domingo, 31 de março de 2013

Hotel para Educadores!

Os missionários da educação já tem um exílio... aqui, no Hotel da Estrela!

Um Hotel feito no antigo palácio dos Condes de Paraty, em Lisboa, e que em tempos foi uma escola. O tema do Hotel é a escola, e por lá ainda podemos ver ardósias escritas a giz, tampos de carteiras transformadas em quadros, secretárias das antigas, cabides com roupas de criança penduradas, jogos antigos, globos, frases escritas nos rodapés. Olhar para o quadro, feito de um tampo de secretária, é voltar aos tempos passados e pensar em quantas histórias não passaram por aquele pedaço de madeira! Histórias alegres de um tempo de meninice; de amargura, de uma crueldade própria da idade; tristes com a injustiça do professor;  de amor; de borboletas na barriga! Quantas histórias não tiveram base naquele tampo...! 
Para comer existe, como é normal numa escola, a Cantina Escolar ou então, comemos o que nos trazem na marmita! Tem tudo esta "escola", menos a cheirinho a ela (o que não é mau!).








sábado, 30 de março de 2013

E a Clara e o Nadir foram felizes todos os dias das suas vidas!


Eles partiram para terras de Vera Cruz p’ra dançar o samba, o forró, beber caipirinha, comer no buteco... p’ra construir essa Fortaleza num caminho incerto mas feliz.

Eles casaram no dia 30 de março do ano mais feliz, o 13! Uma festa de amor verdadeiro, pensada com verdadeiro amor. Uma festa de amor sustentável, onde nenhum sentimento se desperdiça. Todo o sistema está em equilíbrio e a paisagem fica tão bem enquadrada com quem se ama!

Eles fizeram juras de amor... para o seu amor só uma coisa é necessária... tudo.

Eles pensaram e decidiram estar juntos, no mesmo ninho de amor. Um ninho grande que acolhe tanta boa gente. Um ninho daqueles que se ergue com vigas de amor, traves de força e janelas de liberdade.

Eles caminharam como um anjo e uma princesa.

Eles cruzaram o caminho, numa rua inclinada.

Ele e ela sabiam que um e outro existiam, e que por isso valia a apena continuar a acreditar no amor.

A Clara nasceu para ser feliz com o Nadir.

A Rita, a Marta, a Silvana, o Sérgio sabiam que um dia assistiriam a um amor assim!

E foram felizes todos os dias das suas vidas! 

"Questa è la bellezza come quei versi la che voglio che rimangano scritti li per sempre...

Per trasmettere la felicità, bisogna essere felici e per trasmettere il dolore bisogna essere felici.
Siate felici.
Dovete patire, stare male, soffrire.
Non abbiate paura a soffrire. Tutto il mondo soffre.
E se non vi riesce, non avete i mezzi, non vi preoccupate, tanto per fare poesia una sola cosa è necessaria: tutto." (Innamoratevi!) 

Música Sabura

Assim... sem tirar, nem pôr


Eu não escrevo pra ninguém e nem pra fazer música
E nem pra preencher o branco dessa página linda
Eu me entendo escrevendo
E vejo tudo sem vaidade
Só tem eu e esse branco
Ele me mostra o que eu não sei
E me faz ver o que não tem palavras
Por mais que eu tente são só palavras
Por mais que eu me mate são só palavras
Eu não escrevo pra ninguém e nem pra fazer música
E nem pra preencher o branco dessa página linda
Eu me entendo escrevendo
E vejo tudo sem vaidade
Só tem eu e esse branco
Ele me mostra o que eu não sei
E me faz ver o que não tem palavras
Por mais que eu tente são só palavras
Por mais que eu me mate são só palavras
Eu me entendo escrevendo
E vejo tudo sem vaidade
Só tem eu e esse branco
Ele me mostra o que eu não sei
E me faz ver o que não tem palavras
Por mais que eu tente são só palavras
Por mais que eu me mate são só palavras
Só palavras
Só palavras...

sexta-feira, 29 de março de 2013

"La migliore offerta"

"The best offer" do cineasta italiano Giuseppe Tornatore ...


Há tanto tempo que não ia ao cinema para ver um filme de M16! Desde que tenho um Guerreiro de Voz Branca os filmes e cinemas para adultos deixaram de existir. Passei a apostar na oferta, da magia do cinema, à criança. Mas ontem fomos em família de amigos ver este thriller tão bom. O evento era o encerramento do Festival de Cinema Italiano, no São Jorge. Fiquei surpreendida por ver a casa cheia. Filas enormes para a bilheteira. Tão bom. Sinal que ainda há vontade e euros para apostar na cultura. Honestamente, soube-me muito bem ver aquele mar de gente, ver aquele sinal de alegria e prazer.
Apresentado o filme vencedor, dignamente feito por um belo representante italiano, passou-se ao filme. A primeira surpresa foi o facto de ser em inglês (eu ia a contar de adormecer embalada naquela língua), depois toda a história e fotografia do filme. Mi è stato spazzato via dal film. "A melhor oferta" é uma daquelas histórias em que no final, o realizador, deixa o Tico e o Teco desnorteados. Bom, para além do Giuseppe  me ter deixado desnorteada, o facto de ver a sair da sala o Nuno Crato, também não ajudou a corrigir o norte. Sorte a nossa que o "Fine" do filme já estava escrito e não ficou manchado por esta presença. Aconselho-vos: "La migliore offerta" (2013).

quinta-feira, 28 de março de 2013

Música Sabura 28

A Marisa atropelou-me em plena IC20... Não se faz, Marisa. Ainda por cima não se deu como culpada. Não se anda por aí de cabeça no ar, a voar e a atropelar lindas andorinhas. Temos de ter uma conversa particular, minha Senhora! 





Porta aberta

Às oito da manhã a campainha toca. Às oito da manhã e alguns segundos depois a campainha volta a tocar. Ergo o esqueleto da cama e vou ver o que se passa... 

- Era só para lhe dizer que deixou a chave aqui, do lado de fora...
- Obrigada, não é a primeira vez!

Por segundos, o meu cérebro abriu a gaveta da psicanálise e olhou para aquele acto mas, graças a Deus, o outro lado do pensamento fechou-a imediatamente. Era cedo, muito cedo para analisar estes acasos da vida. 

É um 40 faxavori!

Isto ainda vai dar que folar, ai vai sim!
Valham-me os meus 172 centímetros para nunca ter sentido grande necessidade destes gafanhotos. Enquanto crescia, o que eu sentia era precisamente o oposto ao sentimento proporcionado por estes gafanhotos. Queria ser pequena, não queria ser a maior da turma, do grupo, etc. Odiava dar nas vistas por ser alta. Há umas dezenas de anos atrás as raparigas não eram altas, não existiam sapatos de tamanho quarenta e as preferidas pelos rapazes eram as pequeninas (por serem como a sardinha? por darem menos nas vistas? porque assim eles tinham o campo de visão acima da cabeça delas?... aceitam-se justificações). Sempre achei que o meu azar nas relações masculinas tinham que ver com o meu tamanho, todas as outras eram pequeninas e tinham sucesso (eu nem colocava outra hipótese que não fosse relacionada com o meu tamanho!). Na altura das festas/cerimónias era uma desgraça. Não havia meio termo entre a roupa de criança e a de adulta. Os únicos sapatos que existiam para rapariga, e de tamanho quarenta, eram ténis, e eu fui adepta deles: vans; all-star pretos, azuis, cinza; sanjo preto; loto branco e verde (destes lembro-me de ter comprado três pares iguais)... Eu desejava que existissem casamentos/baptizados/comunhões para poder comprar ténis! Se bem que eu sabia que não os ia usar no dia da festa, mas já cá estavam deste lado! Mas as vestimentas também não eram um suplício menor... as únicas hipóteses de gala faziam sentir-me uma adulta enfiada num saquinho de batatas. E não eram bonitas. Na altura já tinha guerras com a minha mãe porque eu teimava que não era necessária roupa cerimonial, que eu ia mais feliz se fosse de calças de ganga, e o que importava era eu estar feliz, mas ela insistia que não e lá andávamos nós quilómetros e quilómetros à procura de um trapinho. Avenida abaixo, alameda acima, shopping a um lado, rua do outro. Era uma travessia no deserto. O sentimento que tomava posse de mim era de raiva e incompreensão, não percebia porque razão insistiam em mascarar-me... No final lá encontrava um saquinho de batatas e assim se fazia a festa (sempre com os ténis a aguardar no carro). Isto foi nos tempos de adolescentes, porque nos tempos de meninice o caso era bem pior. Uma tia com imenso jeito para a costura fazia-me o fatinho, ora de veludo, ora de bombazine, ora com folhos, ora com gola tudo a gosto dela e da sua mana (minha mãe). Por norma, dois factores eram comuns a todos eles: serem feitos com muito amor e com um tecido que picava a pele! Odiava! E ainda hoje me lembro de todos os que picavam (já foi objecto de estudo da psicanálise e já resolvi a coisa, tranquilos). Cresci a achar-me demasiado grande e como tendência natural foi deixando os joelhos flectidos, fui colocando os pés para dentro. Hoje sofro essas consequências, por exemplo, enquanto pratico yoga, eu bem peço aos meus joelhinhos que se estiquem mas os estafermos têm medo, muito medo. E ter 13 anos e calçar o 37? Era uma aberação. Hoje também é uma aberração porque os miúdos com 13 anos já calçam o 40. Cresci a achar que ninguém no mundo feminino calçava o quarenta.  Até que, um belo dia, li numa revista cor-de-rosa que as modelitas e actrizes, tal como Julia Roberts ou a Cindy Crawford calçavam o meu número, o 40! E foi desde então que, ter as barbatanas com este tamanho, deixou de ser feio ou um incómodo. Felizmente, hoje as miúdas crescem que nem espeques e já não têm de passar por isto. Felizmente a indústria de calçado já faz 40 para todos os gostos e feitios. Há uns anos atrás era impensável ver o gafanhoto que vos deixei lá em cima de tamanho 40. Hoje ele existe até no 41... e eu sei que isto vai dar que folar, ai vai sim, minhas Sras. e Srs!

quarta-feira, 27 de março de 2013

Dia 27 de março


Hoje comemorámos o Dia Mundial do Teatro... a Rtp levou a coisa a sério e colocou um grande actor a dar uma entrevista... casa cheia, bilheteria esgotada para ouvir José Sócrates. O nosso famoso emigrante que ainda ontem estava em França e agora já está cá. Não ouvi, confesso. Escusei-me a essa filosofia. Amanhã os meus amigos me dirão qual foi o guião da peça.

A fotografia do meu dia...



A melodia que se colou aos meus lábios desde cedo...


A cor do final de dia...


Palavras do dia... AMOR é grátis

Frase do dia... Às vezes temos de engolir jardins zoológicos inteiros para conseguirmos o que queremos

Momento "non-sense" do dia... Reservar uns sapatos de salto muito alto

Momento sabura do dia... conhecer pessoas que dão, seja o que for, de forma gratuíta. Pessoas que não pedem recompensa. Pessoas que se amam verdadeiramente e dessa forma é tão natural amarem os outros. Hoje (re)conheci uma destas pessoas, e ao seu lado lembrei tantas outras que já me passaram na vida. Foi bom andar de lá para cá, e de cá para lá a revisitar tanta pessoa boa na minha vida.




Maionese Airlines MA6

Senhoras e senhores bem vindos a bordo da Maionese Airlines. O comandante deste avião fica feliz por vos levar
até terras Sabura. Lá fora o tempo tem sol e muito calor.
Fechem os olhos e desfrutem da viagem.

Ladies and gentleman welcome aboard Maionese Airlines. The commander of this aircraft is happy to take you up to Sabura Lands. Outside the weather is sunny and very hot.
Close your eyes and enjoy the trip.


Mesdames et Messieurs bienvenue à bord compagnies aériennes maionese. Le commandant de l'aéronef est heureuse de vous prendre jusqu'à terres Sabura. En dehors le temps est ensoleillé et très chaud. 
Fermez les yeux et profitez du voyage.


GPS - coordenadas apontadas - Caraíbas here we go!!!


O comandante da Maionese Airlines deseja-vos uma boa estadia...

E assim que chegarmos vemo-nos aqui dentro,

e depois descansamos aqui.

Tiramos umas fotos aqui

e vemos o pôr do sol aqui.

Esta é minha...

E esta vai ser substituída por mim... igualinha

À noite encontramo-nos aqui...







Leve, leve, tudo dret e muitos bons voos Sabura a todos!





Ler a Comida


Oh m'esta...mas como é que nunca pensei nisto? Não que eu seja fã de culinária, mas dava um certo jeito para ir lendo umas notícias, uns artigos científicos ou umas revistas à medida que se cozinha. E desta forma o resultado seria mais picante ou mais agridoce conforme a notícia, por exemplo:

Notícias da Troika - comida intragável;
Notícias do Estado da nação - comida queimada;
Notícias da banca - comida esparramada no chão...em queda;
Notícias do aumento da criminalidade - arroz de cabidela todos os dias;
Notícias do tempo - comida águada;
Notícias do sector financeiro - hoje sou eu que como tudo e não lhes deixo nada;
Notícias do governo - opss mas havia aqui alguma comida para confeccionar?;
Notícias do V. Gaspar - Mãozinha de vaca... osso duro de roer;
Notícias do aumento de divórcios em Portugal - arroz de grelos, separados uns dos outros; 
Notícias da Educação - Se vocês hoje não se entendem no tacho ficam de castigo!;
Notícias da cultura - Omolete sem Ovos;
Notícias do desporto - A água e o azeite não se misturam;
Notícias Cor-de-rosa - ingredientes fora de prazo;
Artigos científicos - comida de difícil digestão.

Portanto, o melhor mesmo seria ler uma boa receita, cozinhar com amor e fazer disso uma boa notícia (digo eu que não aprecio cozinhar, mas que gosto muito de boas notícias), ou então fazer de cabide!

terça-feira, 26 de março de 2013

All is L-O-V-E

Não é a música certa para adormecer os nossos Guerreiros mas é a ideal para os acordar... Beijos Sabura with L-O-V-E!

"All is Love" do filme "Where the wild things are"

Frase do dia



"Um conto breve faz um sonho longo", de Lídia Jorge

imagem retirada daqui

Em Mudança

É sempre assim... as palavras aparecem quando menos esperamos. Apanham-nos na curva e fazem-nos derrapar para um mar de inquietudes. Quantas vezes nos deparamos com uma alma gémea-sentimento-temporal, que conseguiu transformar tudo o que pensamos e sentimos em palavras?! São uma espécie de anjo da guarda literário. Às vezes lançam-nos no inquieto, às vezes aquietam-nos o espírito.  Na maioria dos casos, estes anjos da guarda literários, também nos ajudam na solidão. Convencem-nos que afinal não somos assim tão estranhos.  
Em fase de mudanças na vida, hoje esbarrei com a Clarice Lispector nas suas mudanças. As dela são boas intenções, as minhas por enquanto, são imposições mas feitas com a melhor das intenções e com o desejo de conseguir o melhor sucesso. Aqui fica uma lista de boas intenções de mudança...

MUDANÇA   MUDE 

Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa. Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua. Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas. Dê os seus sapatos velhos. Procure andar descalço alguns dias. Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia, ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda. Durma no outro lado da cama... Depois, procure dormir em outras camas. Assista a outros programas de tv, compre outros jornais... leia outros livros.
Viva outros romances.
Não faça do hábito um estilo de vida. Ame a novidade. Durma mais tarde. Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos temperos, novas cores, novas delícias.
Tente o novo todo dia. O novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito, o novo prazer, o novo amor.
A nova vida. Tente. Busque novos amigos. Tente novos amores. Faça novas relações.
Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tome outro tipo de bebida, compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado... outra marca de sabonete, outro creme dental... Tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores. Vá passear em outros lugares.
Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas, troque de carro, compre novos óculos, escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios, quebre delicadamente esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco. Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só. E pense seriamente em arrumar um outro emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso, mais digno, mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as. Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino. Experimente coisas novas. Troque novamente. Mude, de novo. Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas, mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia. Só o que está morto não muda !
Repito por pura alegria de viver: a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não
vale a pena!
(Clarice Lispector)  Edson Marques e não de Clarice Lispector!  O Edson inclusive tem o poema Mude em vídeo, aqui


Pé de atleta

Na demanda de uns trapinhos, num espaço comercial, passamos por um parque infantil...

- Posso, posso, posso?!?!?!?!
- Sim, mas quando eu precisar que voltes não pedes "mais um bocadinho", combinado?
- Combinado!
...
- Ohhhh está fechado!
-Pois é, está escrito que se "encontra em manutenção", ou seja, está fechado para obras. Vamos andando!
...
- Já sei porque é que está fechado. Já sei, já.
- Então?
- Foram uns ladrões que ali estiveram com pé de atleta e agora nós não podemos entrar lá para dentro... ainda bem que os senhores nos avisaram! 

Melhor explicação não há. A junção de ladrões e pés de atleta é de terror, medonha, repele qualquer um. E eu acho que o "pé de atleta" é uma boa solução para quando não queremos que invadam o nosso espaço. Dizer que estamos carregadinhos de fungos de pé de atleta, mão de atleta, unha de atleta, cabelo de atleta, é motivo mais que suficiente para ninguém se aproximar. Imagino-me nas filas das repartições dos serviços públicos carregando a minha sinalética de "Pé de atleta" e todo o mundo a afastar-se. Imagino as filas do supermercado a abrirem, os maus-olhados a desviarem-se; os sherpas de más energias a evitarem estar connosco; os maus acontecimentos, decisões a voarem para longe; as pessoas que nos querem mal a desejarem o nosso bem para voltarem a estar connosco... Às vezes apetecia-me ter um bocadinho deste "Pé de atleta", não necessariamente no corpo, podia ser em spray. A polícia que experimente dizer que em vez de "gás pimenta" tem "gás pé de atleta" e é ver a dispersão imediata. Às vezes apetecia-me ter um bocadinho deste "Pé de atleta"... facilitava a vida em muitos momentos!

domingo, 24 de março de 2013

Histórias minúsculas

O propósito deste blogue passa por um exercício de olhar, reflexão e escrita. Todos os dias olhar, reflectir e escrever sobre alguma coisa especial. E porquê? Simplesmente porque muitas vezes quando eu e o dia nos encontrávamos já era tarde. Já tudo tinha passado e eu, muitas vezes, não me tinha parado no tempo. E achava/acho que é impossível passarem-se vinte e quatro horas e nada de bom acontecer. Nada de extraordinário, bonito, alegre, prazeroso, que deixe cicatriz... E em boa verdade, existem sempre minúsculas histórias que são perfeitas... precisamos primeiro aprender a escutar e olhá-las. Por norma não tenho dificuldade em iniciá-las, mas tenho alguma dificuldade nos seus fechos. Olhando à luz de uma psicologia muito barata, se calhar não gosto que as histórias, as minhas histórias, tenham fim. Não gosto de deixar de ter por perto as minhas personagens. Quero mantê-las sempre comigo e desejo que elas nunca tenham fim. Mas isto tudo à luz da psicologia low-cost que não é a minha zona de conforto. Hoje, os momentos sabura escasseavam e eu, que me esforço por olhar, começava a ficar desesperada por não ter conseguido um que fosse digno. Dia tempestuoso, entre paredes, dia cinzento e longo até encontrar duas minúsculas e perfeitas histórias...
A primeira foi quando, em arrumações de papeis e cadernos dos anos de 1981/82, voltei ao tempo de infância à velocidade da luz. Pedi permissão ao corpo para acalmar a mente e entrar naquele espaço contemplativo, de festa e carinho. Ao visitar as páginas dos meus cadernos de escola consegui fazer para o tempo e deixar-me levar somente pela minha caligrafia. Lembro-me perfeitamente de ter escrito algumas das linhas que ainda sobrevivem, marcadas no papel. Lembrei-me o quanto eu ficava feliz porque a professora colocava um carimbo numa folha do caderno, e nós, com todos os cuidados, o podíamos ilustrar. Lembrei-me com clareza, e algum nervoso miudinho, da caneta vermelha da professora a riscar o que tínhamos lido ou escrito. Era o risco da avaliação, da fluência, dos erros. Lembrei-me que eram muitas horas felizes durante uma grande parte dos dias... que era uma coisa que hoje me fazia falta.
A segunda história foi quando "baixei os braços" às tarefas que andava a fazer e me derreti no meio da família-pequenada. Sentei-me no chão e olhei-os. O meu Guerreiro de voz branca, nesse momento, piscou-me o olho e deu a si próprio um abraço. Maravilha! Era o melhor convite! Descruzei as pernas de chinês e fui ter com ele. Os melhores segundos deste dia. Foi uma minúscula história que durou trinta segundos no espaço GTM, mas que a mim me pareceu uma eternidade.

Há uns anos atrás consegui escutar várias histórias do Sebastião da Gama e hoje lembrei-me tanto destas palavras dele...

"O poeta beija tudo, graças a Deus… E aprende com as coisas a sua lição de sinceridade…
E diz assim: “É preciso saber olhar…”
E pode ser, em qualquer idade, ingénuo como as crianças, entusiasta como os adolescentes e profundo como os homens feitos…
E levanta uma pedra escura e áspera para mostrar uma flor que está por detrás…
E perde tempo (ganha tempo…) a namorar uma ovelha…
E comove-se com coisas de nada: um pássaro que canta, uma mulher bonita que passou, uma menina que lhe sorriu, um pai que olhou desvanecido para o filho pequenino, um bocadinho de sol depois de um dia chuvoso…
E acha que tudo é importante…
E pega no braço dos homens que estavam tristes e vai passear com eles para o jardim…
E reparou que os homens estavam tristes…
E escreveu uns versos que começam desta maneira: “O segredo é amar…”
(Sebastião da Gama)

Há dias em que as dores são tantas que quase nos abafam os cheiros, o paladar, o tacto. Hoje quase abafaram a audição e a visão. Mas foi só quase. E também por isto, o Beijo Sabura já é uma espécie de melhor amigo, forçando-me a acreditar e a saber olhar.   

sábado, 23 de março de 2013

Música Sabura 23

E para as Andorinhas...


"Vai sem direção
Vai ser livre
A tristeza não
Não resiste
Solte seus cabelos ao vento
Não olhe pra trás
Ouça o barulhinho que o tempo
No seu peito faz
Faça sua dor dançar
Atenção para escutar
Esse movimento que traz paz
Cada folha que cair
Cada nuvem que passar
Ouve a terra respirar
Pelas portas e janelas das casas
Atenção para escutar
O que você quer saber de verdade" (De Arnaldo de Antunes)

Música Sabura 23

É o que me desejo e o que desejo para todos os Beijos Sabura aí desse lado...


Momento sabura dia 22

E as nuvens desceram 

para nos perdermos entre o céu e a terra,

num lugar onde os Guerreiros de Voz Branca 
constroem os seus sonhos
 e camas para as sereias!

Prenderam o verão

Mistério desfeito... prenderam o verão!