quinta-feira, 31 de julho de 2014

Entra Agosto, sai desgosto




Passar os últimos dias a trabalhar na companhia de quem mais amo tem sido o que me aguenta neste "QUASE de férias"... É um quase difícil de roer, de mastigar e de engolir! Sou pessoa expert no negócio de "não fazer nada obrigatório nas férias"! Mesmo! E preciso disso! Preciso deixar de saber o dia da semana e guiar-me pela posição do sol e pelas estrelas. Preciso vestir o primeiro trapo que vem à mão. Tomar o pequeno-almoço sem tempo, ler as revistas cor-de-rosa antigas, passear a pé o tempo que me apetecer, enfiar-me no carro e parar não sei onde, dormir sestas na praia, ficar em silêncio a ver um pôr de sol ou bater palmas por ele, almoçar qualquer coisa e jantar em gourmet, brincar e construir com o meu filho! Preciso largar a palavra OBRIGATÓRIO, just that! 

Nesta profissão da educação os professores vislumbram férias em Agosto, um excelente mês para as gozar, como bem sabeis, mas enfim..."professores" e "multidão" rimam por isso nós já não nos queixamos. Eu lá estarei a gozar um pouco de dolce fare niente e, tentando escrever bonito em modo APA-academês!

(Tiçanita o gabinete ficou ensacado! Tudo em sacos de pano e devidamente identificados! Se precisar de o que quer que seja, leve! Não se assuste, recebi ordens para mudarmos de gabinete, só isso! Reze ao seu Deus e peça-Lhe as Suas duas mãozinhas na mudança, pode ser?!)

(Carolina, estou a canalizar a minha raiva para a escrita, quando eu te entregar algum texto para leres tem cuidado, certifica-te que tens o tétano em dia... Estás avisada!)



                                      













quarta-feira, 30 de julho de 2014

Poucas palavrinhas para uma das verdades mais difíceis











Conhece-te primeiro e depois tenta descobrir o outro...















Esta resposta tem uma vida inteira atrás do nosso presente...





Mais um Dia a comemorar... o da Amizade. Entre todos os outros dias do ano, este relembra-nos esta relação especial. A frase "Um amigo é..."  lembra-me os exercícios dados na escola nestas ocasiões especiais. Por norma as respostas são rápidas e comuns, mas na verdade, continuar esta frase tem que se lhe diga! Esta resposta tem uma vida inteira atrás do nosso presente. 
Quando era pequena a matriarca lá de casa acusava-me de eu ser uma espécie de "Santa casa da Misericórdia" para os amigos, e nunca pensar em mim. Sempre ouvi isto, mas nunca alterei o comportamento com os meus amigos; apenas alterei o comportamento com ela, fugindo às conversas acerca dos amigos. Nunca achei que estivesse a fazer alguma coisa que não devia ser feita. Numa família biológica - onde não existe o que uma boa amizade contempla (conversas sobre tudo e sobre nada, companheirismo, apoio às racionalidades e às irracionalidades...), procura e constrói-se a família dos amigos. E é com ela que também cresço. É ela o meu porto de abrigo, nos bons e nos maus momentos. É ela que abraça todas as minhas duvidas, anseios, vontades, desesperos, alegrias, desabafos, parvoíces, loucuras, estados de espírito, experiências, viagens... E apesar da rede social Facebookiana nos trazer, todos os dias, centenas de amigos, a realidade é que os Reais Amigos são sempre poucos, mas bons e "nossos". Entre conhecidos e amigos há todo um mar de distância. 
E eu orgulho-me muitos dos meus. São pessoas tão diferentes mas tão iguais. Iguais em crenças, em delírios, em sentido de humor, em estar com o outro, em investir no outro. Nada diferentes dos vossos, acredito. Uma vida de amigos não tem preço, nem cobra nada, apenas Está e É. Em tudo! Quando assim não acontece temos sempre duas hipóteses: ou há interesse e investimos, ou não há interesse em avançar mais na amizade e deixamos como está.
Eu não tenho duvida que, entre Cabanas de Tavira e a Quinta do Senhor Libório, entre hotéis e tendas, entre batons do cieiro e cremes para o corpo, entre mar e serra, entre mojitos e gin tónicos, entre uma morna e uma europeia, entre um telefonema diário e um telefonema anual, entre um compromisso e um descompromisso, entre uma cerveja e um pôr do sol, entre um sushi e um bolo de chocolate caseiro, entre um "achaque" e um rir a bandeiras despregadas, entre um silêncio e um grito eu tenho os melhores Amigos do meu mundo!

E é nesta altura que nós, mesmo que, por breves instantes, desistimos e deixamo-nos levar. Somos manta morta na Vida.




Às vezes achamos que tudo podia ser mais fácil, que não era necessário tanto sofrimento para perceber aquela verdade, que o Caminho podia ser menos sinuoso e, sobretudo, que já sofremos o suficiente e era altura de o Universo escolher outro alvo. Entramos numa espiral frenética e para sair temos duas hipóteses: ou desistimos, deixamo-nos levar na espiral e só nos levantamos quando esta se dissipa, ou - sempre a mais difícil - damos dois ou três passos ao lado da nossa vida, saímos da espiral e ficamos a olhá-la do lado de fora.
Na maioria das vezes a falta de forças, o cansaço, o desencanto já são tão grandes que todos juntos se apoderam da nossa pele e ali se amontoam transformando-nos em manta morta. E é nesta altura que nós, mesmo que por breves instantes, desistimos e deixamo-nos levar. Somos manta morta na Vida. Entramos em desespero, em estado de raiva, confusão, culpabilização e passamos de Seres racionais e irracionais para somente Irracionais, connosco e com o mundo. 
Enraivecemo-nos, choramos, gritamos, passamo-nos... Naquele momento é aquela verdade que toma conta de nós, mas depois de gastar as energias físicas neste estado alterado-plus o que fica por norma? "Foi preciso descarregar." "Foi o resultado de inúmeras sinapses conduzidas de forma errada." E depois disto o que nos acontece, por norma? Olhamos para o lado e, afastada de nós dois ou três passos, encontramos a solução certa. O botão da máquina, o chave do carro, o local do furo do pneu, o cartão, a vida dos outros, o Amor, um suspiro, uma piada seca...qualquer coisa tão pequena que, no meio de uma espiral tão frenética, ninguém consegue colocar-lhe a vista em cima. Na calmaria da tempestade é a coisa mais básica que podia existir, que sempre esteve ali ao nosso lado e que, inclusive, brilha de dia e de noite! E o que fica depois, por norma? Passamos mal das nossas sinapses, da nossa racional, da nossa irracionalidade e rimo-nos por termos sido tão "lerdos"! E fomos sim, por permanecemos demasiado tempo na espiral. Perdemos tempo de vida naquele redemoinho que passa inúmeras vezes pela nossa vida e nada lhe acrescenta, a não ser como dele escapar.

Desejo meu conseguir dar sempre dois ou três passos ao lado da espiral, ou nem sequer lá entrar.

                                  

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Habitar aquela casa era uma encruzilhada...

O seu pai viveu sempre rodeado por um Diabo que o pontapeava, via mulas sem cabeça nas encruzilhadas e homens com cornos e cascos de cavalo. Ele ouviu aquelas histórias toda a vida, e ao mesmo tempo também as viveu.A sua casa era de facto um inferno, onde o pior Diabo de todos era a miséria e a fome. 
Habitar aquela casa era uma encruzilhada. Não havia um caminho longo e tranquilo para a ela chegar, nem para nela permanecer. Todo o caminho era feito de incertezas de sobrevivência à vida. Todo caminho era um sinuoso labirinto. O seu pai sempre habitou aquele lugar. Era-lhe fiel. Mais fiel que ao lugar e à casa, só à bebida. A sua família nasceu e habitou sempre aquela casa. Casa que acolheu muitos tombos, gritos, faltas de amor e excesso de fome. Aquela casa acolheu demasiadas faltas de respeito pelo Ser humano. Às vezes chego mesmo a culpada. Devia ter-se desmoronado. Podia ter-se desmoronado para que aquela família se reconstruísse noutro lugar, que não um beco sem saída. Devia ter-se desmoronado para que aquela família aprendesse a viver num caminho aberto, com um horizonte à vista, onde a estrada atravessasse os quintais de todos os vizinhos e todos se tivessem de cumprimentar e agradecer. Devia ter-se desmoronado para que aquela família aprendesse a agradecer aos outros o cuidado na manutenção do caminho, e para aprender a cuidar do seu caminho. Aquela casa tinha unicamente uma porta e uma janela, e devia ter-se desmoronado para que aquela família pudesse ter crescido numa casa cheia de portas e janelas abertas. Numa casa que lhe abrisse o coração e que, a corrente de ar fosse de tal modo forte que por lá não parasse inveja ou egoísmo. Devia ter-se desmoronado porque não tinha tachos, panelas, livros, móveis, amor, devoção, admiração ou gratidão que lhe escorassem as paredes.
Mas a casa nunca se desmoronou. Ao longo das décadas manteve-se sempre erguida com paredes tristes, cheias de mágoas e rancores, sem alegria de vida, com a janela fechada e a porta suficientemente aberta para lá caber um olho e espreitar quem chegava àquele beco. Ele casou e saiu daquela casa, fisicamente. E diz-se que, não faz muito tempo, foi visto a erguer casas cheias de janelas e portas largas, em caminhos largos e luminosos, mas com o coração a habitar a miséria, lugar de onde nunca saiu.

See small things with your heart





sábado, 26 de julho de 2014

Dia Mundial de dar os parabéns aos Avós ...

Dia Mundial dos AVÓS


                                               Ser avô é ser bom filho e ainda melhor pai !!!


Parabéns aos meus por todas as memórias que me deixaram. Parabéns aos do meu filho por todas as memórias que lhe constroem. Parabéns Conceição Costa, que apesar de uma barriga dorida e cheia de dores, consegue suportar o peso dos netos para ouvir uma história. Parabéns Avós loucos que recebem os seus netos de férias! Parabéns Avós loucos que ainda jogam à bola com os seus netos, mesmo em terrenos escorregadios. Parabéns Avós loucos que aceitam ser pais pela segunda vez, quando os vossos filhos emigram. Parabéns Avós que vivem o resto das vossas vidas, de igual para igual com os vossos netos, na mesma fornada de expectativa, alegria, desapego material, apego amoroso, atenção...

Eu tenho um feeling que o meu bom filho, será ainda melhor pai e eu serei a melhor avó do Mundo!!!

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Do rescaldo de ontem...




@ritalourencoalves


Imaginar a vida sem os meus suportes de tranquilidade é ver o caos e a guerra. E são eles que me reflectem muito daquilo que sou e daquilo que quero ser. Ainda ontem, depois da azáfama do encontro académico (adiante... adiante...) consegui Estar com alguns desses suportes. Um encontro estritamente não profissional com uns amigos,  outro encontro casual com mais uma amiga, mais um  encontro casual na mesma esplanada, e por fim, um encontro marcado num miradouro bonito. Acreditar que a  minha vida também passa por estes suportes está-me entranhado na pele.
E como é bom sentir que de todos estes encontros (excepto o académico, claro) eu engordo tanto na paz de espírito e na sabedoria. Ninguém é gestor de um banco, accionista ou trabalha na Bolsa mas todos nós sabemos o quanto vale cada acção de uma verdadeira amizade!

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Se a partir de hoje eu deixar de publicar...

Se a partir de hoje eu começar a publicar, neste canto Sabura, escritos académicos, a razão é simples: passei-me e vou agarrar-me ao difícil trabalho de escrever academicamente. 

Nada prometo, o encontro está marcado para daqui a pouco. 

Quem sabe se eu alterasse o compromisso de escrita aqui, e a partir de agora todos os dias me obrigasse a publicar um parágrafo académico, quem sabe se eu não terminava isto mais depressa. 

Quando me ponho a pensar que quem me "incentivou" para fazer esta formação, depois desapareceu dela porque se apaixonou e agora vive um amor tão bonito...dá-me três voltas ao estômago e vontade de mandar os títulos às couves. Entretanto a minha amiga continua abraçada ao seu grande amor, e eu vou ali abraçar-me e namorar com a Ferreiro, a Teberosky, a Lurdes Mata, o Chauveau, a Benavente, a Alves Martins...


terça-feira, 22 de julho de 2014

PACC, dia 22 julho 2014

É o desgoverno que temos... nada a fazer agora. Não há quorum suficiente para derrubar este governo. Não há meio de embalsamar aqueles mamutes (com todo o respeito por essa espécie animal) e mandá-los por um precipício abaixo. 

Eu fiz aquele teste, que chamam PACC, no dia 18 de Dezembro. Cerca de dez pessoas à entrada, na manhã, com bandeiras e tentando sensibilizar quem se vendeu e aceitou vigiar a prova. Estive duas horas a fazer um teste que dá para provar que sou cidadã portuguesa, ou que pelo menos, sei ler a língua portuguesa. De resto não prova mais nada. Não provar nenhuma Aptidão e Competência para ser professor. Nenhuma. 

Entrei com muitos mais que não queriam fechar uma oportunidade de emprego. Saí de rastos, como se um cilindro me tivesse passado por cima do corpo. Fomos cilindrados pelos olhares desconfiados dos parceiros de profissão, que vigiavam o exame. Estes tinham o desplante de dizer que estavam do nosso lado (aqui sim era de aplicar uma prova acerca das questões da lateralidade) mas nada podiam fazer.

A parafernália de regras a cumprir, sem que a principal estive cumprida, a avaliação de competências para ser docente não se avalia daquela forma. Um relógio de parede ausente (quando todos os professores o exigem e é obrigatório na realização de uma prova de exames nacionais). Os gritos de quem desertava a meio da batalha, e procurava liberdade na educação. Por fim, passadas duas horas, saímos de papeis e canetas na mão, sem esperança de sermos avaliados de forma competente e fomos recebidos por um cordão de polícia de choque! E em choque ficámos. 

Antes de nos receberem daquela forma já nos tinham torturado com pressão psicológica, emocional, com injustiça atrás de injustiça. Quando nos receberam daquela forma à saída, revistaram-nos com os olhos, com as armas, os capacetes e os bastões e roubaram-nos a liberdade que tínhamos levado às escondidas nos bolsos. 

Desse lado continuem a não se indignar, a serem somente pais e mães a depositarem as crianças na escola, e a acreditar que quem educa os vossos filhos é mau, muito mau. E continuem a apoiar uma Prova de Assistência ao Cretino Crato...





segunda-feira, 21 de julho de 2014

domingo, 20 de julho de 2014

das coisas quase impossíveis da vida...



Ela gostava dele por inteiro, ainda que ele fosse um caco

Ele não sabia gostar dela por inteiro, porque ela era demasiado para caber num só!




histórias que começam pelo fim...





Por vezes há histórias começam pelo fim. Sabemos como terminam ou como gostariamos que terminassem e, contrariamente ao ritmo da natureza, reconstruímos o desenlaçar da história. Será por isso que muitas vezes vivemos colados às expectativas?! Não as expectativas finais, mas as expectativas de como se desenrola a história? Porque do fim já nós temos a certeza.

Bater palmas

O Bater palmas aos fenómenos bonitos da natureza tem vindo a tornar-se um hábito feliz...

Sobretudo quando toca um pôr-de-sol. Lembro-me de, no verão de 2007, ter parado o carro na estrada algumas vezes para bater palmas (com os pelos eriçados) ao pôr de sol, em Sagres! A luz com que somos presenteados no cair do sol, no mar, faz-nos sentir abençoados e sortudos!

Se a estes momentos acrescentarmos a boa companhia, o caso merece ainda mais respeito e mais palmas. É, sem duvida, um momento regenerador de boas energias. Espero que também vocês o aproveitem de quando em vez...

"Atira-te ao Rio" (Almada)



sexta-feira, 18 de julho de 2014

Não é possível registar o momento


Pediu-me que registasse o momento do nosso acordar, um registo para nós, mas fica difícil não partilhar. Partilhar, não fugindo à regra da privacidade. Muitas imagens registadas e apenas uma partilha feita. Uma imagem destorcida,, porque na realidade, não há máquina que consiga registar o que é este Momento. 

Foste tu quem me acordou para a vida, Guerreiro. 
És tu o meu melhor acordar de vida, e as palavras "Vida" e "Acordar" fazem de ti o meu herói.

Depois de um dia assombrado por tantas imagens tristes do mundo exterior, dá vontade de voltar a este ninho. E eu volto, várias vezes ao dia!


Não descobriram água na Lua?

É incrível o que o animal humano consegue. Mata, mata, mata e volta a matar sem pudor, pena, mágoa ou rancor. Acho que mais nenhum animal utiliza a morte, quase de forma gratuita, como o humano faz. Israel, Palestina, ataques aéreos, ataques à machadada, centenas e centenas de seres humanos mortos pelos da sua espécie. Lutas desiguais, feitas com mais ou menos dinheiro, com mais ou menos armas. Até nisso os humanos se tornaram cobardolas, já desde o tempo do ferro, do cobre e do dinheiro. Lutem, mas de corpo a corpo, sem arma nenhuma de ferro, metal, aço. Lutem com as mãos. Matem com as mãos. Se calhar nessa altura recusar-se-ião matar, mas assim é fácil. Lança o míssil, afia a faca, carrega a espingarda. Assim não és tu a matar, é a arma e na tua consciência está tudo limpo porque recebeste uma ordem superior e só o teu dedo obedeceu.
O animal humano emburreceu, estupidificou, embruteceu com o dinheiro e com o território. Não há nenhuma razão verdadeiramente válida para continuarmos a ver morrer gente em conflitos de guerra. Nenhuma. Nem territórios, nem religiões, nem interesses económicos. 

Quem provoca o conflito, quem quebra um cessar fogo devia ser punido por todos os outros países. Em uníssono. Não há desculpa, interesse económico que valide uma morte.

Não descobriram água na Lua? Mandem para lá os Israelitas que continuam a matar. Mandem os russos que continuam a matar. Mandem os BPN e mais os BES. Mandem o Isaltino Morais. Mandem todos estes seres que não dignificam a espécie, mas mandem sem dinheiro e sem armas para eles se entreterem a puxar os cabelos uns dos outros, a pedir desculpa, a curar a ferida do outro e a caminharem na mesma direcção... Farta de gente estúpida, senhores. Desapareçam do meu mundo. Desandem!
     

quinta-feira, 17 de julho de 2014

A noite em que partilhou o amor

Bárbara já ultrapassou a barreira das oito dezenas de primaveras. Caminhou-as sempre em terras secas e áridas, no meio do Alentejo. Até ao dia em que conheceu o seu António. Um homem que namorou sete anos a mesma moça e que, no final desse tempo, encontrou o amor eterno em Bárbara. 

"Travámos conversas, mas a minha maior preocupação é que ele nã tivesse deixado dívidas com a moça. Ê perguntava-lhe ... Vomecês tiverem juntos tantos anos, tu nã deixas dívida nenhuma com o moça?!"

Namoraram pouco tempo. Marcaram a boda para um domingo. Na quinta-feira anterior deram o primeiro beijo ("piqueno") na boca.

"Mas a nôte más feliz par mim, foi a do casamento! Ai que bonita nôte!"

Todos imaginamos o porquê, mas com apenas um beijo dado o que teria acontecido naquela noite feliz...

"Atã, o mê António pôs-se todo nú à minha frente!!!"

E ti' Bárbara... como reagiria ela?

"Atã e eu 'tava maluca naquela nôte e despi-me tamém! Foi a nôte mais feliz da minha vida. Ném tive vergonha nenhuma. Ai foi tã feliz. Até qu'o mê António foi p'a Moçambique e disse que ê tinha que ficar cá com os dois gaiatos. E ê nã queria. O mê António só me dizia que eu lá nã conhecia ninguém e era mesmo por isso qu'ê queria ir, para conhecer mais coisas do mundo, néi?! Mas olhe, nã fui. E quando ele me voltou de Moçambique encontrou a morte pouco depois. Atã nã podíamos ter namorado mai um bocadinho?!"

Bárbara ainda hoje recorda, depois de muitos dias de mau trato pela vida e pela fome, que o dia mais feliz da sua longa vida foi a noite em que partilhou o amor, pela primeira vez, com o corpo do seu marido. Que o seu corpo se destapou para aquele homem, sem vergonha. Que a partir desse momento nada mais importava do que descobrir a dois. 

Hoje, os filhos, acusam-na de ela estar a ficar desmemoriada e de baralhar muito as histórias. Até pode baralhar, juntar, misturar, mas esta, ela conta-ma sempre com as duas mãos agarradas uma à outra, colocadas em frente ao seu peito, com os olhos vidrados em água e com a mesma saudade. E eu acredito nela.

Bebedeira de sono




Este cantar das cigarras embebeda-me o sono...



quarta-feira, 16 de julho de 2014

Helena Gravato ...




Ainda não fez um ano que a Vendida da Morte levou a voz da Beatriz Quintella e agora requisita outra contadora para o seu lado. Helena Gravato. Uma Contabandista, de Oeiras, do Mundo. 

Nunca cruzámos grandes falas, mas ela já me fez chegar aos ouvidos muitas histórias. E eu gostava do seu registo. Não era um tom histérico, nem monocórdico. Era o seu registo de voz, sem pretensões de com ela conquistar o Mundo. Era uma voz mensageira de histórias que aconteceram. Somente isso... aliás, Tudo isso!

Tenho a certeza que a Dra Da Graça (Bia Quintella) a vai receber com uma corneta na mão e juntas vão brindar ao cabrão do cancro que as juntou para sempre...


Helena Gravato


Dos textos que me fazem parar para ler e que no final, tanto fico com um nó no estômago como suspiro de alívio!

Dos textos que me fazem parar para ler e que no final, tanto fico com um nó no estômago como suspiro de alívio! Educarmo-nos em consciência é O desafio; educar os outros, em especial se se trata dos nossos filhos, é O desafio em dose dupla. O nome técnico disto "Parentalidade Consciente". 

Gosto, identifico-me, leio e "sigo" a Mikaela desde os tempos do Manifesto Anti-Trabalhos de Casa, altura em que entrámos em contacto uma com a outra. Desde então já me mordi várias vezes por não ter capacidade financeira de ir ter com ela e fazer uma formação e já me senti tranquilizada por ela (mesmo numa relação virtual a Mia tem esta capacidade). Sinto-a uma Mulher poderosa, íntegra, tranquila, com um Caminho longo e sério na área do Mindfulness. Resumindo, o que conheço da Mikaela ... daqui e daqui dá-me pano para mangas para reflectir. Não são frases feitas, não passeia de hotel em hotel, não anuncia marcas ou festivais, não fotografa receitas... faz-nos reflectir no que se passa connosco e com quem nos rodeia. Em mim, no meu filho, nas minhas relações.

Este foi mais um dos textos que me fez respirar de alívio e, ao mesmo tempo, pensar no tanto que quero fazer... 

Ajeitem-se na cadeira e leiam estas palavras. Vejam se se colam à vossa pele, ou se são só teorias da conspiração contra vocês! 

"Como entender o comportamento? Os 6 pressupostos fundamentais!

Quando praticamos Parentalidade Consciente não olhamos para o comportamento das crianças como algo a corrigir, olhamos para o comportamento como algo a entender para depois poder fazer as mudanças que achamos necessárias (sejam elas relacionadas connosco ou com a criança ou ambos)! Muitas vezes, principalmente quando não estamos habituados a esse processo de reflexão, pode ser desafiante entender. A boa notícia é que, como sempre, quanto mais praticarmos, mais fácil fica

Quero-te apresentar alguns pressupostos que, pessoalmente, acho útil ter presentes no processo de entendimento do comportamento e na procura de soluções para lidar com o mesmo.

1. Todo o comportamento existe para satisfazer necessidades. 
Eu acredito que tudo o que faço, faço porque quero satisfazer algum tipo de necessidade. Tudo que tu fazes, fazes porque queres satisfazer algum tipo de necessidade. Tudo que o teu filho faz, faz para satisfazer algum tipo de necessidade! 

É fácil observarmos necessidades como fome, sede ou sono. A satisfação ou insatisfação destas necessidades, como todos certamente já sabemos, podem originar conflitos. Existem também outras necessidades mais profundas, e de observação mais subtil, que vale a pena explorar. 

Quando escrevo este artigo faço-o porque tenho uma necessidade de contribuir para melhores relações entre pais e filhos e também tenho uma necessidade de ser ouvida e reconhecida. 
Quando lês este artigo se calhar é porque tens uma necessidade de saber lidar melhor com os conflitos que tens com o teu filho.
Quando o teu filho faz uma grande birra porque não quer vestir a roupa que escolheste se calhar é porque ele tem uma necessidade de ter mais influência sobre a vida dele. 

Portanto, uma pergunta chave é; qual a necessidade que a criança está a procurar preencher através do seu comportamento?

2. O mapa não é o território
Quando tens dificuldade em pensar em possíveis intenções e necessidades por preencher a melhor coisa que podes fazer éassumires a posição do teu filho. Quando utilizas o pressuposto de que o mapa não é o território entendes também que não háuma verdade ou realidade absoluta. A nossa realidade é completamente subjetiva e para encontrarmos soluções para eventuais conflitos é essencial perceber que a realidade do teu filho é diferente da tua. 
A pergunta a fazer é: Qual o mapa do meu filho?

3. A intenção de um comportamento é sempre positiva.
Este ponto pode ser desafiante aceitar. Mas convido-te a fazer o exercício de aplicar também este princípio. É bom lembrar que ”o mapa não é o território” e a intenção é positiva do ponto de vista do mapa da criança. 

Quando uma criança bate noutra, na superfície, não parece nada positivo. Mas se utilizarmos os pressupostos apresentados aqui vamos olhar além do que está visível. Se calhar a criança que bate tem uma necessidade de maior contacto. Se calhar tem uma necessidade de ser vista e reconhecida. Se calhar tem uma necessidade de sentir mais calma e harmonia. Não estou a dizer que a estratégia escolhida é a estratégia certa (além disso a estratégia de uma criança é praticamente sempre escolhida inconscientemente), mas olhando para as coisas desta forma temos a oportunidade de encontrar estratégias alternativas, e mais positivas, para satisfazer a mesma necessidade. 

Ou seja quando procuras a intenção do comportamento, nunca pode ser ”ele quer chatear” ou ”ele quer magoar”… se notares que chegas a essas respostas, tens de pensar mais um pouco, ”Mas porque é que ele está com vontade de chatear? Qual a intenção positiva deste comportamento?”

4. Existem sempre várias formas/estratégias para satisfazer cada necessidade.
Quando apenas digo à criança que está a bater que ela não pode bater, ou se a puser de castigo porque bateu, o que ela vai perceber é que a necessidade dela não pode ser preenchida, que o que ela está a sentir não tem valor. O que muitas vezes leva a mais conflito, porque a criança continua a ter a mesma necessidade

Imagina que a criança na situação em cima em vez das necessidades propostas tinha fome, ou seja a necessidade de se nutrir, e a outra criança tinha um pão. Ou seja, a primeira criança bate na segunda porque quer o pão. Provavelmente o teu único foco não seria repreender a criança porque bateu, também ias procurar satisfazer a necessidade de nutrição.

Consequentemente, terás de fazer a pergunta: Que formas/estratégias existem para satisfazer a necessidade em questão?

5. Com flexibilidade posso satisfazer as minhas necessidades e as necessidades do meu filho.
Sim, é mesmo possível, desde que não tenhas a crença que tem de ser sempre à tua maneira e quando tu queres. 

Imagina que estão a chegar a casa após um dia longo de trabalho. Antes de começar com a logística do jantar estás com vontade de ficar sentado na sala a conversar um pouco com o teu parceiro. As crianças estão cheias de energia e começam com brincadeiras elaboradas e em alto som na sala. Uma situação que facilmente leva a conflito… 

Se olhares primeiro para as necessidades presentes, tanto as tuas como as das crianças consegues ver que tu tens necessidade de calma e eles estão com necessidades de contacto e diversão. Quando sabes isso, pergunta; que tipo de soluções podem existir para satisfazer as necessidades de todas as pessoas envolvidas

Se calhar as crianças podem ir brincar noutro sítio da casa ou lá fora.
Se calhar tu e o teu parceiro podem ter a conversa noutro sítio. 
Se calhar tu e o teu parceiro podem dar um pequeno passeio.
Se calhar podem todos dar um passeio.
Se calhar as crianças estão dispostas a fazer uma brincadeira mais calma.
etc.

Se utilizares uma solução que não funciona, então provavelmente quer dizer que ainda existem necessidades por satisfazer. Em minha casa por exemplo muitas vezes se eu e o meu parceiro vamos para outro sítio, as crianças vêm atrás…. o que provavelmente quer dizer que existe uma necessidade de ligação e contacto connosco. Então temos de pensar noutra solução. Será que dá para termos a nossa conversa ao lado de uma brincadeira um pouco mais calma? Será que podemos todos ver televisão durante um pouco? Será que podemos entrar na brincadeira durante 15 minutos para depois poder ter um pouco de calma? Será que podemos falar durante 15 minutos para depois participar na brincadeira?

6. Resistência é sinal de falta de conexão.

Se a criança continua a resistir à tua mensagem ou à tua pessoa, essa resistência impede a solução da situação. Quando o teu filho continua a resistir é sinal que  ainda não conseguiste gerar o nível de confiança suficiente para que a tua comunicaçãoseja apreciada sem ruído. Quando utilizas este pressuposto utilizas a pergunta ”O que posso mudar na minha comunicaçãopara gerar mais conexão?”

São estes os 6 pressupostos que te convido a explorar. As únicas coisas necessários para realmente explorar os pressupostos são curiosidade, paciência e presença. E vai correr tudo bem, com certeza!"

(in, http://mamamiaparentalidade.blogspot.pt/2014/07/como-entender-o-comportamento-os-6.html)      

Obrigada Mia por mais este refresh! 

terça-feira, 15 de julho de 2014

segunda-feira, 14 de julho de 2014

das ideias maravilhosas das crianças



Dos momentos de partilha entre dois amigos e colegas, uma casa e um fim de semana


"Mãe R. ... Mãe S. ... hoje eu e o A. podemos ser irmãos?!"

A vida encarrega-se de nos dar aquilo que lhe damos...



A vida encarrega-se de nos dar aquilo que lhe damos. Frase feita mas verdadeira. E cada um de nós já o disse pelo menos uma vez "A vida é justa, dás e depois recebes". Já dei mau e colhi muito mau. Já dei bom e colhi muito bom. Por isso, uma das coisas a que tomo cada vez mais atenção é a Este Presente. O Seu reflexo está no Futuro e um dia tornar-se-á Presente. Viver um Presente em Verdade, rodeada de todos os meus Eus e Outros e, crescer para ser a pessoa mais feliz consigo própria.   
É um jogo difícil de encaixar nas regras da vida. Implica mente aberta, e mais jogo de cintura que na Capoeira.  Mente fechada leva a menos jogo de cintura, menos capacidade de improvisar, menos capacidade de caminhar no desconhecido, mais medo, menos capacidade de estar Presente. 
E este jogo aprende-se? Aprende, da forma mais dura. 
Quais as regras? Solidão. Sem parceiro de jogo. És tu, o dado e o tabuleiro.
Quanto tempo dura cada jogada? Às vezes anos. 
Quantos jogadores? Os que quiseres que te vejam caminhar no tabuleiro.
Com que idade se pode jogar? De preferência as crianças deviam ver os pais todos os dias jogar.
Qual o limite de idade para jogar? Assim que começas nunca mais acabas.
Tem prémio? O maior. A verdadeira felicidade e tranquilidade na vida.

Confiar em nós próprios, nos que amamos e com isso ser livre.
Amarmo-nos a nós próprios, a quem nos ama e com isso ser livre.







Importação e Exportação - Entre Eu e Outro

Quantas vezes pensamos nós, verdadeiramente, no outro? Quantas vezes nos colocamos na idade do outro, e em tudo o que ela implica? 
Quantas vezes nos colocamos na vida do outro, e em tudo o que ela agarra?

Dizer que nos colocamos no lugar dos outros passa muitas vezes por um "colocar no que está à vista" e de facto, existem pessoas com as quais não precisamos gastar mais energia, mas muitas das que nos rodeiam merecem que façamos o exercício básico do "sair do filme". Ou seja, por instantes,  sairmos de nós mesmos, olharmos para nós próprios (como se fossemos personagem de novela), olharmos para o outro e seguirmos em direcção ao lugar do outro. Já no seu lugar lembrarmo-nos do seu tamanho, idade, história, situação actual de vida, reacções anteriores, tendências... E lembramo-nos? Quase de certeza que não. Importamo-nos? Quase de certeza que sim. Importamos os nossos preconceitos novamente para o nosso interior. Importamos as nossas suposições para o nosso interior. Importamos a nossa história de volta para o nosso umbigo. Importamos de novo a nossa idade. Importar. Trazer para o interior um bem. O sentido, até ao outro, devia ser o inverso..."exportação".  "Sim, eu exporto-me até ti!" Ou seja, eu levo-me de dentro para fora até chegar a ti. Levo a minha vida até à tua vida, levo-te um bem, eu. E aí sim nós iremos olhar com os olhos dos outros, sentir com o outro, pensar com o outro, percebê-lo, colocarmo-nos na sua idade, na sua pele, no seu lugar. Até lá continua a prevalecer a nossa opinião construída em em livros, em conversas de amigos, em crenças religiosas, em psicologias de bancadas, em pedagogias bacocas e pouco do "Eu" do outro.

É tão difícil exportamo-nos para o outro. Mais ainda, ter humildade suficiente para aceitar que os nossos olhos vejam qualquer coisa desconhecida e aceitem.É tão difícil exportarmo-nos para adulto, mas ainda mais para uma criança. Tu, adulto, já te esqueceste de como é estar lá das dificuldades, das incertezas, da liberdade ou da falta dela, das alegrias, dos tempos. O tempo é muito lento para uma criança no seu dia a dia. Mas para nós adultos o tempo acelera. 

Exportamo-nos para o Tempo dos outros? Ou Importamo-nos com os outros e eles que se acomodem ao nosso Tempo?!