segunda-feira, 20 de junho de 2016

Cuidados a ter com a exposição lunar




Atenção a quem está... neste mundo.

Hoje o índice de raios ultra-lunares estará no seu nível máximo,

por essa razão aconselha-se à população que se proteja devidamente.

Cuidados a ter com exposição lunar:

Não deverão esquecer o protector de infelicidade,

hidratar o organismo com amor refrescado

e evitar a exposição à Lua entre as 7h da manhã e as 20h.

Poderão olhar diretamente para Ela mas protegidos pelos olhos de quem amam.

Atenção, a exposição à Lua pode causar uma pele mais jovem por mais tempo.

Um escaldão de Lua é sinónimo de Amor.









terça-feira, 14 de junho de 2016

Vivemos encerrados dentro de um corpo #Santa Casa da Misericórdia de Tomar



Vivemos encerrados dentro de um corpo. Um espaço com o qual habitamos, e do qual amamos umas partes e odiamos outras tantas. A anca bem torneada, o nariz mal acabado. O calcanhar pontiagudo, o ombro bem desenhado. Habitamos nele. E como em todas as nossas casas temos de lhe fazer "manutenções" periódicas. Começamos a ir ao ginásio, passamos a comer de forma mais saudável, deixamos de fumar, fazemos caminhadas. Fazemos tudo e alcançamos o objectivo principal: ter a nossa casa como sempre desejámos. 
No entanto nunca nos preparamos para, um dia, desabitar esta casa, nunca nos preparamos para ser vizinhos do andar ao lado. Temos certo, desde o dia em que a começámos a habitar, que aquele será sempre o nosso ninho. Nunca pensamos desabitá-lo.

Ela habitou o seu corpo durante quarenta e um anos. Nunca cuidou dele de forma exemplar, é um facto. Mas cuidou, ao seu jeito e à sua maneira. Umas vezes pintava o cabelo, outras vezes as unhas. Uma altura colocou uma banda gástrica para combater a obesidade. Habitou o seu corpo durante quarenta e um anos. E de um momento para o outro, viu-se  com ordem de despejo daquela casa. Dois bombistas suicidas arrombaram-lhe a porta de entrada, invadiram a sua casa e fizeram-se explodir. Desde então vive fora de sua casa, a olha-la todos os dias e a lembrar-se como era a sua vida antes do rebentamento das duas bombas.  

Há três semanas conseguiu que uma equipa se ocupasse da limpeza da sua casa. Finalmente alguém voltou a cuidar do seu corpo. Sozinha ainda não o consegue fazer, no entanto aceita que lho façam. Tocam-lhe, escutam-na, falam-lhe, acariciam-na, tratam da sua casa com cuidado. E isto é uma boa parte da cura, da limpeza.

Os seus olhos voltaram a brilhar, a sua língua voltou a humedecer os lábios, a mão direita a mexer ligeiramente e a boca já mexe dizendo algumas palavras. Transmite mau estar quando lhe dói o corpo. Nomeia as pessoas e diz que gosto delas. Continua a viver fora do seu corpo, mas encerrada nele. Certo é que já vai fazendo umas visitas periódicas à sua casa, pé ante pé. Devagarinho, mas vai.

Tenho cada vez mais a certeza de que o toque e a palavra, embrulhados em amor, são a melhor forma de cuidarmos.


...

não podia deixar de tornar público que a equipa a que me refiro é a do equipamento de Unidade de Cuidados Continuados, da Santa Casa da Misericórdia de Tomar. A paciente sofreu do rebentamento de dois aneurismas no zona do cérebro. Desde esse dia (Novembro 2015) até ter dado entrada neste equipamento, em Tomar, nunca tínhamos tido  este acompanhamento (excepto com as equipas extraordinárias da Unidade Neurocirurgia do Hospital de São José). O registo de melhorias tem sido incrível e tudo porque existe cuidado e amor. Temos a certeza. 
É uma equipa extraordinária. Todos fazem parte da equipa, desde a entrada até ao sótão. É um exemplo que deve ser público e aclamado. Já agradecemos e continuaremos a agradecer. 








sexta-feira, 3 de junho de 2016

Dá-me forças...



Antes de Ser Humano , Sou Lontra e tenho os meus direitos ... 

Bom final de semana para todos. Beijos Sabura!

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Dia da Criança, o desafio ao adulto



 
 

 



O normal Dia dos Irmãos ... ou talvez não.



Dizem que aos 31 dias do mês de maio é o dia dos irmãos...

Dia daqueles que tantas vezes dizemos que deviam desaparecer de uma vez por todas! Chatos, carrapatos, mal formados, dependentes de nós, parecem sarna e que causam comichões agudas. 

Como é possível que exista alguém, que ouviu a mesma voz de mãe e de pai, e exista no mundo, da maneira como eles existem?

Não há viagem que não seja um martírio, que eles não ocupem a maior parte do lugar ou que não exijam parar três vezes. Nosso Senhor deu-lhes a inteligência do mesmo tamanho que a bexiga...

Não há festa de aniversário, nossa, onde eles não estejam. Pior... que não exijam a presença dos seus amigos para não ficarem tristes... triste fico eu com a vista que tenho, no início de mais um ano de vida.

Não há saída noturna, festiva e feliz, que eles não queiram colar a asa à nossa boleia.

Não há uma conversa em família que eles consigam SÓ escutar e não opinar, estipular, enganar, denegrir, mal dizer, alcovitar...

Não existe nenhum momento em que eles não tentem pesquisar, decifrar, meter-o-nariz nas nossas vidas.

São os nossos estimado-adoráveis-pseudointeligentes irmãos. Para agravar mais o caso, para onde quer que nos viremos ouvimos "Tudo bem, brother?!", "Oi, bro!" . Já chega, não?! Há limites para a conexão e aceitação, certo? Não viemos obrigados a nada nesta vida, muito menos ao martírio de um irmão. Para além de que nem ninguém nos garante que a linha de montagem daquele ser tenha sido a mesma que a minha. Às vezes conseguimos sair da fábrica com algumas semelhanças, mas sabemos que cada peça é única! Valha-nos Santo DNA.

São os nossos "Brother's". É a nossa vida. E como se isso não bastasse ainda alguém da Rádio Comercial ou da Agenda dos Educadores se lembrou do Dia dos Irmãos! Até quando, oh Jasus?!


Até ao dia... em que tudo isto deixou de ser. Até ao dia em que deixou de o ser nos meus 24 anos de vida.

Durante 24 anos da minha vida sempre existiu esta "festa" dedicada à nossa irmandade. Alguma tareia, queixinhas à mãe, sustos, ódio de estimação, irritação com os tiques, manias, crenças, protecção excessiva à irmã. O normal. Até ao dia em que deixou de o ser. 

De um segundo para o outro toda a normalidade passou a ser uma anormal hipótese de boa memória. O normal passou a ser a anormalidade de uma morte precoce. O normal passou a ser o silêncio ensurdecedor perante a ausência da chatice, dos gritos, das discussões e opiniões. O normal passou a ser um emaranhado de tons da sua voz a circularem pela minha memória. O normal passou a ser eu querer rever as suas feições, as mais ínfimas e já não ser capaz de o fazer sozinha. 

Até ao dia em que deixou de ser um irmão e passou a ser um esforço estóico de memória. 

Tive e terei sempre um irmão. Fui e serei sempre uma irmã. 

(na realidade já não me lembro como é que se está com um irmão, como é que se fala, o que se conta, o que se partilha, como se cumprimenta, como se abraça, como se planeia em família com o irmão, como se conta com a sua protecção, como se acalma os pais, como se festejam as vitórias e como se acolhem os desgostos  como é ter sobrinhos do meu irmão, como é ter uma cunhada, como é confiar segredos, como é estar com alguém com quem nos zangamos e fazemos as pazes sem perceber, como é estar com alguém que esteve dentro da mesma barriga que nós. A única amiga que a Morte tem é a vida, e a sua inimiga de estimação é a memória)