quarta-feira, 26 de abril de 2017

O amor, quando se revela


É daqueles textos que já sentimos na pele, que nos moldaram, que nos embriagam, que nos afirmam e que até podíamos ter sido nós a escrever... mas não, foi Ele...


O amor, quando se revela,

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há-de dizer.
Fala: parece que mente...
Cala: parece esquecer...
Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
P'ra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!
Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...
1928
Poesias Inéditas (1919-1930). Fernando Pessoa

domingo, 23 de abril de 2017

Correntes



Correntes... As correntes mais fortes são as que ligam e não as que prendem... ligam à memória, ao amor, à amizade! #amizadebemprecioso #correntes 




domingo, 9 de abril de 2017

Tempo intemporal


Há tanta coisa intemporal

o próprio tempo não tem tempo

se ele o tivesse de certeza que não perdia tempo com coisas temporais

Há tanta memória sem tempo

perdida num tempo, guardada noutro 



Hoje é dia lamecha...