terça-feira, 28 de abril de 2015

no dia do sorriso


Não tendo sido um dia maioritariamente cheio de sorrisos, não há como não mostrar e querer provocar o nosso.

Eu e ele nem sempre fomos amigos. Nem sempre tivemos uma boa relação. Só de há uns anos a esta parte é que ele se quis dar a conhecer a mim e ao mundo. De um dia para o outro passou a ser uma referência para mim e para os outros. E uma referência boa. Para mim e para os outros. 

De repente fazemos histórias e somos bem recebidos. Ele não é seca, nem amarelo, é cheio (apesar de uma falha ou outra!) e faz questão de estar "à janela". 

Apareceu-me na cara quando me encontrei e de mim passei a cuidar.

Alguém já o tinha marcado há muitos anos atrás. Uma queda, um antibiótico...

Alguém reparou que ele deixa marca. Que está marcado. "A menina da maninha no dente", foi assim que me baptizou e é assim que me continua a nomear. O António Torrado. 

Alguns reparam neste detalhe, outros no geral. 

A realidade é que, desde que me encontrei, que ele me é uma marca, literalmente. Marcaram-me o sorriso e com ele quero deixar as marcas do tempo na minha cara. 





sincrotação, desesão, deusconstrução, grimor, sorrionde



Ontem, à hora certa, recebi uma mensagem, com as palavras certas.

Tive tempo para pensar nelas. Tive tempo para pensar como gostaria de me encaixar nelas. 

Será que todas as palavras já foram, mesmo, inventadas? Mesmo?

Quando se mistura a palavra "sincronismo" com a palavra "inquietação"... é "sincrotação"?

Quando se mistura a palavra "desejo" com a palavra "ilusão" ... é "desesão" ou "decepção"?

Quando se mistura a palavra "construção" com a palavra "adeus" ... é "deusconstrução"?

Quando se mistura a palavra "lágrima" com a palavra "amor" ... é "grimor"?

Quando se mistura a palavra "sorriso" com a palavra "esconde"... é "sorrionde"?

Quando se mistura a palavra "vida" com a palavra "pleno" ? ... é uma vaidade? ou falsa verdade? 

Ontem, à hora certa, recebi uma mensagem, com as palavras certas. Sofri de sincrotação naquele momento. Aquela mensagem fez-me pensar na minha falsa verdade, às vezes disfarçada de verdade, outras vezes vestida de sorrionde. Para que serve a deusconstrução se não para cavarmos a nossa desesão? Vai daí, desceu-me um grimor pela face, porque o que eu queria mesmo era que aquelas palavras se tivessem sincronizado com a minha quietude...

As palavras que me inventaram foram,

“Tell me, what is it you plan to do
with your one wild and precious life?”

(na hora certa, Mia)







segunda-feira, 27 de abril de 2015

entre a ilusão e a realidade...


Criamos a ilusão. Iludimo-nos. 
A ilusão não acontece na realidade. A realidade fica diferente do que imaginámos. 
A realidade fica defraudada. A realidade passa a ser mentira. 
A ilusão é mentira. A verdade é realidade.
A realidade é presente. A ilusão é futuro.
Realidade é real. Ilusão é invenção.

Quanto pesa a realidade? Quando nos eleva uma invenção?

Quanto vale o agora? Quanto custa o sonhado?

Quando aceitar o que existe? Quando parar de sonhar? 

Tem limite, um e outro? 

Pesam? Elevam?
Valem? Custam?
Aceito? Ou paro?



quarta-feira, 22 de abril de 2015

la poesia non è fuori, è dentro...


Dois mundos opostos, duas cidades opostas, duas escolas opostas, duas turmas opostas, dezenas de alunos, supostamente, opostos. A oposição cola-se à condição financeira e social. Uns ao abandono, outros muito protegidos. À partida o resultado desta observação seria fácil: pessoas em oposto.

Mas, o que alegra o coração e dá esperança para continuar a acreditar, é ver que, as pessoas destes dois opostos, são igualmente Pessoas. Não umas pessoas quaisquer, Pessoas que se interessam por si, pelo colega, pelo adulto. Pessoas que pensam em si, no colega e no adulto. Pessoas que têm em comum o respeito por si e pelo outro. 

Tudo isto observado durante uns minutos de aula de língua portuguesa (num mundo) e de formação cívica (no outro mundo).

O que as uniu? Os sentimentos traduzidos em palavras. Num grupo ouvia-se "A Lágrima de preta" no outro grupo ouvia-se falar de medos e de sonhos. 

E eu lembrei-me desta frase, dita pelo Roberto Benigni, retirada do filme "O tigre e a neve"... e acredito mesmo nela!



 "la poesia non è fuori, è dentro... cos'è la poesia, non 

chiedermelo più, guardati nello specchio, la poesia sei tu..."







terça-feira, 21 de abril de 2015

Às vezes uma Preposição



Estranho é, quando chegas à escola, cheia de força para falar sobre a Liberdade e, agarrado ao portão vês um aluno teu, a chorar e a querer ir para casa, porque a mãe não teve nada para o seu lanche...


Liberdade e fome não combinam. Fome de Liberdade combina. Liberdade da fome também. 
Às vezes, uma Preposição no lugar certo, indica a melhor posição da nossa Vida... 

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Aceitar. Aceitar. Aceitar.




Aceitar. Aceitar. Aceitar.



Ou não? 



Aceitar dá-nos tantas hipóteses tranquilas com a Vida. Não aceitar permite-nos refazer a Vida, à nossa vontade. Umas vezes bem sucedida, outras não. E aqui está a grande diferença.



Aceitar o que nos oferece o Presente, será viver em gratidão permanente. Tudo olhamos e tudo admiramos. Nada existe por acaso nas nossas vidas. E com tudo aprendemos.



Lembrei-me desta "escrita" a propósito do saber, ou não, lidar com a frustração da derrota. Se a Vida te vai guiando por aquilo que queres, se te facilita sempre a viagem, teremos mesmo noção do que é o sabor da vitória? Não apelo, em nada, ao sofrimento gratuito, à crucificação de ninguém, pelo contrário. Mas não será mesmo verdade que, quando nos derrotam, há uma pequena parte de nós que tem vontade de se levantar, por saber que vence sempre a dignidade? E essa pequena parte não é aquela que nos permite olhar-de-fora e pensar "se fosse fácil não era para mim". 



E isto também é Aceitar. Aceitar que perdemos e, com isso, ter consciência que nos tornaremos mais sábios. Nada fácil este exercício mas... se fosse fácil não era para nós! Fácil é dizer que "perder ou ganhar é jogo", difícil é viver assim! 






   

sábado, 18 de abril de 2015

Hoje tive saudades de escutar algumas vozes...



Hoje tive saudades de escutar algumas vozes. Todas elas guardadas em memórias e fantasia. E apareceu-me na memória, a angustia da falta da mesma, da memória. Como podemos deixar de sentir o cheiro? Como podemos deixar de lembrar todas as marcas que tem? Como podemos deixar de sentir o sussurrar ao ouvido? Como podemos deixar de sentir a mão? Como podemos deixar de lembrar o tom da voz, a entoação, as pausas? Como podemos deixar de lembrar o ritmo da respiração? Como podemos deixar de lembrar o gesto? Não podemos porque não temos nenhum poder. Temos a obediência de Ser e de Viver. 

E porque não conseguimos guardar?

Porque a memória tem Tempo e Ele não pára (grande Cazuza que nos cantas isso tão bem). Nem a memória consegue parar o Tempo. Mas às vezes apetece-me tanto pará-lo e resgatar aquelas respostas todas. Só para mim, só por um Tempo em mim. 

No passo seguinte, aceitas que a Vida te dá Tempo e que tira memória, que te tira Tempo e oferece sempre um novo espaço para novas memórias...

segunda-feira, 13 de abril de 2015

No dia internacional do beijo... vem o dia das Lembranças do Amor


No dia internacional do beijo...

vem o dia das Lembranças do Amor com beijos roubados, esquentados, esquecidos, nunca dados, viciados, grandiosos, delicados, desproporcionados, embrulhados, ocupas, longos, parados, desarrumados. Todos eles iguais ao amor...

E o que é ele? Esquecendo poetas, filósofos... que palavras ficam para ele? 

Que lhe queres, ou melhor, o que queres dele para ti?

O que queremos do outro que não temos em nós? E se não temos conseguimos pedir ao outro? Não somos espelhos?

Se não temos tempo para nos amar a nós próprios, como temos tempo para amar mais alguém?

Se não nos fascinamos connosco próprios, como nos conseguimos fascinar por mais alguém?

Se não conseguimos lutar pela nossa felicidade, como podemos lutar por alguém?

Como podemos ficar no Amor, se não paramos para Ser?

Se não consegues estar contigo, como consegues estar com mais alguém?

O Amor muda as suas vestes? Claro que muda. Eu mudo. As minhas vestes vão sendo cada vez mais as minhas, as que quero usar e não as que querem que eu vista.

Se me descobrir na verdade, a verdade vai chegar ao outro. E maior que eu, é o que eu posso fazer com o que sinto pelo outro. 

Se calhar, tudo que eu quero para mim é misturar-me com o teu Tempo, tal como o meu Amor se quer misturar com o teu. Em Memória, Tempo e Amor. Se calhar o que eu quero é deixar de ter Tempo e ficar no Amor sem Ele.

O Amor tem pernas, mãos, asas e é frágil como vidro. Caminha, dá, recebe, voa. Não tem olhos, para não se cansar do resto do mundo. O Amor já viu tudo, já escutou, sentiu. O trabalho dele é encontrar o Infinito.   

Para o Amor não restam muitas palavras. Ele deixa-as para o Tempo, um dia, falar dele...


Jericoacoara

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Já fui bivalve



Educaram-me a ser um bivalve. Educaram-me a esconder-me numa concha de cada vez que sentia um perigo ou uma situação estranha. Lembro-me disto. Lembro-me que se ficava fechado na concha, o tempo necessário, até não sentir perigo. Depois, voltava a espreitar e, se a costa estivesse livre, avançava. Mas até o avançar era feito de forma segura, sem grande alarido, com ausência de ruído e tudo feito da forma mais discreta. Biquinhos de "pés" e silêncio. E com isto, também me mostraram que o silêncio era uma forma de falar. 

Enquanto viaja à boleia da minha concha imaginava mil conversas, outras tantas respostas e mais de mil perguntas. E imaginava, perguntava e respondia a todas elas. 

Em dias de marés tempestuosas encerrava-me na concha. Em dias de mar chão espreitava o mundo inteiro... Inteiro não, parte, porque sendo um Ser minúsculo a minha vista apenas alcançava pequenos apontamentos da vida. 

A determinada altura da minha vida a concha sofreu alguns embates fortes. Não partiu, mas rachou em vários lados. Isso fez com que eu me voltasse a fechar lá dentro mas... (há sempre um "mas") desta vez fui surpreendida por uma novidade. Mesmo fechada dentro da concha, agora, conseguia ver alguma luz que passava por entre as fendas existentes. E era uma boa sensação. Gostava ainda mais daquele esconderijo. Tranquilo, silencioso e com alguma luz do dia a chegar até mim. 

Dias, noites e marés foram passando por mim, até que aquele esconderijo deixou de ser suficiente. Aliás, o tamanho da minha curiosidade deixou de caber naquele espaço. Conhecia parte da Luz do dia, mas as estrelas da noite não. Foi então que resolvi abrir as duas valvas de modo a nunca mais poder fechá-las. Depois disso, todo o silêncio foi quebrado e as minhas perguntas passaram a ter respostas repletas de outras vozes. Foi então que comecei a coleccionar todas as luzes que a noite pintava no céu. As marés vivas, o mar chão, as tempestades, a Lua, o Sol passaram a ser recebidos sem aquela concha protectora. 

Agora o que me resta dela é a necessidade do mar. Quebrou-se a concha, quebrou-se a ausência de ruído. Restam ainda muito vestígios de todo aquele crescimento. Um deles foi o de ter atenção aos pequenos apontamentos, outro o de saber escutar, outro o de gostar de silêncio. Mas sem duvida que o maior deles foi, o de me terem ensinado a crescer dentro de uma concha, mas com o esqueleto e a coluna vertebral do Amor. 




Jericoacoara

quarta-feira, 8 de abril de 2015

A sensação de Ser por dentro e por fora


Há dias que tenho toda a certeza do que vou encontrar no espelho. Há dias que por muito que olhe não consigo ver o que está ali à minha frente. Lembro-me de várias vezes ter a sensação, sobretudo a partir da adolescência, de ser constituída por duas parte, a de fora e a de dentro. E de existir um espaço, uma caixa de ar, entre as duas.

Esta semana esta sensação voltou... Creio ter-lhe encontrado a razão. Há uma Rita que volta ao trabalho, que volta a picar o ponto, que volta a cumprir horários, que volta à obrigação e aos 70% de capa profissional e eficácia e, a outra, a de dentro, que continua a querer estar em pleno nos 30%. 
O ar continua a passar na caixa e às vezes faz ventos tempestuosos. Empurra para um lado, empurra para o outro e a "coisa", chamada de Vida, vai-se equilibrando. 

E depois das tempestades penso que tendo nós uma única oportunidade para estar Cá, e desta forma, fará sentido vivermos a maior parte da nossa vida no modo 70% ?! A responder às exigências de alguém, a concretizar os objetivos de alguém, a receber em troca o que alguém estipula?  Ou faria mais sentido nós respondermos às exigências pessoais, concretizarmos os objectivos pessoais e recebermos vários tipos de moedas em troca?


Em modo Jeri ... 

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Em Jericoacoara, em cima do equador, a alma perde o norte




Terminar a etapa que me tinha afastado do Beijo Sabura e sair do país foi a maior chave de ouro.
Todos (ou quase) saboreamos as vitórias com sabor de mel quando o percurso foi de fel. Entre muitas "tempestades" fechei um ciclo, ou se calhar vários... ainda não me reposicionei no Mundo para o perceber. Fui de férias, para o outro lado do mar, mas sempre acompanhada por ele. Não há outro meio para renovar energias. Mar, força das marés, sal nos lábios, chinelo no pé e calor. 

Diz-se que viajar é trocar a roupa à alma. Para mim, viajar troca-me a alma! Aliás, devolve-me a alma. Parar, sair das linhas habituais, desconhecer o caminho, olhar pela primeira vez, revisitar, adaptar, beber todas as conversas fora de tom, escutar o novo silêncio, fotografar com olhos, boca e mãos. 
Jericoacoara (BRS) é uma vila pequena dentro de um gigantesco céu e um enorme mar. Chegada do hemisfério norte foi impossível não reparar no tamanho do céu e na distância da linha do horizonte. Como diz o Chico "tanto mar, tanto mar". Lá, o sol demora mais tempo a beijar o mar, do que cá. Lá, anda-se, não se corre. Lá, está tudo certo. Lá, a última onda demora muito mais tempo a chegar.

Lá, estamos próximos da linha que junta o sul e o norte. E nesse encontro perfeito acabamos por perder o norte da alma.

Jeri ...























Onde ficar: Casa da Lydie ou Pousada La Villa (a Yasmina receber-vos-á 5*****)
Onde comer: Freddyssimo (sabores italianos da horta) e o Bistrôgonoff (serve o melhor suco de abacaxi com hortelã)
O que beber: água engarrafada, sucos naturais e muita caipirinha 
O que comer: peixe grelhado, picanha argentina e todas as ostras do Sr. Francisco (12 reais = 12 ostras)
O que fazer: NADA! Ou andar a pé pela beira mar. Eventualmente se quiserem gastar muita energia, stand up e dançar forró ou reggae.
O que visitar: Mangue Seco para comer caranguejo. E, eventualmente, a Lagoa Paraíso e a Duna do Pôr do Sol! 
Transporte: cavalo!!! 
Protector solar: 50 ALWAYS!
Cuidados a ter: Ter força para regressar à vida!