terça-feira, 30 de dezembro de 2014

2014 para 2015

Não foi um ano especialmente positivo. Não foi. Estive a rever os meus votos feitos em 2013 para o ano seguinte e, na realidade, são apenas votos, sem nenhum poder de decisão na concretização dos sonhos. Foi um ano de perdas e de alguns ganhos. Ganhos feitos a custo de pancada, mas muito valiosos. Um nascimento foi a principal surpresa.

Acabo o ano com a bateria a 10% e neste preciso momento não sei como recarregá-la. Felizmente existe um projecto que se mantém e cada vez melhor, o da maternidade. Ao invés, o da amizade sofreu alguns assombros, aliás, descobertas menos felizes. Felizmente as que já estavam sólidas, sólidas permaneceram. Sei cuidar delas e parte do meu ser alimenta-se disso.

Não é um fechar de ano feliz, o 2015 vai ser a continuação deste e sei que se vai manter igualmente duro. Duro porque nas alturas mais "cruéis" e de extremos, por norma as entranhas das pessoas vêm ao de cima e passamos a conhecer o verdadeiro ser de cada um. Por vezes somos surpreendidos pela positiva, outras pela negativa. Custam-me muito as negativas, como é óbvio. Não sei lidar com jogos de vida. Não lhes vejo vantagem nenhuma. Não gosto de competir. Não gosto de injustiça. Não gosto da falta de respeito. Não gosto que me sorriam quando me querem bater. Não gosto que não me digam onde errei. Não gosto que não me digam onde venci. Não gosto de sentir que não avancei na vida. Não gosto de trabalhar sozinha. Não gosto de sobreviver financeiramente. Não gosto de pessoas falsas à minha volta. Não gosto de ficar calada. Não gosto de comer sozinha. Não quero ficar onde me acomodei. Gosto de partilha, de construção, de equipas, de força, de apoio, de amor, de esforço em colectivo. Gosto que me digam "Posso contar contigo?". Gosto de desafios. Gosto de estar parada em frente ao sol. Preciso de amizades e amores. Quero acreditar mais em mim. Não quero deixar de acreditar em mais ninguém. Gosto de me ultrapassar e de me vencer. 

Passo de ano porque é obrigatório, não posso andar a fugir ao tempo. O festejo acontecerá porque tudo é festa nessa noite. Fico a 15 anos de uma passagem de ano medonha e a 15 do ano 2030. Talvez nessa altura os planos sejam outros...

   

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

24 de Dezembro ... o que era, o que é


24 de Dezembro, 2014

Naquele tempo eram 2 avós, 6 filhos, 6 genros e nora, 9 netos. Vinte e três pessoas certas à mesa e mais umas quantas flutuantes, consoante a maré dos namoros. A chegada à casa era feita a conta-gotas. Primeiro chegavam os que vinham de longe e depois começavam a aproximar-se os que moravam ali perto.
Uma casa branca, no meio de um pinhal. Uma chaminé a fumegar de manhã à noite. Uma mesa corrida cheia de tachos e panelas. Bancos corridos feitos com tábuas quando as cadeiras faltavam. Alguidares tapados onde levedavam as massas. Enfeites do pinheiro, e da casa, a cargo dos netos. Prendas, devidamente identificadas, colocadas na sua base. Mulheres na cozinha, homens na adega. À ceia, tal como na Noite de Natal da Sophia, os copos de cristal também saíam do armário. Um louceiro azul claro com puxadores de metal. Os pratos eram de motivos diversos, uns com pássaros desenhados (e os netos preferiam sempre estes) e outros com o Papa João Paulo II. Todos os anos a ementa era a mesma mas era sempre como se a provássemos pela primeira vez. Caras de bacalhau, batatas cozidas, couves e muitas sobremesas. Finda a refeição enquanto umas mulheres lavavam a loiça com a água aquecida na lareira, outras juntavam-se ao lume para fritar as massas já levadadas. Entretanto, o café de cevada era aquecido nas brasas em grandes cafeteiras. O cheiro da casa andava entre o fumo, o café e os fritos, colando-se à roupa escolhida a dedo para a cerimónia. As crianças, após a ceia, saíam de casa para que os nervos não dessem cabo das prendas, nem da tranquilidade dos adultos. Saíam de casa e quase sempre íam jogar às escondidas, numa noite escura mas estrelada. Tudo era esconderijo, as couves da fazenda do vizinho, os pinheiros e sobreiros do pinhal, os carros estacionados. Havia quem se aventurasse a ir mais longe e saía com as “pasteleiras” dos avós para uma volta maior. Findos os trabalhos de casa, era dada autorização a duas crianças para distribuírem os presentes. Para mim, como só aquela festa fazia sentido, transportava os presentes que tinha recebido em minha casa, para casa dos avós. A festa era aquela. Onde a cerimónia era levada a sério, onde toda a família se juntava em casa dos mais velhos. Quando soavam as doze badaladas o mais velho, Mário, lançava os seus foguetes. Naquele momento nascíamos todos de novo. A festa era sempre a mesma, mas era sempre a primeira vez.
Neste tempo de agora são 10 avós, 8 filhos, 1 genro e 15 netos. A mesa já não é corrida. Foi dividida em várias partes e levada por cada um para sua casa. A cerimónia ficou na memória e na saudade. 
Agora, na nossa parte, somos dois avós, uma filha e um neto. Os rituais mantém-se, excepto as escondidas no pinhal e o lançamento dos foguetes. Hoje deixamos velas acesas durante a noite. Somos felizes assim e sabemos o quanto somos sortudos por permaceremos juntos, mas falta cá gente, cheiros e barulhos. Talvez o que nos falte cá em baixo, seja aquela Luz  da Memória que nos ilumina cada vez com mais intensidade. 

sábado, 1 de novembro de 2014

Pão por Deus, valha-me Deus!


A tradição já não é o que era... "Pão por Deus, Pão por Deus! Bolinhos, bolinhos em louvor de todos os santinhos"

“Vão os três, cada um com um saco de pano. Tocam à porta e cantam o Pão Por Deus. Depois ouvem a resposta, agradecem e seguem. Se alguém vos convidar a entrar em casa, o que dizem?”

“Obrigado, mas não!”

“Podem ir...”

E foram. Seis, sete e dez anos (e trinta e nove a acompanhar a primeira casa para fotografar o momento!). Foram. E não foram pelos andares do prédio, foram pelas ruas de um bairro recheado de vivendas, à partida tranquilo. Quinze horas!

A rua é comprida, cerca de dez casas de cada lado “Dá pano para mangas” pensou. Ou, neste caso, "Bolinhos para saco". Eles continuaram pela rua e ela rapidamente encontrou tarefas para fazer no espaço fora da casa. Subitamente teve de varrer o quintal, regar as plantas, cortar pontas soltas das árvores, apanhar as azeitonas que caíram para o chão, tratar do pássaro... no entretanto, a cabeça dela espreitava para a rua e lá estavam eles: “Que bom! Que engraçado! Bons tempos os meus quando eu pedia o Pão por Deus! Ainda bem que eles vão sentir o mesmo.”

“Já devem ter terminado a rua... Se calhar já estão a voltar...”        ...
“Não...”        ...
“Já tinham tido tempo para fazer a rua e voltar para trás...”          ... 
“Não”         ...
“Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh.... esqueci-me de avisá-los para não se afastarem!!! Caraças! Mas eles não se afastam, de certeza...!”
...
“Se calhar é melhor ir ao fundo da rua verificar onde estão. Levas a máquina fotográfica só para disfarçar”...

“Uff, ainda lá estão! Agora voltam para trás de certeza, já devem estar cansados”
...
“Estranho, nunca mais chegam”    ...

“Porra, nunca mais chegam”    ...

“Ai a gaita, nunca mais chegam”   ...

“E agora?! Será que se atreveram a ir para mais longe?! E se eu saio de casa para ir procurar e eles regressam?! E ...”

e, começaram a chegar doses e doses de imagens, filmes, sequências de terror. Começaram a chegar as aberturas dos telejornais, as capas do Correio de Manhã, os azares de uma vida e a linha ténue entre a felicidade e o pânico...

“Eh pá, caramba, mas porque não voltam?! Será que foram até ao parque?! E...”

e, chegaram as imagens do azar de um dia inofensivo, os atropelamentos e raptos

“Caraças, mas como é que eu quando era pequena fazia isto com os meus primos, e agora não consigo como mãe?! Ai que lindo! Lindo trabalhar a autonomia! Pois, pois... Mas de baixo do meu olho! Caraças, e se eles se perdem? E... “

e, chegou o alívio de ter como prática maternal fazer decorar a morada e o número de telefone, tal como o que fazer no caso de se perder. De seguida chegou a fúria da limpeza. Canalizar forças e suor para aspirar, lavar, limpar, esfregar, arrumar.

“Ah! ah! ah! Bela ansiedade esta construção de autonomia! Raios! Mas eu era pequena, saía de casa com os meus primos, voltávamos à noite, andávamos por estradas de alcatrão, terra e mato e ninguém nos procurava, e não havia telemóveis! Será que elas (mãe e tias) nos espiavam? Não acredito! Só precisávamos de chegar à noite e pronto! E no entretanto lanchávamos o que recebíamos e ninguém se alarmava! E...”

e, pensou no que as pessoas fundamentais à sua vida diriam desta situação,
“A Rita vai adorar a experiência, de certeza. Hummm. Afinal isto até é giro! E vai dizer que até tive muita coragem”
“A Marta vai dizer-me que isto é espetacular e que quer que o seu filho faça esta brincadeira. Hummm. E vai fazer!”
“A Paula Sena vai amar e rir-se na minha tromba! Hummm. Ela provavelmente fez o mesmo com o filho!”
“ Os irresponsáveis vão achar que sou totó, que é um exagero mas o que fazer?!
São totós!”
“A minha mãe ... hummm ... não faço ideia, e tenho curiosidade em saber!”


e, mesmo assim chegou o calor e suor ao corpo. Ok. Acabou o tempo deles. Tivesse ela companhia e um saía por um lado da rua, e o outro por outro. Mas não. A hipótese era deslocar-se de forma rápida. Saiu de carro, mas antes deixou um papel escrito, em cima do banco de jardim “Meninos, se chegarem a casa liguem para o meu telefone, a partir do telefone de casa”

“E agora? Vou por onde? Já sei, vou em direcção ao Parque que é o sítio onde vão ficar eternidades a brincar. Mas e a estrada? Tu já o ensinaste a atravessar é certo, mas é sempre contigo por perto, é certo! Aiiiiiiiiiii e os pedófilos malucos que andam nos parques?! E... ”

e, saiu a toda a velocidade no carro, deixou os portões abertos no caso de eles chegarem e perceberem que podiam/deviam entrar. Levou a máquina fotográfica no caso de não querer dar parte fraca e fingir estar a fotografar a fauna e flora do bairro! Subiu uma rua longa, enorme, gigante, cortou à esquerda. Nada. Outra rua longa, enorme, gigante. Nada. Um carro tapava o portão de uma casa. Lá estavam eles, à porta, esperando por mais uma surpresa.

“Uffffffffff... e agora?! Vou-me embora para não trair o voto de confiança que lhes dei? Agarro a máquina fotográfica e fotografo?! Finjo que ia só a passar?! Ui! Catada!”

“Olá, periquitos! Estão todos bem?!”

“Simmmm (todos transpirados!). Porque é que estás aqui de carro?”

“Think fast... think fast... think fast! Porque estava a ficar preocupada convosco e decidido procurar-vos, e também porque me esqueci de vos dizer para não se afastarem muito. Esta é a rua limite. (imagens da bruxa Arreganhadentes descem sobre mim – “Não vão para lá do meio do bosque porque lá mora uma bruxa que come criancinhas desaparecidas e com os seus ossos constrói o muro da sua casa”) Continuem. Já sabem, sempre pelo passeio!”

o alívio e alegria tomaram conta da ansiedade!

“Que bom! Que engraçado! Bons tempos os meus quando eu pedia o Pão por Deus!” e voltou a esperar...
...
...
“Mas que diabo, só faltavam duas ruas, porque demoram tanto tempo?! Oh não, tudo outra vez?! Mas desta vez sabes o itinerário, vai espreitar à esquina!”

Lá estavam, à porta de mais uma casa...

Às dezassete e trinta entraram em casa. Suados, cansados e com três sacos cheios de doces, fruta, bolachas, moedas, frutos secos. A palavra “muito”, pela parte deles, foi repetida várias vezes para descrever o Bom que a tarde de Pão Por Deus foi. Pela minha parte a palavra “muito” foi utilizada para descrever o quanto me custou, mas também o quanto eu fiquei orgulhosa de os ver sozinhos na rua e a crescerem. A saberem falar com pessoas estranhas. Saberem agradecer tudo. Saberem aceitar as respostas. Saberem andar na rua, na estrada.

Felizmente que a primeira saída à noite está longe, bem como a primeira viagem solitária... Pão por Deus, valha-me Deus!




                     











terça-feira, 26 de agosto de 2014

Só um pequeno "olá"

Muito Amor em férias e agora muita motivação para escrever com as normas da APA. Poucos dias de férias mas bem cheios.
Não largo este Beijo Sabura, apenas vos digo que o tempo é de focus em terminar uma tese. Já vai longo o tempo de ver a linha da meta e não alcançá-la.

A vida, agora, passa por concentração e amor... (em doses industriais!).

Quando aqui voltar, com regularidade, contarei das coisas boas que umas férias sem electricidade me trouxe. 

Beijos Sabura.








sábado, 2 de agosto de 2014

Vamos para a Suiça de Portugal!



Acho que, pela primeira vez na minha vida, a música "eu gosto é do verão, de passearmos de prancha na mão, saltarmos e rirmos na praia, e apanharmos um grande escaldão..." não se vai encaixar com as minhas férias...

Aqui a mãe Sabura é Andorinha para andar sempre atrás do calor, sempre. Rapariga que aponta as coordenadas SEMPRE a Sul nas férias, apesar do cheiro nauseabundo daquela erva que por lá existe - os coen...s - Este ano, para minha angustia, desespero e por adiante não consegui dar ao meu Guerreiro umas férias de hotel, com todo o tempo do mundo para nos mimarmos, todas as actividades magníficas, as refeições nos restaurantes a aparecerem feitas à nossa frente. O meu filho sofre do Síndrome RestauranteHotelSpaPorfavor, é um facto. E, depois de muita lágrima limpa e auto estima acalentada, surgiram-nos os outros planos de férias. 

E ao sabor e ritmo deste mundo virado do avesso, também estes planos nos viraram a agulha magnética e deixaram com a boca aberta e as mãos a tapá-la.
Este ano a família Sabura não vai Sul, nem para Sudoeste, nem para Oeste, mas sim para Norte !!! (ainda me é difícil escrever isto). Sim, vou ultrapassar a linha que separa o Sul do Norte (lá para perto de Aveiro) e a minha BemHaja (leia-se transporte de carga) vai continuar a rodar! E vai rodar muito! Depois vai inclinar-se para a direita, vai começar a fazer curva e contra-curva, subir até aos 700m de altitude e chegar!!!

Férias de verão na "Suiça de Portugal"! 

Toalha de praia? Entre estas montanhas vale a pena? Vale porque lá existem umas piscinas naturais, bem bonitas!

Protector solar? Acho que no geral, de norte a sul, ninguém tem precisado dele!

Vestidos compridos de Verão? Sim, com um casaco por cima!

Calçado resumido às Birck e às Havaianas? Não, nunca se sabe se não chove, ou se não nos dá na cabeça de trepar pelos maciços!

Tenda? Não será preciso, estaremos rodeados de xisto!

Carregadores de computador, iPad, iPhone, etc.? Claro que não! Lanternas, velas e petróleo? Claro que sim!

E agora vocês ficaram a pensar... que romântica é aquela moça. Umas férias super eficientes energeticamente, compegada ecológica certa, super eco-freaks, super naturais, super zen... certo?! E eu respondo-vos: ERRADO! Porquê?! Porque a casa onde vamos estar não tem electricidade! Say what?! Verdade, meus Senhores! Férias Sabura sem electricidade, no meio da Serra da Estrela, onde o pôr do sol é atrás de uma montanha e não na linha do horizonte!
Como é que isto aconteceu?! Em virtude de não ter conseguido voos para a Sardenha, vamos passar esta semana com dois bons amigos que há algum tempo fazem férias nesta parte do nosso Portugal. Eles dizem que se divertem à grande e que, chegada a noite, seja verão seja inverno, acendem a lareira e ali adormecem no quentinho!

Ou seja, vamos passar uma semana sem interruptores, tomadas, fichas, carregadores, facebook, instagram, computadores, iPad, iPhone,notícias do BES, música, torradeira... ahhhhhhhhhhhhhhhhh e sem coentros!!!! Só xisto, xisto, xisto! Dois adultos, duas crianças, uma BemHaja e muito xisto! 

Isto não é um drama, por sinal, estamos a considerar a parte mais divertida das férias o facto de não termos electricidade! Mas que mexe com as dinâmicas habituais, mexe! Portanto, amigos Sabura, não terei grande hipótese de vir até este cantinho virtual e colar aqui os meus pequenos-nadas. Prometo escrever, mas em papel. E sei que vou escrever! Se conseguir tiro uma foto ao que escrevi e coloco no facebook do Sabura ou no meu InstagramQuero partilhar como se vive sem electricidade na era da tecnologia! Talvez me habitue e no nosso Castelo Sabura abdique de tal acessório!

Para já, aqui fica uma imagem do tal lugar atrás de onde o sol se põe... 
Até breve! Não se esqueçam "Um pequeno nada por dia, é Sabura e dá alegria!"







É o início de um "belo" estado-espiral.


Pelo facto de ainda não ter alcançado um dos meus objectivos para este ano, e de saber que a próxima hipótese é daqui a um ano, questiono tantas a minha força perante a Vida, a minha aprendizagem Nela, e a minha luta individual. 
Questiono, muito. E há dias em que a resposta do nosso corpo faz latejar o nosso cérebro. Outros há em que o encolhe os nossos membros. E ainda outros existem em que a alma fica tão picante que, as nossas lágrimas deviam passar de salgado a doce, só para acalmar a dor que nela vai. Há dias em que de nenhum lado chega uma resposta capaz e única coisa que se aproxima são mais e mais questões.  É o início de um "belo" estado-espiral.

Lutei o suficiente?
Batalhei o que devia?
Mexi-me como podia?
...

Há dias em que sabemos as respostas a todas as questões e não gostamos de nenhuma delas... São verdadeiros pesadelos. 
Há dias em que só o Amor verdadeiro e infinito salvam esta nação. Nenhum outro o faz. Eu tenho cá desse!

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

A Coca-Cola é amiga do povo e uma grande rede social!


A Coca-Cola é amiga do povo e uma grande rede social! 

Primeiro vieram os nomes escritos, depois vieram as frases "a tua irmã", "o teu avô", "a tua mãe", etc. A malta já não leva uma lata qualquer da prateleira do supermercado, mas sim Aquela lata que lhe lembra alguém. E hoje, ao cometer o gravíssimo erro de pedir uma lata de Coca-Cola Zero, não me lembrei de nenhum destes factos.
O caso foi o seguinte: "Mãe Sabura" lambuzava a sua rica refeição acompanhada desta bebida capitalista quando, Guerreiro de Voz Branca, curva o pescoço e começa a ler o letreiro... "Olha... é mesmo para ti esta lata, Mãe!". O que é que eu pensei? Que quando eu própria virasse o pescoço para ler, iria encontrar "a tua mãe", "a mãe mais linda", "a mãe mais cuti cuti do mundo!" Mas... nada. As únicas letras que a Coca-Cola conseguiu juntar naquela lata foram "O teu namorado"... Ora pois, bonito serviço! Daí até uma conversa muito séria, com muita troca de ideais, desejos, formas de estar, crenças e sentidos da Vida... foi a lata de um trago só! E eu, tal como vós, fico sempre sem resposta na pronta solução para a Vida que as crianças têm.

"Oh Mãe, então mas tu não tens namorado?

...

Eu só queria mesmo era ter um mano, ou uma mana. Por isso é fácil, não é?!"


Este exemplo de "a-vida-afinal-pode-ser-feita-sem-um-gajo-em-casa" numa família mono parental leva a isto. Jasus! Benzá Deus Senhores da Cola-Cola! 
Consequentemente vou deixar aqui sugestões de mais temas para as latas, de forma a promover o diálogo entre as famílias mono e bi!

"É verdade que as mães sabem sempre tudo"
"A mulher mais sábia da tua vida é a tua mãe, por isso acabas por te casar com uma fotocópia dela!"
"A tua mãe e o teu pai têm dois números de cidadão, jamais serão iguais!"
"A tua impressão digital é única"
"A tua vizinha anda a espreitar as tuas chegadas"
"A Coca-Cola desenferruja pregos"
"Nesta lata não se colocam likes"
"O líquido amniótico da mãe do Nuno Crato tinha veneno"
"Não ofereças isto a ninguém"
"Big Bang"
"Jerusalém"

... pode ser que assim os assuntos básicos da Vida passem despercebidos e a malta se entretenha a reflectir sobre coisas sérias!











quinta-feira, 31 de julho de 2014

Entra Agosto, sai desgosto




Passar os últimos dias a trabalhar na companhia de quem mais amo tem sido o que me aguenta neste "QUASE de férias"... É um quase difícil de roer, de mastigar e de engolir! Sou pessoa expert no negócio de "não fazer nada obrigatório nas férias"! Mesmo! E preciso disso! Preciso deixar de saber o dia da semana e guiar-me pela posição do sol e pelas estrelas. Preciso vestir o primeiro trapo que vem à mão. Tomar o pequeno-almoço sem tempo, ler as revistas cor-de-rosa antigas, passear a pé o tempo que me apetecer, enfiar-me no carro e parar não sei onde, dormir sestas na praia, ficar em silêncio a ver um pôr de sol ou bater palmas por ele, almoçar qualquer coisa e jantar em gourmet, brincar e construir com o meu filho! Preciso largar a palavra OBRIGATÓRIO, just that! 

Nesta profissão da educação os professores vislumbram férias em Agosto, um excelente mês para as gozar, como bem sabeis, mas enfim..."professores" e "multidão" rimam por isso nós já não nos queixamos. Eu lá estarei a gozar um pouco de dolce fare niente e, tentando escrever bonito em modo APA-academês!

(Tiçanita o gabinete ficou ensacado! Tudo em sacos de pano e devidamente identificados! Se precisar de o que quer que seja, leve! Não se assuste, recebi ordens para mudarmos de gabinete, só isso! Reze ao seu Deus e peça-Lhe as Suas duas mãozinhas na mudança, pode ser?!)

(Carolina, estou a canalizar a minha raiva para a escrita, quando eu te entregar algum texto para leres tem cuidado, certifica-te que tens o tétano em dia... Estás avisada!)



                                      













quarta-feira, 30 de julho de 2014

Poucas palavrinhas para uma das verdades mais difíceis











Conhece-te primeiro e depois tenta descobrir o outro...















Esta resposta tem uma vida inteira atrás do nosso presente...





Mais um Dia a comemorar... o da Amizade. Entre todos os outros dias do ano, este relembra-nos esta relação especial. A frase "Um amigo é..."  lembra-me os exercícios dados na escola nestas ocasiões especiais. Por norma as respostas são rápidas e comuns, mas na verdade, continuar esta frase tem que se lhe diga! Esta resposta tem uma vida inteira atrás do nosso presente. 
Quando era pequena a matriarca lá de casa acusava-me de eu ser uma espécie de "Santa casa da Misericórdia" para os amigos, e nunca pensar em mim. Sempre ouvi isto, mas nunca alterei o comportamento com os meus amigos; apenas alterei o comportamento com ela, fugindo às conversas acerca dos amigos. Nunca achei que estivesse a fazer alguma coisa que não devia ser feita. Numa família biológica - onde não existe o que uma boa amizade contempla (conversas sobre tudo e sobre nada, companheirismo, apoio às racionalidades e às irracionalidades...), procura e constrói-se a família dos amigos. E é com ela que também cresço. É ela o meu porto de abrigo, nos bons e nos maus momentos. É ela que abraça todas as minhas duvidas, anseios, vontades, desesperos, alegrias, desabafos, parvoíces, loucuras, estados de espírito, experiências, viagens... E apesar da rede social Facebookiana nos trazer, todos os dias, centenas de amigos, a realidade é que os Reais Amigos são sempre poucos, mas bons e "nossos". Entre conhecidos e amigos há todo um mar de distância. 
E eu orgulho-me muitos dos meus. São pessoas tão diferentes mas tão iguais. Iguais em crenças, em delírios, em sentido de humor, em estar com o outro, em investir no outro. Nada diferentes dos vossos, acredito. Uma vida de amigos não tem preço, nem cobra nada, apenas Está e É. Em tudo! Quando assim não acontece temos sempre duas hipóteses: ou há interesse e investimos, ou não há interesse em avançar mais na amizade e deixamos como está.
Eu não tenho duvida que, entre Cabanas de Tavira e a Quinta do Senhor Libório, entre hotéis e tendas, entre batons do cieiro e cremes para o corpo, entre mar e serra, entre mojitos e gin tónicos, entre uma morna e uma europeia, entre um telefonema diário e um telefonema anual, entre um compromisso e um descompromisso, entre uma cerveja e um pôr do sol, entre um sushi e um bolo de chocolate caseiro, entre um "achaque" e um rir a bandeiras despregadas, entre um silêncio e um grito eu tenho os melhores Amigos do meu mundo!