domingo, 20 de novembro de 2016

Recomeça...



"Recomeça… Se puderes, Sem angústia e sem pressa. E os passos que deres, Nesse caminho duro Do futuro, Dá-os em liberdade. Enquanto não alcances Não descanses. De nenhum fruto queiras só metade. E, nunca saciado, Vai colhendo Ilusões sucessivas no pomar E vendo Acordado, O logro da aventura. És homem, não te esqueças! Só é tua a loucura Onde, com lucidez, te reconheças." Miguel Torga, Diário XIII


terça-feira, 15 de novembro de 2016

Há palavras que tocam numa boca e se transformam em armas nucleares.



Há palavras que tocam numa boca e se transformam em armas nucleares. Palavras que seguem disparadas e quando tocam a pele do outro desarmam-no. Palavras que nos deixam perdidos do centro. 

Queria dizer-te todas as palavras que guardo mas que, na realidade, são tuas. Queria dar-tas mas de cada vez que lhes pego, perco-me. Perco-me até na minha caligrafia, ao ponto dela mudar, de se estar a fechar e a arredondar.

Há palavras que nos moem a cabeça "quero falar contigo". Há palavras que nos pisam a memória "porquê?". Há palavras que nos alucinam o pensamento "amor". Há palavras que nos rasgam o peito "in-di-fe-ren-ça". Há palavras que param o tempo "escuta". Há palavras que fazem levitar "a-cre-dit-to". Há palavras que inundam mais que tsunami "nós". 

palavras que não nos saem da boca e ficam a calar todos os minutos passados, pensados. Minutos prensados entre palavras. Palavras amassadas pelo Tempo, e esticadas pela saudade "qquueerrrroooofffiiiiiccccaaaarrrrrcccoooonnnnnttttiiiiiigggggggggoooooo"

Há palavras que nos prensam os pensamentos de cada dia. Há pensamentos que nos prensam as palavras. 

Há palavras que tocam numa boca e se transformam em armas nucleares, e em cada silêncio ganho, uma bomba de estilhaços