quinta-feira, 29 de agosto de 2013

A terra voltou a tremer

Pela segunda vez, no decorrer deste ano, a terra voltou a tremer. O Abalo foi sentido na região Sul do país, quando passavam poucos minutos das 16h, do dia 26 de Agosto. A origem terá estado numa Bolacha-Maria. Os danos causados foram apenas emocionais. Mais uma vez foi recebido um comunicado da Protecção-de-Abalos-Sísmicos, que afirma que todo este processo é saudável e natural para o crescimento da Vida!

                                   

Quando o Setembro era em Outubro

Sendo professora os Setembros representam sempre O Início. Mais do que o primeiro de Janeiro, é nesta altura que se fazem planos para a vida. As pessoas-professores passam a estar talhadas para o "ano lectivo" e não "civil". Os alunos passam a estar, também eles, talhados para o "ano lectivo", em que Setembro é sempre um novo começo. A esperança renasce por estes dias, a vontade, o entusiasmo, o nervoso miudinho da novidade. Quando era professora titular lembro-me de, por esta altura, andar embrenhada na colecta de estratégias para os "novos alunos" que estavam para chegar. Quando era aluna, a segunda semana de Setembro calhava sempre depois do 5 de Outubro, e eu lembro-me de ele ser a recta final de umas férias demasiado longas; do ir ver horários e listas de material; da compra dos livros (e cheirar cada um deles); da penosa escolha entre dossiê ou caderno, e do papel para forrar os livros; da escolha do estojo de lata ou de pano; de convencer a mãe a comprar 48 canetas de feltro "Carioca" e não 24; de achar que se começasse a ler os manuais antes de iniciar as aulas chegaria muito melhor preparada. Lembro-me exactamente do primeiro dia de aulas do 5ºano (1º ano na Escola Preparatória Fernando Pessoa, nos Olivais Sul em Lisboa). Fui, pela primeira vez no Primeiro Dia de aulas, sozinha para a escola. O caminho era curto e feito a pé. Claro está que fui carregadinha que nem uma mula, com todos os manuais às costas, réguas, esquadros, compasso, guaches, material de ginástica, etc. Lembro-de fazer aquele caminho, que conhecia de olhos fechados, como se fosse a primeira vez. De caminhar num novo estado. Tinha a certeza que, quem me visse passar não avistava uma "dentes de cavalo" (apelido que me foi carinhosamente oferecido pelo meu irmão devido à proeminência do meu maxilar superior) mas sim, uma Rapariga de 11 anos, alta e muito responsável - uma quase adulta. Lembro-me de chegar à turma e de ficar desiludida porque não utilizei todo o material, aliás, de não utilizar nenhum material. Lembro-me de ter reencontrado os amigos que não via há meses, de deixar de ver outros que tinham seguido para outra escola, de combinar com a minha melhor amiga - a Joana - que íamos ser as melhores da turma naquele ano. Aquele foi (e será para todos nós na meninice) o grande passo de mudança escolar. Deixamos o ninho e entramos numa cidade de betão, onde tudo é à escala XXL, até a minha querida professora Maria do Céu passou a ter doze nomes.











A todos os que estão quase a renascer, um bom resto de férias e que Setembro entre com os pézinhos delicados, cheios de boas energias e muito amor. Este ano, o meu Setembro também vai ser o início de uma grande mudança, mas enquanto mãe de um Guerreiro de Voz Branca que vai para o 1º ano... a ver vamos como me aguento neste novo papel!

Find home

Beijo Sabura à procura de casa. Se conhecerem um T3, em bom estado, mas do género masculino avisem...



terça-feira, 27 de agosto de 2013

Ainda em relação à criança, à mãe da criança e à madrasta boa


Em relação ao texto de dia 6 de Agosto... "Criança, mãe da criança e madrasta boa" fazia falta destacar este comentário...

Obrigada à mãe da criança por me entender como madrasta boa! Ser madrasta desta criança é a maior honra que posso ter e, sim, é com orgulho que sou madrasta desta criança que me abraça como parte importante da sua vida. Sempre!
Infelizmente histórias como a do centro de saúde (que não ficou por ali!) vivo-as constantemente, mas esta criança vale todas elas. É a naturalidade com que ele próprio informa os outros "é a minha madrasta boa" que muitas vezes faz cair todo e qualquer preconceito que julga a nossa relação.
Dá trabalho, dá! Mas para que tudo seja fácil e as transições tranquilas. É uma criança muito feliz e isso é que é importante! Para qualquer alien!

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

A 15 de Agosto

A ampulheta já tinha escorrido 8 meses e 15 dias de areia quando a lua nova deu luz a dois leões, um de cada género. Um leão e uma leoa. A última não sobreviveu ao frio que se fazia sentir fora do útero da sua mãe. O seu irmão cresceu, aprendeu a caçar com os mais velhos, sobreviveu à luta entre pares. Todos os dias lutava para alimentar o seu dia, nunca para saciar a fome do dia de amanhã. Todos os dias arrumava meticulosamente o seu espaço e apontava na sua mente as passadas dadas. Os elementos do seu grupo, poucos, admiravam a sua entrega nas caçadas a que se propunha. Todos os dias nascia para o presente. Todos os dias se dava de presente à vida. Conheci bem este leão, foi meu irmão durante 27 anos vivos, presentes. O maior presente que me deu foi nascer e viver desta forma. Hoje assusto-me quando vejo pessoas viverem insaciavelmente o presente, parece não terem medo de morrer. Ele não tinha medo e cedo deixou de comemorar os anos em vida, por isso, hoje, presenteio a sua vida no mesmo silêncio com que partilhámos tantas caçadas. Somos juntos, Miguel (cautela com o barulho da festa e com os excessos, cá em baixo bateremos 41 brindes por ti!)

sábado, 10 de agosto de 2013

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Criança, mãe da criança e madrasta-boa


O meu filho tem uma madrasta, não uma Madrasta, mas uma Madrasta-Boa. É desta forma que se autointitula e faz juz ao nome! Conheço poucas pessoas na minha situação de divorciada e com filhos, e com a boa relação que existe entre mãe da criança, pai e Madrasta-Boa (e família). O caso é de exemplo fácil: Egos para baixo e Bandeira “Filho” sempre hasteada. Hoje foi mais um dia em que, a sociedade conservadora, mas com esperança na justiça dos povos e no amor, ficou mais uma vez incrédula, inquieta e a morder nas costas de alguém porque a figura da Madrasta apareceu na vida real! O cenário envolve a situação do dia em que deixei de ter vontade que a minha médica de família conhecesse o meu filho. Depois desse episódio pensámos mudá-lo de centro de saúde, desta vez para o do agregado familiar do pai. E hoje, finalmente conheceu a sua nova médica de família, de bom aspecto, atenciosa, jovem e disponível. Dirigimo-nos, mãe da criança, criança e madrasta-boa, à respectiva recepção do centro. A senhora que nos atendeu não primava pela simpatia, mas era melhor do que o que eu estava habituada no meu centro de saúde. Explicámos que queríamos inscrever ali a criança, uma vez que a madrasta-boa e o pai são utentes do centro e que já tinham falado com a médica. A recepcionista diz que isso só pode ser feito na presença da mãe – prontamente sou apresentada pela madrasta-boa - e a senhora olha desconfiada. Apresentámos os três cartões de cidadão (mãe, pai e filho) mas mesmo assim a recepcionista continuou desconfiada. Pousou os cartões e ligou à médica. Nós escutamos que ela, entre-dentes, disse à Doutora que já tiveram inúmeros problemas destes. Ficámos de sobrancelhas franzidas e testas enrugadas... (problemas? como? mas isto é caso de problema?). Desligada a chamada pede para aguardarmos que a Doutora irá receber-nos (hum? o quê? mas há de facto algum problema?). A Doutora, com um sorriso incomodado, manda-nos entrar. Pede à madrasta-boa para relembrar a história e a mim para explicar a razão da mudança. Questiona-me também se eu faço parte ou, se pretendo vir a fazer parte daquele centro de saúde, ao qual respondo afirmativamente (mas só por acaso, só porque quero ir morar para aquela área de residência). A Doutora explica-nos que, por lei, quando existe uma separação dos pais, os cuidados de saúde das crianças ficam entregues às mães (e aqui eu começo a rever mentalmente todas as situações que conheço de divórcios com filhos e de mães que o são e não deveriam ser, bem como de pais que o são e também não deveriam ser... uma “visita de médico” e dá para colocarmos um rótulo na nossa lei “obsoleta”). Mas para resolver a nossa questão é simples, basta fazermos uma declaração na secretaria a dizer que queremos que a criança fique aos cuidados de saúde do agregado familiar do pai. E assim foi. Após a declaração feita, pedimos para falar com a enfermeira por causa da marcação das vacinas (aquelas que a médica de família dos Olivais alegou estarem em atraso, apesar de serem entre os 5 e os 6 anos). A enfermeira (jovem , disponível e atenciosa) vem ao nosso encontro e começou a falar para nós as duas, à sua frente. Caiu-lhe a “beleza” quando se lembra de perguntar qual de nós é a mãe – respondemos e acrescentámos que poderia falar para as duas – e a partir desse momento, olhar e falar exclusivamente para mim. Tudo o que disse foi impecável, inclusive que sim, que as vacinas são entre os 5 e os 6 anos, portanto, até fazer os seis está dentro da “legalidade”, bastava ter feito cair os preconceitos e teria sido uma mulher e peras. Ouvimos todas as instruções, que especificavam bem que a mãe deverá ligar para marcar as vacinas, e não, qualquer uma de nós. À saída a madrasta-boa dizia “Sou mesmo Alien, aliás, somos mesmo Alien’s”. E é verdade que infelizmente ainda o somos. A sociedade que vive as hastear bandeiras de Amor, que fica chocada com a brincadeira com os pobrezinhos, que se pudesse contratava um paparazzi para ter em casa à disposição, não consegue hastear uma bandeira de Felicidade perante uma situação diferente e mas exemplar. Para nós é fácil, a nossa bandeira-Filho está lá em cima e todos queremos vê-la bonita, a colorir os céus e as nossas vidas. Para nós é fácil, porque sempre soubemos que em primeiro lugar está o nosso filho e enteado. Para nós é fácil, porque deixamos de olhar para o nosso umbigo. Para nós é fácil, porque ninguém ousa “usar” aquele ser como arma de remesso. Não é fácil deixarmos de pensar com o Ego, mas fizemo-lo mais facilmente porque, acima de tudo, respeitamos aquele Ser enquanto Pessoa. E desenganem-se quem pensa que foi uma sorte nossa. A sorte dá muito trabalho. Muito! Mas mesmo enquanto dá trabalho é sempre a pensar na felicidade que tivemos e temos, em poder estar com um Ser tão especial como aquela criança. É muito bom viver feliz com um, dois, três, quatro... ter uma Madrasta-Boa, uma Bodrasta, um Padrasto, um Vô-Dastro, uma Vó-Dastra, pai, mãe, avós, tios, primos, madrinhas e padrinhos, quando todos eles erguem verdadeiramente a bandeira do Amor. 

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Pés nas férias

As minhas ainda não chegaram, mas já há muita gente que as recebeu... as férias. Para além de toda transformação pessoal (uns para bem, outros para mal) que ocorre neste período de vida, há um fenómeno que me deixa sempre encanitada. O caso das fotografias "com pés". Não disse fotografias "aos pés", isso é diferente, aí a intenção é mesmo a de fotografar aquelas extremidades do corpo. Não que esse ritual me assista, talvez porque não gosto mesmo das barbatanas que tenho, mas considero-o uma fotografia normal, que capta com intencionalidade uma parte do corpo humano. Agora, vermos fotos paisagísticas, lindas, de sítios bem apetecíveis, com um mar turquesa que convida ao mergulho, uma areia branca que nos leva à sensação de spa... e depois com dois pés escarrapachados à sua frente?!?!!?! "Olha que lindo mar, que lindo azul, ai que céu maravilhoso, etc., etc. e ... quê? porque é que estão dois joanetes aqui à frente?! Podem, por favor, retirá-los da paisagem para que eu possa continuar a sonhar?" "Obrigada pela foto, pela sensação que causa...mas já tiravas daí os presuntos, não?!" Quem não quer ver, não vê, é certo, mas o que eu queria mesmo perceber é o porquê da coisa. Será para mostrarem que os fotógrafos - donos dos pés - estavam mesmo lá? Será por gostarem tanto dos seus pés e acharem que a paisagem só tem a ganhar com eles? Será para deixar aquele "suspense"... "já subias mais o centro da foto e deixavas ver o biquini"? Será porque dessa forma se exorcizam os maus espíritos que se entranham nas unhas dos pés?! Porque estão a fazer publicidade ao ortopedista que lhes resolveu o joanete, ou à esteticista que aplicou as unhas?! Serão simplesmente podólatras?! Ou será uma fotografia como outra qualquer? Mas a constante do tema é que me encanita os pensamentos... Eu não critico, só queria mesmo perceber porquê. Estarei de férias uns dias, e em princípio não fotografarei os meus pés, mas se por ventura eu conseguir uma foto com uma paisagem muito bonita, idílica mesmo... eu prometo que vou arranjar as barbatanas ao photoshop, coloco-os em cima do contexto, depois deixo o registo aqui e explico a sensação...

Em todo o caso aqui ficam alguns exemplos do que me refiro... digam de vossa justiça















quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Aromas Sabura

Cheirinho de Verão é tão bom. E faz tanta diferença para o dia correr bem ou não. Hoje em dia é um luxo muito grande, bem sei e sinto, mas entre memórias e verdades palpáveis aqui ficam os  aromas Sabura...





Sem dúvida o melhor aroma que conheci até hoje. 
A linha da Kenzo - Ki - Euphorisant
Em Portugal já não está à venda. Era o melhor investimento que eu fazia.
Disseram-me que só nos Aeroportos. Como só viajo na Maionese Airlines não posso confirmar, mas se alguém passar por algum nas férias, por favor verifique se ainda existe esta maravilha da Cosmética... cheire, comprove e compre dois: um para si e outro para mim, pode ser?!


Body, body, body para as ocasiões 
em que a pele passou o dia entre quatro paredes.




Hidratante Corpo para todo o ano. 
No Verão é o melhor para depois de um dia de praia. 
Cheira a creme bebé.



Há muitos anos o protector solar preferido. 
Cheira a fresco na praia!




Uma chatice de um preço.
Uma maravilha da Cosmética para o rosto,
sobretudo para mulheres, como eu,
 que nunca foram princesas e 
não têm muita paciência em cumprir 
 o que nos sugerem as marcas e os dermatologistas.

Hidratante de rosto - noite
aquele que dura dura, dura porque é pouco utilizado, 
mas que é tão maravilhoso quando tenho paciência para ele. 


Hidratante de rosto - dia.
Maravilha do limite dos 35 anos (que já ultrapassei)!
- e que me recuso a mudar para o seguinte da mesma marca-
Este cheira a calma, pó talco, suavidade. 
O seguinte (o dos +35 anos) cheira a senhora-mais-velha-e-muito-séria-na-vida :(


Falta aqui uma máscara hidratante da Clarins com que me besuntaram hoje, durante um tratamento de rosto oferecido pela marca, e que resulta maravilhosamente na cutiz. Parece que os anjos me estão a esticar a pele. Maravilha. Não está porque a Albuquerque é má e o Coelho continua a governar.


E os perfumes de Verão de sempre

L'eau Par Kenzo

L'eau d'issey

A equipa que já há muito ganhou e não se mexe...




Provérbio de Agosto

E neste AGosto 
espero não ter 
nenhum DesGosto

Saravá!

"Férias de Verão"

"Férias de Verão" eram sinónimo de três meses de ausência de compromisso formal. Sinónimo de encontro de família, pic-nic, passeios de bicicleta, lanches com refresco de café e pão com banana, concursos de música, banhos no tanque, Carcavelos, Guincho ou Fonte da Telha. Eram sinónimo de aumento de vários centímetros de altura. Passados dois meses destas "Férias de Verão" elas retomavam o significado para ansiedade em voltar à escola, cheiro a cadernos novos, matrículas, horários, compras de papelaria.

"Férias de Verão" são sinónimo de leveza, paz de espírito, tranquilidade, reencontros com leituras, com o mar,  espaços, família e amigos. É sinónimo de disponibilidade emocional, mental e física. É sinónimo de baixar os níveis de ansiedade, stress e adrenalina. É sinónimo de remendar pequenos buracos abertos na teia do Tempo e de tecer novas linhas. Tempo de desligar o Tempo e o Complicómetro. Tempo de limpar, de repensar e ajustar. Tempo de nos acertarmos connosco e com os outros. De estado puro. 

"Férias de Verão" serão um tempo de ansiedade por não ter terminado alguns projectos, e estarem outros a nascer. Tempo de aperto no estômago por novas etapas do Guerreiro de Voz Branca. Tempo de muita mudança.

"Férias de Verão" deverão ser o tempo de recordação do passado, de decisão do presente e esperança no futuro. Assim serão.