sábado, 30 de novembro de 2013

A Prova - me, Crato!

Já todos devem saber de mais uma medida do Ministro da Educação português, Nuno Descrato. Desta vez resolveu tapar os olhos ao mundo e à UE, com uma peneira chamada "Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades". Uma prova que apenas serve para efeitos de concurso ao Estado, não para progressão na carreira ou para uma entrada na Ordem dos Professores (naturalmente esta última seria impossível uma vez que não existe Ordem nenhuma)... esta prova apenas serve para: desvalorizar ainda mais a escola pública (naturalmente há gente que prefere não ter de provar nada ao senhor Descrato e ficar pelos estabelecimentos privados, o que, tendo em conta o financiamento que o Estado irá fazer nestes, será a melhor solução); serve para atestar que um professor que todos os anos desespera por uma colocação em qualquer parte do país, ou em que data for, prove que ainda é competente e capaz; serve para colocar em questão o trabalho sério, académico e profissional dos Institutos Politécnicos; serve para mandar embora milhares de pessoas dos concursos do Estado (uma vez que a prova consta de uma primeira parte de resposta com cruzes - estilo exame teórico de condução, onde um pequeno erro é a morte do artista, e onde dez erros atestam a incapacidade e a incompetência de qualquer professor); serve também para "sacar" 40.000 vezes 35 euros (ou 20, no caso de o candidato chumbar na primeira prova), a quem já participa em todos os impostos, taxas e sobre taxas para o Estado; serve para chamar incompetentes, cagunfas, mariquinhas, totós a milhares de pessoas que têm medo e não tendo outra solução preferem dar dinheiro ao Estado e provar que são capazes, do que ficar na fila do desemprego; serve para colegas voltarem a ser agentes da PIDE e serem colocados a vigiar e corrigir a prova dos outros colegas que, em muitos casos, até terão menos anos de experiência enquanto docentes; serve para, mais uma vez, não faltar ao compromisso dos cortes do orçamento; serve para regredirmos mais de meio século na história da educação; serve para dizer que, mediante umas respostas em cruz e um texto de poucas linhas, eu sou competente e tenho capacidades para ser professora. Incrível como este país está desolado de esperança, de vergonha, de falta de escrúpulos e de criminosos no poder. Há uns tempos um conhecido meu dizia que resolvia tudo com uma bomba... na altura tentei "explicar-lhe" que violência gera violência, amor gera amor, etc. Se o voltar  a ouvir falar em bombas tenho de lhe dar razão. "Uma bomba" é a única coisa que me chega ao pensamento quando penso no que este energúmeno está a fazer à educação de Portugal. E o que posso eu fazer, para além de educar os meus alunos e o meu filho a Serem Gente competente, cidadãos activos, pessoas críticas, seres felizes, seres capazes de dar e receber com amor?! Não sei... estou "desesperançada". Estou a sentir que podem "matar" o conhecimento do  meu filho, que lhe podem formatar a cabeça com tanta trampa científica, que vai passar oito horas do seu dia a aniquilar a sua criatividade. E isto agonia, tira poderes e sorrisos. 

Grave é que também me inscrevi na merda da prova. Grave porque também tenho medo. Pouco a pouco eles vão conseguindo levar a água ao seu moinho... um povo com medo. Trabalho numa instituição privada, sem apoios do Estado, e que, como qualquer outra, também não atravessa bons tempos. Inscrevi-me na PACC quando me apercebi que não fazê-lo era fechar uma oportunidade de emprego. Nunca fiz questão de trabalhar no estado, não tenho essa ideologia. Até agora sempre trabalhei onde desejei, junto dos que me valorizavam e com quem eu queria construir equipa. A partir da semana passada vejo/sinto que este país onde moro, para o qual desconto, onde invisto me está a tapar o Sonho, o Futuro. Tenho à frente uma trincheira escavado pelo meu próprio Estado. A barreira da minha vida é o meu Estado (que se intitula livre e de direitos). Por estas razões, a semana passada, dei o corpo ao manifesto e, contra os meus valores, me inscrevi em mais uma invenção deste energúmeno Descrato. Vocês, que não são professores, e que lêem estes desabafos (se conseguiram chegar a estas linhas sem vomitar de tédio.. :) ) já pensaram no que estão a fazer aos vossos filhos, sobrinhos, vizinhos, afilhados... com estas medidas impostas aos professores? Não é só uma classe que é atingida, são todas as pessoas. Estas medidas matam a Educação, e não é difícil perceber isso. E é por isto que eu não percebo porque é que em Manifestações de professores não se vêm Pessoas que não são professores, que são pais, amigos, familiares.
O futuro vai ser ainda pior, e isso preocupa-me, muito!
Não quero esperar, quero ter esperança.
A semana passada vendi-me por 20 euros ao Ministério da Educação e Ciência.
A semana passada senti-me uma puta vendida a um chulo, e esse era o meu Estado.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Mantra do dia

"Ai que saudade que eu tenho de ter saudade, saudades de ter alguém, que aqui está e não existe..."


Pedro da Silva Martins

Under a hat

Foi hoje que aqueci os pensamentos. Nada como a verdade para nos aquecer a força. Afinal um chapéu não esconde mentira nenhuma apenas aconchega a verdade! 

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

80's ...há excepções

É certo e sabido que os 80' não são a minha dança, mas há marcos musicais nesses anos. Esta "De volta p'ro meu aconchego" da Elba Ramalho sabe-me bem, sobretudo quando procuro, projecto ou construo o meu ninho. Neste dia especialmente frio em que me apetece aconchegar no Sol e virar os cantos da boca para cima, faz-me muito bem escutar este aconchego...



É hoje



É hoje, hoje e hoje que eu me vou a eles... este calor soviético anda a congelar-me os pensamentos e eu vou dar-lhes cobertura!










Where is the love?


quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Boots are made for walking, keep on moving

Hoje descalcei uma bota e encontrei vinte para calçar de novo...
Depois de uma mudança e da vida ainda encaixotada, não havia meio de encontrar as minhas botas de inverno. Cá fora restavam uns pares de Birkenstock, umas Havaianas, uns Onitsuka e dois pares de sabrinas... tudo, claro, o mais indicado para aqueles dias de chuva e frio. Decidi que tinha de comprar um par de botas, qualquer coisa barata, não-pirosa e que fizesse o "pandan" entre os modelitos vestidos pela "je". Investi, muito contrariada, quarenta euros nas botas. A vida não está para luxos. Quando calcei aquelas botas achei que tinham poderes espe(a)ciais. Com um pouco de salto elas faziam sentir-me na Lua. Na realidade, quando calcei aquelas botas a minha felicidade acompanhou a subida daqueles centímetros. Eram poucos, talvez uns cinco, mas a minha vida começou a levitar de felicidade. Passaram os dias e com o uso diário das botas, a minha felicidade foi acompanhando o desgaste das solas. Eu fui descendo e elas foram ficando cada vez mais gastas. Ou, elas foram ficando mais gastas e eu fui descendo. O certo é que um dia o salto partiu-se. E eu, quase que me partia também. Queda a pique e rezas a São Bartolomeu, Santo padroeiro dos sapateiros. Ou seja, fiquei de sabrinas, Onitsuka e com a felicidade rasa ao chão. Nada é por acaso, por isso, não seria de esperar que o tamanho de uns saltos ou o estilo de um sapato fossem. São Bartolomeu ouviu-me e colocou o salto. Não conseguiu foi repor a felicidade. Salto remendado, mas felicidade em baixo. Passados alguns desesperos de não encontrar a caixa das botas, resolvi acreditar que tudo isto era uma mensagem do Universo para mim (fórmula de "encaixe positivo" para tudo na vida). Mas que mensagem? Tinha de encontrar A Leitura da Mensagem... e não foi difícil... "d e s a p e g o", miúda! "Desapega-te do que tens a mais e não faz verdadeiramente falta" (também nunca cheguei a encontrar uma caixa com roupa de verão, na estação passada). "Be and keep it simple". "Larga, solta". "A tua mãe ia descalça para a escola e não tem joanetes"...e por aí fora. E assim continuei a caminhar. Chuva, frio e um par de botas calçadas, com um salto remendado. Até hoje... até hoje! Até hoje, dia em  descalcei uma bota, aquela bota do salto remendado, e resolvi eu própria remendar o salto da felicidade. Calcei-me na verdade  e trilhei um atalho de amor. Fiz caminho, em cima do meu salto para felicidade. E do cimo dos meus saltos disse toda a verdade, da forma mais honesta e amorosa que consigo. Ainda com um bocadinho de raiva e tristeza por ter partido o salto, mas já com um andar mais tranquilo. E fiquei feliz. E fiquei muito feliz comigo por ter tido a coragem de tudo dizer, de em tudo ser. 
Depois desta largada de lastro, voltei a casa e sabem que notícia me deram? "Encontrámos a caixa das tuas botas!!!"... e ainda dizem que não há coincidências... boots are made for walking, keep on moving!!!  

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Em catorze tempos


1º Voar
2º Planar ... 
3º Queda a pique
4º Bater com os pés no fundo 
5º Flectir o orgulho e os joelhos
6º Criar impulso
7º Voltar à superfície 
8º Voar
9º Planar ...
10º Deixar de olhar para trás
11º Olhar sempre em frente
12º Redefinir novos destinos
13º Descobrir novas rotas
14º Voar



... é sempre assim... nos sonhos, nos projectos, nas relações amorosas, profissionais, familiares ou de amizade, nas dependências, nos estados. Em todos os nossos estados. 
Voamos alto e a queda é maior. Batemos com muita força no fundo, mas só assim sentimos que temos de assentar a sola dos pés no chão e dar o maior impulso que podemos, para regressar à tona. Depois de uns raios solares no rosto é só voltar a voar, porque na realidade é aquilo que amamos fazer. E será por isto que ainda conseguimos agradecer a quem nos levou ao fundo...
Catorze tempos... 
(uma espécie de Via Sacra pessoal e às vezes com grandes cruzes às costas)




domingo, 24 de novembro de 2013

Mantra do dia

... encontrei-as todas no mesmo lugar, aquele que limpa, ilumina, dá paz, tira-nos do mundo, equilibra-nos...faz com que nos sintamos vivos...





sexta-feira, 22 de novembro de 2013

A coisa aqui está preta

Meus caros amigos, eu quero dizer-vos que a coisa aqui está preta... 



Valem palavras e abraços dos amigos. Há dias cabrons e dias bons, já se sabe. Vale a queda matinal de um filho em cima de mim, e a sua rega com beijos. 

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Lembrança de frio...

Saí de casa e o frio era tanto que me lembrei do sítio onde, pela primeira vez, senti a neve tocar-me... Times Square, Nova Iorque! É bom quando este extremo de temperatura me leva a memórias que aquecem a alma. 
Happy Days and a new begin!





Fotografias tiradas num telefone "touch" - excepto a última, 
que não se dá bem com luvas mas obedece muito bem 
ao touch da ponta do nariz

Pour vous...



Embalo de lua

Boa viagem...

Belief


What do you read?! Who is reading? 
Quando acreditas... fá-lo em ti? Nos outros?
Quando deixas de dizer a verdade... fá-lo para ti? Para os outros?
A mentira ocupa-te o presente mas "pré-ocupa-te" o futuro.
A verdade enche-te o presente e liberta-te o futuro.


segunda-feira, 18 de novembro de 2013

O Futuro és tu que decides? Really?!

"O Futuro és tu que o decides"... esta frase cirandou-me o dia todo. Teve momentos em que acreditei nela, teve outros que não. 

Sou mesmo eu que decido? Ou já está decidido? Se sim, porque é que tantas vezes já sonhei e acreditei, e nada aconteceu? Se não, amanhã vou a um master da astrologia, a um do Tarot, a um da Bola de Cristal, outro da reorganização da energia quântica, compro o livro da Maria Helena, o Borda D'água e fico a saber tudo o que está escrito, em que tipo de papel está e se as linhas estão tortas ou direitas...

Miúda... não era para acontecer, só isso. 
Então?! Mas não sou eu que decido? Foi o que me disseram durante anos. Se sou eu quem decide, então eu queria que aquele sonho se tivesse realizado! 
Sim, mas aceita que nada é por acaso, e tudo é um caminho, uma aprendizagem! Se aceitares, vives mais leve!
Certo, mas sempre me disseram que sou eu que decido o meu futuro, e este não está a ser aquele que eu planeei!
E está a ser assim tão mau?
Claro que há pior! Claro que não é mau, mas não fui eu a decidir este. Eu tinha outras coisas na mente.
Claro que foste. Os teus Presentes decidem o teu Futuro.
E quando os Presentes são envenenados?
Tentas perceber o que um veneno tem de bom e procuras o antídoto. Encontrarás o melhor remédio e já estarás a caminhar!
E quando o caminho do futuro parece contaminado?
Abres os olhos, olhas à tua volta, vês a sorte que tens e agradeces à vida.
E quando estamos no fundo do poço, olhamos para cima e parece que não vamos conseguir subir?
Agarras-te a ti própria, no que és, no que fazes, no que amas, no que te alegra, fechas os olhos, inspiras profundamente e deixas-te levar.
E se eu não encontrar nada disso?
Olha para alguém que amas. Se a amas é porque te vês reflectida nela. Se a admiras é porque há algo que admiras em ti. Contempla-a. Admira-a. Respira com ela.
Certo. Muito bem. Mas e o Futuro?! Sou eu ou não?!
O tempo não pára, avança sempre. Avança com ele. Convida o Futuro a ver o teu Presente. Caminhem os três.  Não te esqueças, És importante. Foste importante. Serás importante. É impossível um ser humano não o ser. 

E o livro da Maria Helena? E  o Borda D'Água?







Ericeira weekend

Antigamente, aquele lugar tanto cheirava a liberdade, como a prisão. Cá fora, o mar encarregava-se do marketing olfactivo e lá dentro era o Tempo que enchia a memória. Cheiro a mar. Cheiro a mofo. Chegar às ruas da vila era avivar a memória dos bolinhos secos, do cheiro a protector solar. Chegar perto do muro era relembrar um "tanto mar"... A Ericeira era sinónimo de férias em casa da melhor amiga, da Mª Joana. Depois foi sinónimo de encontros com amigos. Hoje voltei lá. Cheguei perto do muro e senti o cheiro do mar entranhado num olhar tão antigo. Incrível a distância desta memória. Anda entranhada em mim há cerca de trinta anos. Hoje voltei acompanhada. Companhia de uma amizade que também se entranhou na pele há cerca de trinta anos. Trinta anos seguramente, ou vinte e poucos certamente. 
E penso... o que se passa no meu interior para manter uma memória olfactiva durante trinta anos? E volto a pensar... tenho muita sorte em me cruzar com tanto amor. 



sábado, 16 de novembro de 2013

Almoço de dia 15 novembro

- E o que foi o teu almoço? Foi carne?
- Não
- Peixe?
- Não
- Então?
- Foi Vénus!
- Oi? Vénus? Acompanhado de quê?!
- De sol a queimar a ponta da língua!

O melhor remédio

Tarde ventosa no alto da colina. Luzes da sala apagadas. Velas acessas. Uma única voz a cantar e a contar.
Resultado positivo: três adormeceram e um - o mais hiperactivo e diagnosticado com uma página inteira de injustiças, pela primeira vez não quis fugir da sala ou perguntou se faltava muito para acabar. Desta vez agarrou-se à minha cintura em vez de à rua.
As histórias são o melhor remédio.  

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Histórias de Amor

Beijo Sabura gosta desmesuradamente de histórias de amor. De Histórias de Amor. Com ou sem um final em que viveram felizes para sempre. Prefiro falar dos inícios e dos meios, mais do que dos fins. Já não vejo telenovelas, nem séries televisivas, não tenho a ciência da paz para tais acontecimentos. Agora pelo-me por ouvir/contar uma boa história de amor, cheio de solavancos no terreno. E há pessoas que as contam tão bem... resulta sempre quando estamos apaixonados. Nessa altura somos todos contadores de histórias a amar as nossas palavras. Não há como não o ser, o amor rasga o peito para sair de cá de dentro e abalroar o outro.   

Há palavras...

Ao contrário dos olhos, há palavras que escondem segredos.

Mataram o amor


Retirado daqui One woman show blog

e como dizem os meus alunos "faço minhas as tuas palavras e acrescento: que nos matem o amor mas com dignidade e respeito!"


Mataram o amor. Viva o amor!

O luto do amor é uma dor que não tem direito a três dias de dispensa no trabalho. É dor que não merece os "sentimentos" de ninguém, nem palmadas nas costas, nem alteração do estado no BI
Texto de Cátia Domingues • 04/11/2013 - 11:39


Se o amor tem um luto, o meu foi ontem a enterrar, e a semana não acabará sem que a missa de sétimo dia aconteça.

Na verdade, só o amor sentido é que se veste de negro. É o que se carpe. Amor que é amor é amor fadista de xaile negro pelas costas... é amor que se ama de olhos fechados. É amor em si, em lá e dó.

O amor de verdade tem um corpo que demora a arrefecer, às vezes uma vida inteira. E uma vida inteira é muito tempo. E agora, seguem-se os cinco passos do luto, tão estúpidos quanto humanos.

1. Negação e isolamento: "Isto não pode estar a acontecer. Não pode."

2. Raiva: "É tão injusto. Eu dei tanto. Eu fiz tanto. Eu ainda gosto tanto. Tanto."

3. Negociação e diálogo: "Vou tentar ver o lado positivo. E é desta que vou começar a ir religiosamente ao ginásio."

4. Depressão: "Não consigo. Estou tão triste. É tão frustrante. Será que alguma vez vai passar?"

5. Aceitação: "Vai. Vai passar."

É um amor que não recebe visitas, que não se celebra nunca, que não recebe flores, nem para inglês ver, nem sequer em dia de finados.

É a dor que não tem direito a três dias de dispensa no trabalho. É dor que não merece os "sentimentos" de ninguém, nem palmadas nas costas, nem alteração do estado no bilhete de identidade. 

E porque raio é que isto é menos do que um luto a sério, mesmo quando não é um luto a brincar? Quando se despede de alguém que se ama, iça-se a bandeira a meia-haste e faz-se feriado pessoal.

Esta eterna saudade é verdadeira. Mesmo quando se corre o risco de ver o finado numa noite no Cais do Sodré.

O verdadeiro amor, raramente falece de morte natural. Geralmente é brutalmente assassinado, digno de capa do "Correio da Manhã". Julgado como crime passional numa trágico-comédia de sala de psicólogo.

"É uma pena, ninguém estava à espera. Era um amor tão novo."

Queres saber como é que reages ao luto? Lutando.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

ABêCê

Depois de ontem ter sofrido um acidente-bascular-cerebral que me deixou a báscula emocional descalibrada, que me afectou o coração, deixando-lhe uma ferida para sarar e, quase deixou o cérebro sem comunicação eficaz... era para aqui que eu devia ir e ficar em recobro.





Recursos Humanos

Recursos Humanos...

Nome?
Quando estou com amigos sou  "amiga". Quando estou com o namorado sou "amor". Quando estou a trabalhar sou "Professora". Quando estou com o meu filho oiço "Mãe". Quando estou com a minha mãe ou o meu pai chamam-me "Filha". Há ainda umas pessoas que me chamam "Verde" e outras "Aconchego"

Idade?
Desta vida? 38. Das outras não consigo precisar.

Doenças?
Combato todas. Mas a pior é não ter imunidade ao sofrimento e à saudade.

Mais alguma coisa a acrescentar?
Sou mãe de um Guerreiro de Voz Branca que me ensina a Ser e Estar cada vez melhor
Não gosto de competição no desporto, prefiro que todos joguem e fiquem felizes
Não gosto de me drogar, prefiro ver com todos os sentidos
Não gosto de me embebedar, detesto a ressaca
Não gosto de Rock and Roll, não sei mexer-me ao seu ritmo
Gosto de um serão com amigos e um bom vinho tinto, não gosto de estar só
Gosto da firmeza amorosa em vez de murros
Detesto coentros, prefiro uma declaração de irs
Gosto de dançar, sem técnica
Gosto de cantares alentejanos, bem devagarinho
Não perco pessoas, elas saem porque deixam de fazer sentido
Acredito que nada é por acaso
Gosto de sussurros, em vez de silêncio 
Acredito na espécie humana...

Como?
Acredito na espécie humana. São uns irracionais, salvo raras excepções. São desleais, salvo raras excepções. São uns ingratos, salvo raras excepções. Desconhecem companheirismo, salvo raras excepções. Desrespeitam-se constantemente, salvo raras excepções. Magoam-se frequentemente, salvo raras excepções. Matam-se uns aos outros, salvo raras excepções. Não sonham, salvo raras excepções. Abandonam-se uns aos outros, salvo raras excepções. Cativam e depois não cuidam, salvo raras excepções...

E depois disso tudo continua a acreditar?
Continuo, sim. 

Como?
As raras excepções foram salvas e estão todas ao meu lado!





do dia 11 de novembro

Foi dia de São Martírio, com um Maugosto gigante

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

do dia 10 Novembro

Com tantas questões, afirmações, declarações e negações na cabeça, que me apetecia uma lobotomia temporária... Aliás, o momento de pausa das caixas do meu cérebro foi mesmo quando olhei o céu e vi a galeria do Artista preenchida por uma linda tela em tons de azul, cor-de-laranja e rosa. Há momentos épicos na Natureza e o pôr-do-sol é um deles.


sábado, 9 de novembro de 2013

Dança e vida

"O lado esquerdo é o que está pior..."
"Vamos lá então ver isso... 1, 2, 3... 1, 2, 3... oopss"
"Por favor, não desistas"
"Novamente...1, 2, 3... 1, 2, 3... melhor, já está melhor... oopsss"
"Desculpa, podes continuar e não desistir?! É o meu lado esquerdo, já me disseram"
"Vamos lá... opss , estava quase, quase"
"Desculpa!"
"A dança é o único sítio onde uma mulher mesmo quando não erra, pede desculpa! Dançar. Dançar e deixar de pensar"

Dançar é mover vida. Vida é caminho dançado. 
Como danças na vida? 
Como vives na dança? 
Vives a dançar? 
Vives dançado?
Deixas-te levar ou pensas?
Confias ou desconfias?
Segues ou jogas?
Sentes-te curioso ou não é preciso conhecer mais?
Conquistas ou és conquistado?
Convidas ou esperas?
Contemplas ou tocas?
Silêncio ou sussurro?


(afinal era o lado direito que estava pior)








sexta-feira, 8 de novembro de 2013

J I B O I A R

J I B O I A R

é assim que o meu estado de espírito está... pronto a aceitar J I B O I A R, ou seja, ficar física e espiritualmente imóvel ao sol. Uma espécie de meditação, mas antecedida de um almoço. Gosto de J I B O I A R, dou-me bem com a palavra e o conceito. E se J I B O I A R conseguir contemplar o agarrar a presa, enrolar-me a ela e dar-lhe um aperto... melhor ainda!  

Do dia 7 Novembro

Ainda do dia de ontem... Pela manhã cinzenta e entre a chuva que molha os parvos, ele -de aspecto abandonado e sujo, estava deitado num mini canteiro de relva. Nas mãos, olhos e sorriso, um livro. Ele lia, sorria, esfregava uma mão na cara e assim convenceu quem passava... que afinal havia ali um lindo jardim a apanhar o sol de verão.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Memória na pele

Guardo-te na memória da minha pele. Não há outra forma de te guardar. E é com a minha pele que te posso proteger. E será nela que a minha memória conseguirá respirar e manter-se viva. E em mim, serás sempre um orgão vital.  

Ainda as histórias de bruxas

A propósito das histórias com bruxas...

Idade > sete anos

"Ai professora... histórias de bruxa?! Olha, por mim matava-as todas e acabou! Já lá tenho tantas em casa!"

(eles sabem quem são as verdadeiras...)

O Alves vai ao wc

O Alves não consegue ficar parado, quieto, em silêncio durante mais de três segundos. Tudo está desajustado de si. O tamanho das secretárias, a altura das cadeiras, a distância do quadro, o seu tamanho da sua idade... o Alves não é um inadaptado, é só um desajustado. Às vezes é desapropriado, muitas vezes é desagradável, outras vezes é um desatino, todas as vezes provoca desacatos. O Alves não é um INA. é um DESA. Tira-me do sério e a voz. Absorve-me o limite da paciência e faz desencadear em mim uma corrente de choques eléctricos, que em vez de produzirem sinapses, produzem um barranco capaz de albergar todas as espécies animais e vegetais deste planeta! O Alves é um menino com sete anos, que tem cerca de 120 cm de tamanho físico, e uns 300m de tamanho de capacidade de irritar os outros. E atinge-me. E atinge-nos. Sempre. Hoje, sob o efeito de alguns comprimidos para uma gripe, pensei que o caso fosse mais fácil. Sentia o meu cérebro flutuar dentro dos meus vinte e dois ossos do crânio e, pensei que desta forma, a irritação não iria ter espaço para entrar. Engano... entrou e ecoou. O Alves parecia estar possuído por um Belzebu, um Demo do Bairro. Parecia não... eu garanto que estava! E tanto estava que, chegou ao ponto de me perguntar: "Oh professora, posso fazer porcaria?! É que assim - a fazer porcaria - eu porto-me bem!"  Ai Alves, Alves, Alves... 10, 9, 8, 7, 6... 1, 0... Nem a fazer "porcaria" se portou bem. Nada resulta?! Nem a fazer "porcaria"?! Então, se nada resulta, nem a fazer "porcaria"... o melhor é rezar para que alguém o venha buscar mais cedo!!!  10, 9, 8, 7, 6... 1, 0 ... nada, ninguém aparece. Ele vai sozinho. Então, se ele não vai embora mais cedo... o melhor é mandá-lo embora discretamente, ou seja, aos bochechos!!! 10, 9, 8, 7, 6... 1, 0 ... e resulta!!! Como? Eu explico: mandando o aluno ir vááááárias vezes à casa-de-banho num curto espaço de tempo, o tempo de uma história, no máximo 30 minutos. E tudo em prol da sua higiene pessoal, e da higiene mental da turma! E resulta! Aqueles 2 minutos da sua ausência são de paz! E tudo é feito sem que ele próprio se aborreça ou aperceba. Só os colegas estranham eu chamar tantas vezes o Alves para ir ao quadro escrever e, a seguir, mandá-lo à casa-de-banho lavar as mãos! 

"Alves vai lavar as mãos!" ele vai... silêncio na sua ausência. O Alves entra e acaba a paz. 

"Alves vai lavar a cara!" ele vai... silêncio na sua ausência. O Alves entra e acaba a paz. 

"Alves vai lavar novamente a cara!"... "Oh professora mas o que ele tem na cara é uma ferida! Não é sujo!"... "Não interessa, é para não infectar. Estas salas pouco arejadas estão cheias de micróbios!" ele vai... silêncio e paz... 

"Oh professora já reparou que, de cada vez que o Alves vai à casa-de-banho nós deixamos de ouvir barulho?!" 

Bolas... fui apanhada!

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Prova de amor

Todos sabemos, aplicamos e lembramos as máximas da Lei da Vida: "Nada acontece por acaso" e "Se a vida te coloca isto à frente é para tu olhares". Mas, às vezes, dá vontade de mandar "as máximas" aos lugares mínimos, baixar os braços, a cabeça, curvar o peito e apresentar as costas ao Senhor Universo. Dá vontade de dizer com todas as letras "Porrrra, já chega! Olha para outro lado agora! Irrra! Faz uma pausa de mim! Raça do gaiato (não sei porquê mas vejo o Universo como uma figura masculina ... trabalhinho para uma futura psicanálise...)". E é mais ou menos nesta altura que eu me passo e vou ter com o Rei Neptuno. Não lhe faço nada e espero tudo dele... até sushi a saltar-me para o colo! Não sei como se explica a sensação de "sugamento de más energias" que o mar faz. Não sei se é o sal, a água, as criaturas marinhas, os monstros, o reflexo da luz. Sei que o mar me ajuda a limpar as feridas internas e, para mim, é um antisséptico e cicatrizante poderosíssimo. Ontem, depois de ter pedido ao Senhor Pité (vulgo Universo) para ele olhar para outro lado, percebi que ele me ouviu e, entre o desviar do seu olhar e o voltar a focar-me, recebi um raio de luz! Uma benção. Uma verdadeira benção caída não sei muito bem de onde (nem ela própria saberá), mas caída no tempo e no lugar certos. E tendo eu conquistado todo o percurso católico sei que, "uma benção" é aquilo que sentimos quando, no meio de uma imensa neblina, somos tocados por um raio de sol. Seja ele um sorriso, uma palavra, um som, gesto, acção... seja ele o que for, mas seja ele oferecido num embrulho de amor e com um laço gratuito. E foi o que recebi esta manhã... uma benção, um raio de sol totalmente isento de impostos, provas de acesso e prazo de devolução. Gratuito. FreeTax. De borla. À borlix! E isso, cá para mim, é das maiores provas de amor. A minha nuvem cinzenta até pode continuar, mas fica muito mais calma, serena e feliz. O amor é simples. É o dobro, como diz um menino de 4 anos. É gratuito. Não pede para nascer, é vida, e por isso cura tanto.

Um corpo

Um corpo é apenas um cartão de visita.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

hoje

Há momentos que têm a força de parar o nosso Tempo e de lhes retirar todas as palavras... 
Mas... é mesmo nestes dias que temos de  parar para olhar/descobrir o que foi bom, descobrir o invisível, e foi bom receber um abraço sorridente do meu filho, acompanhá-lo numa consulta médica e ouvir dizer "está tudo bem! É um rapaz e tanto!". Foi bom perceber que as minhas vontades educativas não são um projecto concreto, são utopias da educação! Foi bom ouvir dizer "estás bonita". Foi bom poder dizer "gosto de gostar"...
Como dizem os meus amigos "algarvéos" marafados "há dias bons e dias cabrons"...este esteve quase para ser muito "cabron" mas graças a este Beijo Sabura, não foi! Namasté !