quarta-feira, 18 de novembro de 2015

A Morte Madrinha



Desde o dia cinco de novembro que anseio conhecer Aquele médico... O médico que engane a morte daquela paciente, a minha prima. 
No dia cinco de novembro soube da notícia, dois aneurismas rebentaram. Nesse dia esta história voltou ao meu corpo. Quis reconstruí-la mas várias histórias me apareciam pelo meio. Falei com quem a sabia e me indicou o caminho até ela. Na minha de Literatura para Crianças e Jovens quis contá-la, mas a mente e o corpo estavam tão desnorteados que apenas consegui lê-la às minhas alunas. Assumi que a iria ler e não contar, como devia acontecer, porque precisava que rapidamente ela saísse de mim. Assim fiz. Li às minhas alunas o conto tradicional da Morte Madrinha, uma recolha dos irmãos Grimm. E passaram mais duas aulas e ela voltou a ser a minha oferta para o momento da "Leitura gratuita". Ela estava, e continua a estar, tão presente em mim que não valia a pena "tocar" em mais nenhuma.
As histórias só podem acontecer desta forma, com verdade.  E tal como as crianças, o meu corpo e a minha mente foram pedindo esta história várias vezes ao dia, várias vezes por semana. As histórias que contamos constroem-nos, dão-nos segurança. 
Esta continua, todos os dias comigo. Continuo a precisar desta personagem, de saber que existem pessoas que conseguem enganar a morte. Continuo a querer conhecer Aquele médico que a há-de enganar. Que de tão sábio que é, há-de conseguir colocar O milagre e a morte, juntos, à cabeceira da minha prima... por muito, muito tempo.

Deixo-vos a história em audio...   A MORTE MADRINHA (GRIMM) 

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