segunda-feira, 29 de abril de 2013

Dance, dance, dance

Eu e ela temos uma relação do género "é complicado", mas andamos nisto há anos e nada conseguimos alterar. Vamos colocando a conversa em dia, vamos escolhendo os passos mas, o que mais nos fascina, é a falta de regras nesta relação. Gostamos de nos lembrar, sorrir, acariciar, parar o nosso tempo e viver sem regra...é complicado e nem sempre entendido. Às vezes estamos em parafuso uma com a outra, às vezes em histeria, às vezes paradas, outras em embalo. O que é certo é que, do nosso jeito, não vivemos uma sem a outra...porque hoje é dia mundial da dança!

Ladies and gentleman's Marisa Monte, Lisbon 28.04.2013

É ela
também ela
sempre ela

Foi bonita a festa, pá! As fotos não são boas, para além da falta de qualidade, não emitem som! Um espectáculo com o novo e o antigo. Espectáculo cheio de obras de arte de artistas contemporâneos brasileiros. A Marisa continua a ser uma mulher esquelética, mas com uma voz que lhe preenche o que falta. Entrou e durante três músicas ali ficou, atrás de uma tela transparente onde foram projectadas inúmeras imagens de flores. Era a Marisa Carioca. Levantada a tela parecia que a selecção tinha marcado o golo da vitória. Fomos então apresentados a um espectáculo com cerca de duas horas. Uma mulher de vestido branco sobreposto por outro preto, collants branco, sapatos prateados dançando uma dança só p'ra nós. Entre uma música e outra conta as suas histórias. Entre um intervalo e outro mexe-se com a delicadeza de uma bailarina, ou com a força de um tufão. Alinhamento entre novas e velhas. Para mim, cada música, cada suspiro! Estiveram todas ali, a pouco mais de vinte metros de mim. Só faltou uma: Dança da solidão. E de cada vez que ela nos presenteava com mais uma, a minha irracionalidade pensava que não era justo Deus ter dado tanto dom a uma só pessoa. Poucas vezes pediu a interacção do público, mas as que pediu ficarão na memória. Fala de Cássia Eller, revela saudades da amiga e avalia a situação: "Sentir saudade é bom, significa que estamos sentido a presença de alguém". Fala de Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown, Nina. A casa quase cai quando toca "Depois"! O público presente: casados e apaixonados, sofridos e traídos, esperançados e apunhalados, felizes e enamorados conhecem as músicas e todos são tocados na pele por algumas. O público solta "Marisaaaa", "Gostoooosaaaa", "És lindaaaa!". Em "Amor i love you" pergunta ao público se alguém conhece o poema de Eça de Queirós, declamado por Arnaldo Antunes nesta música. Braços levantados e voluntário junto ao palco. Correu mal, o voluntário estava nervoso. Segundo voluntário aproxima-se do palco, quase dois metros de altura e diz, de fio a pavio, todo o poema acompanhado pela melodia de Marisa. No final, o António, de origem angolana, dedicou o poema ao seu amor... Foi bonito!
É incrível o que aquela mulher tem de fazer para nos encantar... abrir a boca e deixar saltar a voz poderosa, parece uma ventríloca.


Amor I love you
Amor I love you
Amor I love you
Amor I love you(bis)

Primo Basílio - Eça de Queiroz (1878)
(é recitado por Arnaldo Antunes na música, e pelo António no Coliseu dos Recreios em Lisboa)

" - Tinha suspirado
Tinha beijado o papel devotamente
Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas
sentimentalidades
E o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que
saía
delas
Como um corpo ressequido que se estira num banho
lépido
Sentia um acréscimo de estima por si mesma
E parecia-lhe que entrava enfim uma existência
superiormente interessante
Onde cada hora tinha o seu intuito diferente
Cada passo conduzia um êxtase
E a alma se cobria de um luxo radioso de sensações."

Amor I love you
Amor I love you
Amor I love you
Amor I love you

domingo, 28 de abril de 2013

A gente vai continuar, Miguel

Entre o 24 de Abril e o 1º de Maio prefiro lembrar-te sempre que o Jorge me encontra. Abro uma gaveta de boas memórias e encontro um Ser com sentido de humor, inteligente e apaixonado pela vida. Hoje passei por ti na auto-estrada. O Jorge Palma, com este hino, lembraram-me do Miguel Portas. Uma música que começa a pedir para tirar a mão do queixo, que me lembra uma foto que o Miguel utilizava no seu facebook, com um ar força e tranquilidade. Um verso que diz que a "liberdade é uma maluca que sabe quanto vale um beijo" e que "a gente vai continuar"... é a imagem do Miguel, guardada na reserva das boas memórias.

Beija eu

Aquela Sra. é sábia... tão sábia! E vamos estar juntas mais logo! 

Seja eu,
seja eu,
deixa que eu seja eu
e aceita o que seja seu
então deita e aceita eu
molha eu 
seca eu
deixa que eu seja o céu
e receba
o que seja seu
anoitece e amanheça eu

Beija eu, beija eu
beija eu 
me beija
deixa 
o que seja ser!
então beba e receba meu corpo no seu
corpo eu, 
no meu corpo
deixa, 
eu me deixo
anoiteça e amanheça eu...

1ª Meia Maratona de Almada do Século XXI

Passar a manhã inteira a bater palmas aos atletas da 1ª Meia Maratona de Almada do Séc. XXI, e não aquecer as mãos... é obra...
Nunca tinha estado numa Maratona, Meia ou mini... e o que é de realçar é, para além da alta logística e organização, o espírito alegre de alguns atletas. Ver pessoas, literalmente, com os bofes, pulmões, fígados de fora mas a correrem alegres, a desejar bom dia a quem está a apoiar, a mandar piadas... Se fosse eu, para além de não passar do modelo "Caminhada", se tivesse feito 21,2km vinha de maca com os bombeiros ou de carrinho de mão com a Protecção Civil. Ali confirmei...quem corre por gosto, também se cansa. Não e deixem levar pelo ditado...ai cansa e muito! Cansa, tropeça, sorri, fica a parecer uma fonte de água, deixa de ter poder racional nas pernas, os braços e o tronco vão ficando para trás mas as pernas sempre em frente... enfim! Também hoje percebi a função vital dos que apoiam na estrada. Se um atleta está a meio ou final da prova, o seu cérebro já está desactivado de muitas funções, e umas palmas acordam-no para a vida (neste caso, para a corrida). Eu não sou do género "Corrida" prefiro ao ritmo natural, por isso hoje dei o meu melhor... bater palmas aos cerca de 1100 atletas da Meia Maratona, e gritar-lhes de mentirinha " 'Tá quase!! Força!! Não tropecem agora!!"

sábado, 27 de abril de 2013

Marisa Monte já anda por terras Lusas

Em countdown Marisa...


Vida sem net

O Sapo chegou... e bolas, eu senti-me numa espécie de colete de forças sem uma ligação ao mundo virtual. Não conhecia estes sintomas. Bolas... e como é viver sem net? É querer procurar o melhor lugar para um jantar romântico e as páginas amarelas não me indicarem nada, a não ser os nomes, moradas e contactos. É querer o melhor sítio para uma cerveja ao pôr-do-sol e as páginas amarelas mostrarem-me um mapa cheio de quadrículas. É querer saber o que se passa na cidade e ter de arriscar às escuras. É querer saber o que exibem as salas de cinema e não estar escrito em parte alguma, a não ser nas próprias salas. É querer saber se existem bilhetes para o concerto e ter de ir à bilheteira. É não poder entregar notícias rapidamente. É não poder saber quem chega e de onde vem. Vida sem net é uma espécie de tempo parado em "Páginas Amarelas". Uff... É verdade que obrigatoriamente ficamos com mais tempo para ler papel, e menos tempo para acumular informação. Há coisas ganhas e coisas perdidas. Eu prefiro continuar com os Sapos no charco, ir sabendo do mundo (mesmo que virtual) e poder escolher.
Já experimentaram viver sem net nos últimos tempos? Não me refiro somente às redes sociais... não ter net ponto

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Vindima Literária - José Mário Branco


Numa Liberdade que a inquietação nos dá...  
porque sem elas deixamos de respirar, lutar e avançar! 

José Mário Branco

A contas com o bem que tu me fazes
A contas com o mal por que passei
Com tantas guerras que travei
Já não sei fazer as pazes

São flores aos milhões entre ruínas
Meu peito feito campo de batalha
Cada alvorada que me ensinas
Oiro em pó que o vento espalha

Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Ensinas-me fazer tantas perguntas
Na volta das respostas que eu trazia
Quantas promessas eu faria
Se as cumprisse todas juntas

Não largues esta mão no torvelinho
Pois falta sempre pouco para chegar
Eu não meti o barco ao mar
Pra ficar pelo caminho

Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Mas sei
É que não sei ainda

Há sempre qualquer coisa que eu tenho que fazer
Qualquer coisa que eu devia resolver
Porquê, não sei
Mas sei
Que essa coisa é que é linda

Em Pombal nos Caminhos de Leitura

Olha qui coisa mais linda, mais cheia di graça...

Este ano o fim de semana santo, o mais santo de Portugal fica, mais uma vez, abrilhantado pela união dos caminheiros da leitura. Nos dias 10 e 11 de Maio, o Beijo Sabura vai ter muitos Momentos Sabura aqui, em Pombal. 
Os contadores, mediadores, amantes dos livros para a infância, educadores... vão reunir-se, e Pombal brilhará muito no mapa de Portugal.


O Sapo emigrou...

O senhor Sapo emigrou para um charco e não temos conseguido mexer no Beijo Sabura. Disseram-me que ele volta amanhã, pela manhã. 

Certo é que tenho saudades de escrever nesta página. Escrever diariamente é o melhor dos exercícios de reflexão, já o diz o Sérgio Niza. Concordo. 

Entretanto os Momentos Sabura têm sido afixados nas paredes da minha galeria... entre um cheiro a relva recém cortada quando chego ao local de trabalho, e uma imensidão de mar à minha frente, os Momentos são coleccionados, acariciados, guardados e contemplados. Os Momentos desta época podem tornar-se repetitivos, mas é qualquer que não controlo... bastam-me dois palmos de areia e uns passos de mar para eu ali ter o meu êxtase. É O Local, por excelência... encher o peito de ar, deixar entrar o sal pelos brônquios, bronquiolos e alvéolos pulmonares, é limpeza na certa. Quando se expira, tudo o que é negro ou cinzento, sai na direcção certa e é levado para bem longe para se revitalizar.
 

quarta-feira, 24 de abril de 2013

E a propósito dos novos programas de matemática

Nunito Crato volta ao Lego.
Não podendo nós exigir que deixes a direita, 
pelo menos, 
aceita o lado direito do teu cérebro. 
Não nos desonres. 
...

Os sintomas da alergia aos Manuais

Abriu a época aos manuais! Muito encontro, muitas tardes de apresentações, muitas capinhas e esferográficas, muitas soluções maravilhosas, muitos euros gastos em quilos de papel. Muita parra e pouca uva, é isto.
A indústria do manual na área da educação é qualquer coisa chocante. Para quem não está dentro desta área pode fazer a comparação com a indústria farmacêutica. O interesse comercial, a quantidade de produtos e a agressividade da indústria do manual são uma realidade em Portugal que dá dinheiro a muita gente, mas que também retira muito dinheiro a gente que já tem pouco. Mesmo que estes tenham subsídios para livros, parece-me chocante o dinheiro que é investido. É chocante, por norma, a qualidade destes, o sentido estético e qualidade científica. Escapam um ou outro manual, uma ou outra colecção, que têm bons textos literários, autores portugueses consagrados, textos completos e não adulterados, boas ilustrações. É chocante os professores continuarem a adoptá-los, como recurso fundamental das suas aulas. É chocante os manuais, quando existem, não poderem ser partilhados e passados de ano para ano (nestes últimos anos têm sido criados Bancos de Manuais Escolares, com a finalidade das pessoas poderem trocar, doar, etc. uma excelente ideia). É chocante muitos profissionais de educação continuarem a adoptá-los sem olhar aos recursos financeiros da sua população. É chocante a quantidade de livros de apoio para cada manual. É chocante o preço deles. Seria bom... que o dinheiro de cada conjunto de manuais  financiado pelo estado (pensando para já, e só, no 1º ciclo) fosse utilizado, por exemplo, para pagar mais psicólogos nas escolas, para proporcionar equipas multidisciplinares qualificadíssimas; para manterem os professores com os seus alunos; para equipar as escolas com bons materiais de plástica e brinquedos; para comprar camas confortáveis para os jardins de infância; para terem os melhores equipamentos nos recreios; para comprarem papel higiénico; para construírem um forno e as crianças poderem aprender a fazer pão; para retirarem o tartan, escavarem uns buracos e plantarem umas árvores; para manterem as Actividades Extra-Curriculares (a propósito leiam o Daniel Oliveira, jornalista do Expresso, aqui, falando acerca deste assunto) ... ou seja, muito dinheiro que as famílias são forçadas, obrigadas a pagar por muita parra e quase nenhuma uva. Com o dinheiro da educação e da saúde não se mexe, pena que sejamos só nós a sabê-lo. É o corte dos pilares. A casa bonita no telhado e os alicerces a cair. Sou mesmo contra esta Cratice actual. Tenho pena que o meu filho vá sofrer com as manias deste Senhor Bafio. É mau e grave o que se está a passar na educação em Portugal. É o regresso à escola centenária, com o crucifixo pendurado na parede, o estrado, as orelhas de burro, a aritmética decorada, a gramática na ponta da língua... tudo decorado, e nada sabido. Mas é isso que eles pretendem: a construção de uma sociedade pouco pensante, pouco criativa, pouco inteligente, que não questione, nem opine. Que oiça, não estranhe e entranhe.  Mas, como nós somos positivos, ainda acreditamos que cada um de nós - seres conscientes e saudáveis - iremos construir um mundo melhor. Por isso, e como opção ao manual de Língua Portuguesa de 1º ano, deixo a sugestão deste excelente exemplar (um objecto de design, com todas as letrinhas do alfabeto e com o qual se gastaria apenas 14€ por sala) e mais... a sugestão de que o caminho da leitura e da escrita seja iniciado com os textos dos melhores autores: os nossos textos diários (e complementados com os dos bons autores de Língua Portuguesa)... 
(Não me alongo mais. Este tema dá-me volta à figadeira, e às entranhas...)

p.s - O livro está esgotado nas bancas de venda comerciais (fnac. bertrand, etc.). Têm de procurar nas boas livrarias. É também possível encomendá-lo na net ...porque raio deixou de estar à venda? Estranho...


(de Marion Bataille, Ed. Corraini)




terça-feira, 23 de abril de 2013

No Dia Mundial Do Livro a 23 abril 2013

O Ser livro é 
Ser acariciado por mil mãos,
Ser encantado por mil olhos,
Ser cheirado por mil narizes,
servir de peso,
altura,
porta-pó,
biblô,
aconchego,
viagem,
contentor de palavras,
contentor de imagens,
impressão digital,
desespero,
companheiro,
sedutor,
oferta,
amor,
partilha,
saber,
inquietação,
apaziguador,
conquistador,
descobridor,
maçador.
O Ser livro é sempre um belo apeadeiro na viagem da vida. Aqui ficam algumas das minhas paragens às quais volto frequentemente. Encontramos-nos sem compromisso, somente com prazer...













segunda-feira, 22 de abril de 2013

Tempo Sabura

Abriu a época mais Sabura do ano!

A época em que tudo de bom se cola à pele... 
a esplanada ao fim do dia,
a cervejinha e os tremoços,
o convívio,
a roupa leve e os pés em liberdade,
os jantares prolongados nas noites quentes,
as revitalizações feitas na praia,
o sal na pele, nos cabelos, nos lábios,
a areia que fica escondida atrás das orelhas,
as comidinhas da praia...a bela batata frita, a bela Bola de Berlim sem creme, a sandes de queijo e tomate, as uvas e o melão,
o cheiro a protector solar,
o bronzeado,
o melhor programa de todos os dias e com entrada livre,
as horas de luz esticadas,
as memórias de sol, luz e calor,
a boa disposição e leveza da vida são bem regadas por esta época... e eu gosto, preciso, dou-me bem com ela. Welcome, tempo Sabura. E para vocês, que coisas boas tem esta época? Também vos assiste esta luz toda? Também vos dá volta ao sistema hormonal, emocional, circulatório, respiratório?

Momento inaugural da época Sabura

Em Mirandela mirou, em Mirandela ficou...

Gosto dos tempos em que as manchas de tinta enchem as páginas da agenda, e por lá ainda cabem os autocolantes dos aniversários e dos carros, colados em vários dias. A semana passada estava com autocolantes destes e valha-me ela para mos lembrar. Apesar de tanta Appletecnologia gosto mesmo é de escrever e ler o papel. As semanas têm sido cheias e na passada, o Beijo Sabura subiu até Mirandela para uma acção numa escola - Nuclisol Jean Piaget, de Mirandela. Há muitos anos que este encontro estava marcado. Felizmente a nossa agenda encheu-se de manchas "Mirandela" e fomos. O que encontrámos foi uma espécie de offshore educativo. Uma pequena ilha que acredita no trabalho educativo feito em parceria, com qualidade e a pensar, em primeiro lugar, nas crianças. A directora desta instituição, e a sua equipa, são uma espécie em vias de extinção (por isso se mantém naquele habitat protegido!). Trabalham de uma maneira esquisita para os tempos que correm! Trabalham sem dinheiro, com vontade, força, com a comunidade, presidências e parcerias, com as famílias, com o comércio local, e com muita alegria... e todos os dias da semana (tanto os úteis como os inúteis)! Uma boa canseira! Para elas não há amanhã, e como tal, trabalham como se fosse o último dia das suas vidas. Desde o transporte das crianças, até pedir às mais altas patentes para partirem paredes, doarem televisões, participarem em acções, etc... tudo é feito em prol do melhor para as suas crianças. A Nuclisol Jean Piaget de Mirandela estabeleceu pontes com várias instituições da cidade - Escola Profissional de Agricultura de Carvalhais, o Agrupamento de Escolas de Mirandela e a Rede Bibliotecas Escolares e nós fomos butar faladura em terreno fertilizado. Fomos dizer que a vida escolar, em Mirandela, é uma offshore porque estão rodeados de poesia na escola, no currículo. Fomos ainda dizer-lhes que a presença da palavra "prazer" é fundamental. Mas para quê?! Até o Presidente de Câmara e o Presidente da Junta de Freguesia de Mirandela são uns entusiasta da poesia! O Presidente de Câmara, um homem de coração bom e com dotes na palavra, inaugurou há pouco tempo um percurso poético pela cidade, não imaginava que existisse... conheço ciclovias, percursos pelos monumentos, percursos de manutenção, agora... poéticos?! Em Mirandela existem. A primeira pedra do percurso está de pé, nós fomos "decorar" a segunda pedra. As palavras que os meninos deram durante uma sessão de Palavras, foram recolhidas, vão ser tratadas e cuidadas, e depois seguirão para mais uma pedra em Mirandela. Uma das coisas boas de pertencer ao projecto do Cancioneiro Infanto Juvenil para a Língua Portuguesa é, frequentemente encontrarmos escritores do Cancioneiro. Encontrámos os pais de vários meninos que concorreram com as suas frases poéticas e foram seleccionados para um dos volumes do Cancioneiro. Em 2013 já todos eles (os que encontrámos em Mirandela) estão na Universidade, mas nós conhecemo-nos quando eles tinham 2, 3 e 4 anos. Encontrámos a mãe da menina (que já estuda no ensino superior) que, com 2 anos disse ao passear pela rua em obras com buracos: "Ó Mãe, olha a estrada tem as janelas abertas" e também "O avô é uns braços muito grandes que diz: Anda cá minha netinha!". Encontrámos também o pai do menino (agora a terminar a primeira parte do curso superior) e que, com 5 anos, disse: "Nós somos pessoas inventadas por um programa que nunca existiu...". Todos eles nos dizem que a publicação destas frases foi muito importante na sua vida de leitores. E essa é uma das principais razões para o Cancioneiro se manter de pé desde 1989! Para além da qualidade literária e emocional do encontro existiu também a parte gastronómica, claro! Felizmente que Mirandela é numa cova do país, se assim não fosse teríamos rebolado até Lisboa. Deixo registos das várias qualidades...


Bola, presunto, queijo tudo maravilhoso
Posta Maronesa acompanhada de grelos e batatinhas a murro
Poesia para todos, e fomos muitos!!!
As frases dos nossos poetas do Cancioneiro
"Rimar é Remar", o último título da colecção do Cancioneiro.
Um dos motivos da festa!
Em Mirandela mirou, em Mirandela ficou...
É bonita a Mira dela
Before (Auditório Municipal de Mirandela)
Presidente do Agrupamento de Escolas de Mirandela (esq.),
Presidente de Câmara de Mirandela e
Directora da Nuclisol Jean Piaget de Mirandela (dir.)

domingo, 21 de abril de 2013

Tempo não pára

O Tempo não pára, avança sempre. Será por isto que não podemos deixar escapá-lo?! Passado é memória, futuro é fim e o presente é um presente. Onde queremos viver? Decalcados no passado? Imaginando-nos no futuro? Vivendo cada presente? O Tempo não pára, avança sempre. Largar as memórias não quero, deixar de sonhar também não, e viver cada momento é engravidar o Tempo. Quero engravidar de Tempo, de presentes. Aceitar cada presente do Tempo, sem ter medo de outro Tempo que ainda não existe.
O Beijo Sabura tem andado à procura do Tempo. Ele passou por aqui e deixou um recado: "sou o teu presente" e nós fazemos festas por termos sido presenteados por Ele. Como qualquer pessoa quando recebe um presente, nós também ficámos felizes, agradecidos e a contemplá-lo. Rasgamos o invólucro de cada presente, guardamos apenas o seu laço e ficamos íntimos dele. E como o Tempo não pára, avança sempre, vivemos coleccionando presentes. Coleccionando pequenos nadas que afinal são tudo. São presentes.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Comida do norte e comida do Sul

Se por um acaso, um só acaso, virem um Beijo Sabura rebolar em vez de voar, é muito provável que seja eu. A semana passada terminou na fronteira do Além-Tejo. A comida foi degustada, saboreada, amada, sentida e "sabureada". A semana inicia para lá do Além-Tejo, em latitudes nortenhas. A comida é igualmente degustada, saboreada, amada, sentida e "sabureada". Sempre oubi dizer que as roliças têm o seu charme. Eu bou rezar para me manter roliça e boa moça. Palabra de lontra! Tenho má relação com a comida, é uma batalha desde sempre, mas estas aqui mostradas (e devidamente comidas) fazem levar Satanás a querer passar férias no Céu! E ainda faltam as alheiras de Mirandela!









terça-feira, 16 de abril de 2013

Até que a voz me doa...


Boa voz ou uma voz radiofónica nunca foi a minha especialidade. Tenho uma voz que escorrega nos "s", por causa dos anos seguidos com aparelhos dentários. Uma voz que foi chumbada à entrada do curso de Terapia da Fala. Uma voz normal (com o que a normalidade tem de mau). No entanto, passei anos a fio a tentar ter uma voz "especial", ou seja, enrouquecida. Nos tempos de infância e juventude, com os amigos, cantávamos, berrávamos até à exaustão. Dias e dias seguidos a cantar, cantar, cantar. O que é certo é que a grande maioria dos amigos ficava rouco passado umas horas, e eu, para mal do meu desejo, nada. Não me lembro de alguma vez ter ficado rouca de tanto cantar, gritar, esganiçar, falar... Tinha esse desejo, ficar rouca. Achava um charme. Por certo era influenciada pelos grandes artista da berra, um Brian Adams ou um Sting que tinham e têm ali qualquer coisinha rouca na voz. Desta época da voz rouca nunca me esqueço de uma grande amiga, a Mitó (vocalista dos Naifa), que cantava lindamente, com uma voz poderosa, mas que ao fim de dois dias se deixava de ouvir. E eu... vai de cantar, rouxinol!  A Mitó tratou e trata muito bem da sua voz, pelo menos tendo em conta o seu sucesso. Eu fiquei com uma voz que não se cala profissionalmente, que é utilizada para passar o testemunho das histórias, dos poemas, dos programas escolares. É uma outra espécie de rouxinol. Aproveito-me das histórias e falo, falo, falo... até que a voz me doa! (que não pode ser amanhã com os cerca de quinhentos meninos que vou ter à minha frente!).
Uma voz especial é um excelente cartão de visita à alma. Elas existem, e andam por aí a encher balões de ar quente. Mas qualquer voz  devia ser vizinha da palavra certa. Isso era o ideal. Uma voz cheia de palavras soltas não enche o peito de ar. Uma voz com poucas palavras, escolhidas e ditas no timbre certo, fazem encher o peito e a alma. 

O RODRIGO é um menino que está a desafiar um tumor e a vida. Participem e partilhem..

TODOS JUNTOS POR UMA CAUSA QUE PODENDO SER DE QUALQUER UM PASSA A SER DE TODOS. MAIS UM CASO DE UMA CRIANÇA QUE A VIDA DESAFIA. O RODRIGO. Conheci este caso no facebook e entretanto a blogosfera tem vindo a divulgá-lo. Procurem este "Vamos ajudar o Rodrigo" no facebook, divulguem nas vossas redes. Basicamente é uma vida que já foi desacreditada de continuar pelos médicos portugueses, e que agora tenta a ajuda do resto do mundo. Para tal é necessário angariar dinheiro para um possível tratamento no estrangeiro. A corrida é contra um sacana de um tumor e o tempo. Mesmo que não tenham hipótese de ajudar monetariamente, há sempre a hipótese de ajudar na partilha, e quiçá, este pedido ir parar às mãos e de algum anjo da guarda!...


" "Todos por um" é o tema do evento que terá lugar no próximo sábado, dia 20 de Abril, entre as 10h e as 18h, na Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha Portuguesa.


Esta iniciativa foi criada no sentido de ajudar a encontrar uma solução para o Rodrigo, que tem leucemia e que precisa urgentemente de um dador de medula compatível.

Uma vez que o IPO já deu alta ao Rodrigo e a solução poderá estar fora do país, esta iniciativa conta com uma venda solidária de artigos que serão doados por várias marcas, bem como por mães, amigas e bloggers.
O valor total das vendas reverte a favor do Rodrigo, para que a mãe possa encontrar uma solução além-fronteiras.
O evento, para além de uma venda solidária terá também unidades de recolha de sangue/medula (estamos só à espera da confirmação do CEDACE que se viu a braços com a nossa pressão de tempo. Não é capricho, o tempo é que não é amigo do Rodrigo...), actividades para crianças, fotografia e bloggers fixolas para vos receberem e darem três dedos de conversa (ou uma mão cheia).

Gostaríamos de vos convidar a todos para aparecerem, trazerem amigos, namorados, vizinhos, ex-namorados, família por afinidade, colegas de trabalho. Sem desculpas! Uma picadinha aqui (não dói nada, já sabem!), uma compra gira ali, os miúdos brincam ali e temos um sábado bem passado em prol do Rodrigo!

Quem quiser colaborar com a doação de peças novas para venda e consequentes receitas para o Rodrigo faça o favor de entregar em mãos ou enviar as mesmas (com indicação do preço de venda ao público) e com recepção garantida, no máximo até à próxima sexta-feira, para:

Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha Portuguesa
A/C Professora Sandra Alves
Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha Portuguesa. Av. De Ceuta, edifício urbiceuta. 
1350-125 Lisboa"

(http://asnovenomeublogue.clix.pt/2013/04/nao-e-uma-corrida-qualquer-e-uma.html)

segunda-feira, 15 de abril de 2013

A Ilha Administrativa

Felizmente que hoje, e somente hoje, tive pela primeira vez a experiência de ir a uma consulta num hospital público, em Lisboa. Depois de uma longaaa espera (cerca de quatro meses) hoje, eu e o Araújo, íamos finalmente ser apresentados. A maior surpresa foi aquela que já não é surpresa, ou seja, os sentimentos à volta da ida a um sítio destes. Depois de subir uma encosta bem inclinada e escorregadia, cheguei à entrada a arfar que nem uma cadela e com os pulmões quase num saquinho à parte - felizmente o tema do consulta não era o respiratório... a primeira prova estava superada! Etapa seguinte: descobrir que senha tirar para ser atendida. Ora, na maquineta estavam três tipos de senhas - A (gabinete 4 a 8); B (gabinete 10 a 14); C (gabinete (20 a 24) e mais um aviso de troca de senhas e de horas que eu tentei ler duas vezes, mas que, confesso, deixou a minha literacia publicitária cair por terra. Aqui a dúvida era: em que raio de gabinete me enquadro eu? Se estivesse lá um de "Turista" eu aceitava mas nada... Por exclusão de partes tiro as três e respondo a todas. Segunda prova superada! Terceira prova: não ficar sensível à nuvem negra que pairava em cima da "Ilha administrativa". Fazia lembrar a Terra do Nunca mas apenas com os maus da fita. Pouco faltava para as senhoras sacarem das suas pernas de pau e dos seus ganchos e, dedicarem-se a pendurar nos postes os que por ali atracavam. "Um cenário cheio de figurantes" era o que parecia. Todos tão bem escolhidos. "Salta daí", "Vai tu", "Grrrrrr"... foram algumas das expressões que eu ouvi serem faladas por entre os habitantes daquela Ilha. O meu momento chegou, eu levantei-me - qual cristão a caminho das feras - e sorri para ela, como se esta se tratasse de uma Fada. Resultado: "Boa tarde ...7,75€, suba as escadas e aguarde que a chamem." Terceira prova superada: senha certa (pois pudera!) e contacto estabelecido com os nativos da Ilha, sem incidentes de maior a serem registados. Próxima etapa: a espera. Um corredor com várias cadeiras de um lado e de outro. Duas portas em cada um dos lados. Uma das portas assinala "gabinetes 33 a 50", a outra nada. "Ora bolas... então e se me chama para o 4, ou para o 20? Por exclusão de partes deve ser a que nada tem escrito... aguardemos então". E aqui o cenário era matemático! Podíamos ter ali vários grupos diferentes que, devidamente agrupados, transformar-se-iam em dois grandes conjuntos. Conjuntos estes que, imaginando-os em círculo, tinham também ali uma grande zona de intersecção. E quais eram estes dois grandes conjuntos? O dos que não estavam lá pela primeira vez e como tal, adormeciam, tomavam os assentos como cadeiras lá de casa, traziam longos novelos de fios de crochet, vários jornais, etc. Estavam em casa. E o outro grande conjunto, o das pessoas que pareciam burros a olhar para palácios - eu e mais uns três. A expressão de quem chegava pela primeira era equivalente à de alguém que sai de uma massagem ou de encontro paradisíaco, chega ao carro e este foi-lhe bloqueado pela Polícia Municipal. A luz no rosto passa a escuridão mais rapidamente que os 100m do Bolt. Este conjunto de pessoas mantém-se indignada o máximo de tempo possível, até que o calor presente no corredor os aniquila e faz passar ao outro conjunto. Vão chegando pessoas de um conjunto e de outro e as intersecções vão mantendo-se: a espera. Naquele cenário matemático havia um elemento que se destacava. Uma senhora, com as suas largas dezenas de anos que contava anedotas e piadas do neto. Ria que se fartava. Fazia rir os outros (menos a filha que estava envergonhada até à ponta mais espigada do seu cabelo). A senhora, uma verdadeira potência, um algoritmo dos mais desafiantes, terminava todas as anedotas e piadas dizendo: "Safa, não posso é dizer isto alto porque vem aí o Coelho e prende-me!". Era ela que sacudia a nuvem negra daquele corredor. Entretanto, e passadas algumas dezenas de minutos, o Araújo chama-me. Finalmente, passados quatro meses! Quarta prova superada! O Araújo é um médico novinho, de nariz grande, que trata dos narizes e das gargantas das pessoas. Tratou-me bem, reflectiu no diagnóstico e deu-me o seu veredicto. Eu aceitei-o e marcámos um encontro lá para o Verão. 5***** para o Araújo. Quinta prova superada! Próxima etapa, descer a rua inclinada e escorregadia sem levar os dentes ou o nariz ao chão e rezar para que o Parque de Estacionamento (sem Via Verde) tivesse Multibanco. Tudo correu bem com o nariz e os dentes, mas com o Multibanco não. Faltavam-me 5 cêntimos para o total da quantia. Multibanco com ela. Volto. Coloco a nota (10 euros) e diz que somente acima de 4,40€ é que me a aceitam. O meu total era de 4,15€. Arghhhhhhhhhh. Rasgo a nota? Deu-me vontade! Gasto 25 cêntimos de tempo? Nem pensar, chulos destes Parques. Saio novamente para trocar a nota em duas de 5 euros. Entro. Coloco o bilhete. "Valor total 4.40€"........... Sabem que imagem tive? Aquela das máquinas com as pulsações cardíacas que deixam de ter o risquinho verde a subir e a descer, e passam a ter uma linha contínua tiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii........ 

Beijo Demorado


A busca frenética dos "Dias" mundiais, internacionais, nacionais é uma característica comum ao Ser Humano. Temos de nos sentir seguros na vida, nas datas, nos factos e para tal, assinalamos tudo com um dia, uma data. Mas o tempo é isto. É marca na vida. É marca na pele e na memória. 
E dentro destes dias assinalados mundial e internacionalmente há uns particularmente bons para serem aproveitados e consumidos. Fora o lado consumidor de alguns destes dias, há uma parte boa neles que é a de nos lembrar que, naquele dia, temos uma paragem obrigatória no caminho.
Há dias para tudo, é certo. Nós só consumimos aqueles que queremos, também é certo.  Eu vejo estas comemorações como uma espécie de aniversário. Uma espécie de sinalética na vida. Nasceu uma causa, tem um dia de aniversário. Nasceu um facto histórico, tem um dia de aniversário. Nasceu um herói, tem um dia de aniversário. Conclusão, o nosso caminho está repleto de placas sinalizadoras que nos lembram a existência de coisas boas e que merecem uma atenção especial.
E no seguimento das coisas boas e que fazem bem à saúde, no passado dia 13 de abril assinalou-se à escala internacionalmente o dia do Beijo. Cá está... uma placa informativa no caminho da vida a lembrar que beijar é bom e faz bem à saúde. E se pensarmos com disponibilidade, é um dia bem cheio! Um dia que tem muito para ser comemorado com...
um beijo demorado (quando quatro lábios se juntam sem tempo marcado)
um beijo repenicado (a junção dos lábios superior e inferior, onde o objectivo final é assinalar o acto com muito barulho)
um beijo ao ar (aquele em que unicamente se encostam as bochechas umas às outras e se dão beijos ao ar)
um beijo de avó (uma série de beijos repenicados, com alguma babuje)
um beijo ofegante (quando os lábios se juntam de forma descontrolada) 
um beijo na testa (sinal de benção, de protecção)
um beijo desafiado (aquele que no caminho para o ser, faz uma finta e foge)
um beijo mordiscado (onde as mordiscadelas são testemunhas do desafiado)
um beijo desencontrado (quando o beijo tem coisas a mais, e tudo fica desencontrado: mãos, lábios, dentes, narizes)
um beijo na face (uma esperança de voltar)
um beijo solitário (quando o tempo pára e os lábios se transformam em um)
um beijo dançado (assim que os lábios se tocam os corpos iniciam a sua dança)
um beijo roubado (já que não é possível de outra forma, roubo-te um beijo)
um beijo no pescoço (que nos desequilibra a força da gravidade)
um beijo com pegada (ui...)
um beijo de periquito (beijinho, beijinho, beijinho, beijinho, beijinho...)
um beijo encaixado (lábios, mãos, peito, pernas, braços encaixados em todas as dimensões e ângulos)
um beijo de mãe (de amor eterno, segurança, verdade)
um beijo de filho (de amor eterno, puro)
um beijo embalado (embalado em cadência certa, não em película transparente)
um primeiro beijo (o GPS do futuro)
um beijo eterno (o que faz parar o tempo: a união entre o primeiro, o demorado, o encaixado, o dançado, o embalado, o desejado)
um beijo constructor (em tudo ele nos faz crescer)
um beijo falado (onde as palavras complementam o bater do coração)
um beijo estrelado (com um manto de estrelas em cima dos lábios)
um beijo madrugador (que desperta para a vida)
um beijo testemunhado (que testemunha pequenos nadas da vida)
um beijo tremeliques (que não conhece bem os contornos dos lábios e da vida)
um beija-flor
um Beija mim
um Beijo Sabura... o elixir da vida!

Lembro-me de um episódio público com beijos. Decorria a minha juventude e estava com um namorado num café, em Lisboa. Tomávamos um café, falávamos de mão dada e, entre conversas, surgiu um beijo (nada de extraordinário que aqui a rapariga não é dada a escandaleiras). O que é certo é que, um empregado do café achou que aquele beijo não era próprio para aquele estabelecimento comercial, e veio ter connosco com um copo de água na mão. O beijo já tinha acabado há muito e ficámos sem perceber o porquê do empregado estar junto de nós, com um copo de água na mão... ele esclareceu-nos "Se aquecerem muito têm aqui uma água para se refrescarem"! Não sei se por própria conta ou conta do patrão, aquele acto não foi poético, bonito ou simpático. Fiquei com pena do homem, que muito provavelmente, não sabia que, para além do aspecto amoroso, um beijo bem dado faz um bem tremendo à saúde (e provado cientificamente - é bom para os dentes, emagrece, diminui a ansiedade, aumenta a imunidade, combate o stress, aumenta a oxidação das células, movimenta uma carrada de músculos etc.). Depois deste episódio lembro-me de ter encontrado em Coimbra, um café que tinha na porta de entrada, ao lado do sinal de Multibanco, um sinal que anunciava "Proibido Beijar". Pobre estabelecimento comercial... devia concentrar ali as pessoas tristes, apagadas da vida, sem memória. 
E com tantos motivos para festejar o dia 13 de Abril! Com tanto motivo para colar à pele a memória de um beijo! Eu faço jus ao dia e prolongo-o por vários tempos! Gosto! Mas quem não gosta? (eu por acaso conheço uma pessoa que não gosta).

E por ser uma coisa tão boa fico a pensar na sua origem... Como terá acontecido o primeiro beijo da História? Como é que o Homem e a Mulher sentiram necessidade de encostar os lábios e ali ficarem? Terão sido os animais a iniciar esta prática? E se os beijos fossem dados com o peito? Ou com as costas? Ou com as mãos? Se os beijos em vez de unirem as bocas, unissem outra qualquer parte do corpo? 

Beijo Sabura pergunta-vos... qual o beijo mais desejado? Conhecem mais beijos? Quais? 

O beijo é universal? Como se beija na Austrália, em Dublin, em Singapura, no México, na Colômbia, no Chile, no Ártico, na Nigéria, no Irão, nos EUA, em Pequim, na Tailândia, na India, na Suiça, em Paris, em Dili, no Paquistão, em Vanuatu, no Fogo, em Madagascar, no Malawi, em Fernando Noronha, na Patagónia?

Beijo Sabura, enquanto aguarda beijos vindos desse lado, vai vivendo na certeza de que, os bons beijos, são aqueles que são dados com o coração.




domingo, 14 de abril de 2013

Casas do moinho

O Beijo Sabura foi mesmo, mesmo, mesmo muito bem raptado!!! As andorinhas viajaram p'ra Sul, para o calor. A nossa costa litoral Alentejana é um privilégio, uma benção dos Deuses. Não pensando em governos, troikas, crises e economias isto está bem perto de ser o Paraíso!
Uma boa escolha para momentos Sabura www.casasdomoinho.com




Entre as casas do moinho e as casas da aldeia

Casas do moinho

Praia de Odeceixe

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Boca Sabura - "Escrita divertida"

Vai ser criada uma nova etiqueta no Beijo Sabura - "Boca Sabura" - uma espécie de gaveta que armazenará os temas, curiosidades, bocas, comentários, felicidades que se passam na escola. 
Escola, uma Boca Falante. Aqui iremos ter uma "Boca Sabura" a falar de outros afectos, outras palavras, pequenos nadas, olhares perdidos e esquecidos. 

E hoje, o Beijo Sabura voltou a uma turma de 4ºano incrivelmente bonita. Andamos por lá a fazer "Escrita divertida", assim chamamos aos 50 minutos de escrita que ali se passam. As regras são simples:
- Esquecer as regras da escrita;
- Não escrever mais de oito linhas;
- Escrever com prazer;
- Escrever disparates e lê-los em voz alta;
- Ouvir poemas, histórias, boas escritas.
Já vamos no segundo encontro e a animação tem sido crescente. Não é fácil aceitar que podemos "quebrar" uma regra que sempre exercitámos; não é fácil desprender as amarras das regras; é muito surpreendente ter um professor a ler coisas disparatadas, a dizer que podemos escrever à solta sem nos preocuparmos com os erros (neste tempo, claro!). Mas eles vão... e muito divertidos, com uma participação e vontade fora do comum! Gosto deles! 

A minha vidente ressuscita-me sempre!


Saio sempre a pensar: "Raios caí mais uma vez!!! Arghhhh...... que irresponsabilidade... mas vá... desta vez vais trabalhar para ficar linda e maravilhosa. É desta!"
Há anos que me acontece isto, de cada vez que vou a uma perfumaria. Caio sempre, obedeço sempre (durante uns tempos), oiço tudinho o que a minha conselheira Clarins me diz. Cumpro, percebo, compreendo, aceno com a cabeça que sim, e concordo com absolutamente tudo o que ela diz. Tudo faz sentido. 
A coisa entre nós funciona em três passos e do seguinte modo:
1º - ao entrar sinto-me bem, grande, consciente da realidade (epidérmica e financeira). Tudo controlado e cheia de convicções de que, desta vez, eu não vou gastar nem um tosto.
2º - ao falar com ela a minha torre desmorona-se. Pareço um molho de peças de lego, mal encaixadas, a cair por aí fora. Fico num caco. A sentir-me mais feia que a Bruxa Arreganhadentes ou  a Manuela Ferreira Leite a acordar. A achar que o caminho a seguir é a plástica, que sou uma dermo-criminosa, uma retro-escavadora de rugas.
3º - ela, como boa conselheira que é, vai ressuscitar a minha pele e ao seu lado eu conseguirei alcançar a Luz! Ela é a Salvadora.  Com ela eu chego lá! O que seria de mim sem ela?! 
4º - (e em modo baixinho para a culpa não ser tão pesada) ... a vidente Clarins acertou nos produtos que eu preciso e eu... fico com mais um objecto no saco, menos dinheiro na carteira e a achar que cometi um crime.

Tenho a certeza que não serei a única a sentir isto... ou sim?!
O que é certo, e passo a publicidade, é que o senhor Jacques Courtin-Clarins criou esta marca e a sua história ainda me deixa mais "esborrechada"... Disse-me a minha Vidente Clarins que ele, médico de profissão, criou esta marca de forma a mimar a sua esposa. Segundo consta, a sua mulher adoeceu, e ao que parece, não conseguindo ele tratar do seu interior, resolveu tratar do exterior. Criou por respeito e amor e respeito pelas mulheres, a marca Clarins. Diz que é feita para mimar as mulheres, e eu concordo. É uma marca que trabalha à base do vegetal, sem recorrer a testes animais, etc. Melhor, disse-me hoje a minha vidente Clarins, os Clarins têm protocolos estabelecidos com vários hospitais oncológicos onde oferecem mimos de beleza às pessoas que aí estão em tratamento. O que também me parece um mimo bom. Simples, e talvez dispensável, mas que, certamente alegre um pouco o dia de quem passa por estas situações hospitalares.
Hoje, mais uma vez entrei, desta vez para uma "massagem-oferta", a minha torre desmoronou-se, as bolinhas de celulite mantiveram-se mas... a minha vidente Clarins tratou de mim e daqui a uns dias a minha pele estará lisa como uma pedra mármore! Eu acredito... A vocês mulheres também vos acontece, certo?! E a vocês Homens?!