terça-feira, 29 de dezembro de 2015

2016, que seja um bom Par de todos vós

2015, ano Ímpar
na morte de uma amiga, na doença de outra, na perca de colegas de trabalho, no avc da Verónica, no Tempo, 


2015, ano Ímpar
na entrega da tese, e no seu resultado em número par, na viagem, no amor, no afinar das verdadeiras ligações da minha espinha emocional,


2016, que seja Par de todos vós. Um bom par.

Que o que saiu foi mau, e isso deverá tornar-nos melhor.

Que o que saiu foi duro, e isso deverá tornar-nos mais fortes.

Que o que saiu foi triste, e isso deverá tornar-nos mais felizes com o Presente

Que o que saiu foi amargo, e isso deverá tornar-nos mais doces uns com os outros

Que o que saiu fez ferida, e isso deverá ensinar-nos a escolher melhor

Que o que saiu foi ímpar, e isso faz com que agora venha um Par, e que ele encaixe perfeitamente com a dança da Vida

Que o que saiu foi ímpar, e o que vem é par e bissexto, e isso faz com que a soma e a divisão de todos os seus bondinhos ímpares dm um resultado Par

Que o que saiu não foi um bom ímpar, e isso faz que não venha a ser um bom Par na Memória

Que o que saiu já é Pretérito, e foi-no muito Imperfeito, e isso deverá lembrar-nos que cada ano é um Presente, que pode durar um Infinito e ser um Par Perfeito. 

Que o que saiu foi ímpar com tanto mas que este seja Par com a alegria da Vida... 






Desejos de Natal: Bolhas de alegria e não de sangue

Dia 5 de Novembro, cerca das quatro da manhã, Tomar. A Verónica acorda com uma violenta dor de cabeça na zona da nuca. Pede ajuda desesperadamente à mãe, não consegue falar com tanta dor, tenta dirigir-se à rua para apanhar ar mas não consegue. Apenas consegue agarrar-se à nuca, esbracejar e fechar os olhos. Os bombeiros são chamados ao local. Enganam-se na morada, mas chegam. Os sinais vitais estão bem, nomeadamente tensão arterial. Diagnóstico possível, um acidente vascular cerebral. Entrada no Hospital de Tomar (hospital que não tem especialidade de neurocirurgia ou cardiologia), a Verónica fica inconsciente. De ambulância é transferida para o Hospital de Abrantes (hospital que não tem especialidade de neurocirurgia ou cardiologia), é examinada por uma equipa médica e lá sofre o segundo avc. Em Abrantes dizem-nos que a Verónica sofreu o rebentamento de um segundo aneurisma. Rebentamento de dois aneurismas. Dizem-nos que vai ser transferida para o Hospital de São José, de helicóptero e que terá uma equipa médica à sua espera. Há nevoeiro, afinal irá de ambulância, cerca de duas horas de caminho.  
Entra nas urgências do Hospital de São José no dia 5 de Novembro, às 12h. Urgências. Exames. É internada na Unidade de Cuidados Intensivos do Serviço de Neurocirurgia. Conseguimos falar com a médica de serviço que nos diz que o caso é grave, que a Verónica vai ser intervencionada pelo melhor especialista daquela unidade, Doutor Victor Gonçalves. A Verónia é operada dia 6 de Novembro (sexta-feira), às 10h. Diagnóstico: muito reservado, uma hemorragia muito grande, coma induzido. Seria tempo de esperar que ela estabilizasse, saísse do coma e ver o resultado. Esperámos. Sondas, tractotomia, infecção urinária, pneumonia. Todos os dias esperámos, todas as horas. 
Próximo passo: a Verónica sair de perigo de vida.
A Verónica é trazida do coma para a vida mas parte dela ficou perdida no caminho. O nível de consciência é quase zero. A reacção visível é abrir os olhos, mexer o globo ocular e com isso dar sinais de que ouve. 

Implorámos a São José para que não fizessem a transferência para o Hospital de Abrantes, porque a família tem conhecimento do mau funcionamento do hospital. Nada a fazer, segue para lá. Início de Dezembro. Dia 1.

Entrada nas Urgências do Hospital de Abrantes. A Verónica aguarda mais de cinco horas para ser levada para a enfermaria. Internada em Medicina Interna. A única noticia é dizer que a doente se mantém como veio de São José. Black out. A partir daí acabaram as informações clínicas verdadeiras e rigorosas que fomos recebendo em São José, acabou o investimento na Verónica e na sua família. 

A Veronica está em estado vegetativo. Demorou 31 horas a ser operada. Nada a fazer, o pior aconteceu. Tudo resto são detalhes para a Vida da Verónica.

A mãe da Verónica não perdeu uma filha, eu não perdi uma irmã, o filho não perdeu uma mãe, ninguém perdeu a Verónica. Perdemos todos uma parte de nós.

Perdemos todos quando nos fazem perceber da fragilidade que é a nossa vida, materializada no nosso corpo. 

Este Natal seremos ainda menos e com menos alegria. Felizes pelos que restam. Felizes pela pureza das crianças. Pai Natal, traz-nos apenas Paz e uma "gotinha de água" para podermos continuar.