quarta-feira, 14 de junho de 2017

Escola Sem Muros...



Final de ano... avaliação ... planificação do próximo. Esperança, muita.

Ter a certeza de estar no caminho certo. A fazer desta escola uma verdadeira escola porque tem os melhores estudantes. 

Muito, muito trabalho, muita discussão embrulhada em loucura e assente em pilares fortes. Passos pequenos mas grandes conquistas. Mais um ano a derrubar muros da escola.

Uma Escola Sem Muros que permite que os seus alunos vejam mais além, que tenham medo de cair do muro que ainda existe e saibam gritar por ajuda. Uma Escola Sem Muros que constrói cidadãos que recebem todos, que todos aceita e em conjunto trabalham, cada um a seu ritmo. 
Uma escola em que o professor é um entre Todos; que sabe umas coisas que os outros Todos não sabem e que escuta o que Todos os Outros têm para dizer e manifestar. É uma escola onde cada um é respeitado por inteiro, que ajuda cidadãos a agirem de forma democrática e em permanente descoberta. É uma escola que faz parte da Vida, com qualidade de vida. 
Uma escola onde professores estão conscientes de que trabalham num lugar de constante surpresa, porque lá habitam seres curiosos que todos os dias formulam perguntas e não se contentam somente com uma resposta. Conscientes de que se isto não acontece, não estão numa Escola.
Conscientes de que trabalham num lugar onde não há uma assistência, mas onde todos participam, cooperam, organizam, debatem e são autores. Conscientes de que se isto não acontece, não estão numa Escola.

Conscientes de que, quer eles quer os seus alunos são investigadores de primeira linha. Conscientes de que se isto não acontece, não estão numa Escola.

Conscientes de que trabalham num lugar por vezes frio, com paredes forradas de desencanto e corredores que guardam gritos mas que à sua passagem se enchem de Luz.

Conscientes de que trabalham num lugar onde muita da agressividade e da violência provém de uma falha na raiz dos seus participantes: amor. Conscientes de que são um bom suporte para o crescimento saudável dos seus alunos. 

Conscientes de que a alegria, a verdade e a empatia devem ser palavras-chave em todos os relatórios, ordens de trabalho e atas. 

Conscientes de que qualquer dificuldade só o deixa de ser quando olhamos para ela e lhe damos uma solução.

Conscientes de as pessoas com as quais passamos a maior parte do tempo das nossas vidas, os nossos alunos, não são menos ou mais do que qualquer outra pessoa. 

Conscientes de que as pessoas, todas elas, e de todas as idades, preferem um bom problema a uma não-solução.

Conscientes de que todos os seus colegas de profissão, alunos e famílias têm uma impressão digital diferente. Conscientes de que todos eles também têm uma casa diferente da sua. 

Conscientes de que são modelos na formação de uma pessoa e que essa pessoa os olha com esperança. Conscientes de que "Não sou, junto de vós, mais do que um camarada um bocadinho mais velho. Sei coisas que vocês não sabem, do mesmo modo que vocês sabem coisas que eu não sei ou já esqueci. Estou aqui para ensinar umas e aprender outras. Ensinar, não: falar delas. Aqui e no pátio e na rua e no vapor e no comboio e no jardim e onde quer que nos encontremos." como foi Sebastião da Gama.

Conscientes de que são poetas em eterna construção, uma construção de Caminho e não de Muros... 


segunda-feira, 12 de junho de 2017

De nada nos servem as palavras


De nada nos servem as palavras se elas não deixarem o Outro em silêncio


Em palavras colocas o Outro em si  

Nas palavras feitas em si o Outro leva-te no silêncio


Mas em palavras colocas-te em mim

Nas palavras feitas em ti levas-me ao mais profundo silêncio em mim...

Em palavras colocas-me longe de ti

Nas palavras feitas em nós nunca ouvi sequer uma palavra tua ...

Entre aquele tempo e o agora

deixei de ouvir as batidas do meu coração...

passei a escutar gritos que te chamavam

De nada servem as palavras se elas não deixarem o Outro em si

Sirvo-me agora dos teus silêncios para me imaginar contigo

para calar os gritos que existem em mim...