terça-feira, 26 de julho de 2016

e de repente sentes que bates de chapa no mundo ...



e de repente sentes que bates de chapa no mundo

que ficas com o peito a arder,

que nada consegue sarar aquela dor.

mas apesar disso mandas-te novamente ao charco

e mais uma vez bates de chapa no mundo

e mais uma 

mais uma e mais uma 

até doer tanto o peito que de seguida vais ao charco mas de braços enrolados, a proteger a tua vida.

no tempo seguinte mergulhas enrolado sobre ti mesmo, 

em bomba, querendo provocar ondas mas protegendo-te de todos os impactos.


a dor no peito demora a passar, o vermelhão também, 

às vezes não passa e deixas mesmo de mergulhar de braços abertos.

importa que vás conseguindo chegar-te perto do charco, que te consigas ver reflectido e que te permitas entrar nele...


quinta-feira, 7 de julho de 2016

Quero desacelerar o tempo




De cada vez que olhas para a lua ela já aconteceu há um segundo

De cada vez que olhas para o sol ele já aconteceu há oito minutos

De cada vez que olhas para o céu ele já aconteceu há anos,

anos de luz

De cada vez que olhamos o céu olhamos o Passado

De cada vez que contamos as estrelas já deixámos de existir



Quero deixar de existir dentro do teu abraço 

olhando Sírius, Vénus ou a Lua

Quero desacelerar o tempo 

e tornar cada momento presente num ano luz, 

que dure tanto tempo quanto a eternidade

Quero desacelerar o tempo 

e juntar o nascer ao pôr do sol

Quero desacelerar o tempo

e sempre que olhar para ti

ainda faltem anos de luz 

para a Terra rodar e girar

o tempo que estive sem ti