempre pensar que devo andar trocada nas voltas da vida. Vinte e dois úteis assim, contrariamente às restantes centenas de dias em que tenho "obrigação+obrigação+obrigação" com coisas que me são totalmente externas, ou que verdadeiramente não me enriquecem. Faz-me pensar que ando trocada. E que quero repensar nos dias úteis e nos inúteis. 

Regressar de férias é-me difícil. Deixo de conseguir ver tanta gente ao mesmo tempo porque passei vários dias, com muitos metros quadrados à minha volta completamente vazios de olhares, julgamentos ou críticas. Deixo de conseguir fazer sala porque passei vários dias sem paredes, portas ou janelas com as pessoas que amo. Deixo de conseguir pensar em tanta regra de trânsito porque passei vários dias em estradas a direito, sem trânsito ou pressa. E demoro algum tempo a habituar-me a voltar à rotina obrigatória e a sentar-me no meu lugar. 

Voltar de férias é bom pela festa da saudade. É também o "regresso às aulas" e a febre dos manuais, o equinócio de outono e a mudança de horário... e eu abomino-os! E resisto-lhes. E não me apetece escrever acerca do regresso por isso mesmo. Porque não me apetece regressar. Apetece-me ficar lá e não dar a volta a essa vida. 

(fica o registo das paisagens Sabura por onde tive tempo útil este ano...)