quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Quando o Setembro era em Outubro

Sendo professora os Setembros representam sempre O Início. Mais do que o primeiro de Janeiro, é nesta altura que se fazem planos para a vida. As pessoas-professores passam a estar talhadas para o "ano lectivo" e não "civil". Os alunos passam a estar, também eles, talhados para o "ano lectivo", em que Setembro é sempre um novo começo. A esperança renasce por estes dias, a vontade, o entusiasmo, o nervoso miudinho da novidade. Quando era professora titular lembro-me de, por esta altura, andar embrenhada na colecta de estratégias para os "novos alunos" que estavam para chegar. Quando era aluna, a segunda semana de Setembro calhava sempre depois do 5 de Outubro, e eu lembro-me de ele ser a recta final de umas férias demasiado longas; do ir ver horários e listas de material; da compra dos livros (e cheirar cada um deles); da penosa escolha entre dossiê ou caderno, e do papel para forrar os livros; da escolha do estojo de lata ou de pano; de convencer a mãe a comprar 48 canetas de feltro "Carioca" e não 24; de achar que se começasse a ler os manuais antes de iniciar as aulas chegaria muito melhor preparada. Lembro-me exactamente do primeiro dia de aulas do 5ºano (1º ano na Escola Preparatória Fernando Pessoa, nos Olivais Sul em Lisboa). Fui, pela primeira vez no Primeiro Dia de aulas, sozinha para a escola. O caminho era curto e feito a pé. Claro está que fui carregadinha que nem uma mula, com todos os manuais às costas, réguas, esquadros, compasso, guaches, material de ginástica, etc. Lembro-de fazer aquele caminho, que conhecia de olhos fechados, como se fosse a primeira vez. De caminhar num novo estado. Tinha a certeza que, quem me visse passar não avistava uma "dentes de cavalo" (apelido que me foi carinhosamente oferecido pelo meu irmão devido à proeminência do meu maxilar superior) mas sim, uma Rapariga de 11 anos, alta e muito responsável - uma quase adulta. Lembro-me de chegar à turma e de ficar desiludida porque não utilizei todo o material, aliás, de não utilizar nenhum material. Lembro-me de ter reencontrado os amigos que não via há meses, de deixar de ver outros que tinham seguido para outra escola, de combinar com a minha melhor amiga - a Joana - que íamos ser as melhores da turma naquele ano. Aquele foi (e será para todos nós na meninice) o grande passo de mudança escolar. Deixamos o ninho e entramos numa cidade de betão, onde tudo é à escala XXL, até a minha querida professora Maria do Céu passou a ter doze nomes.











A todos os que estão quase a renascer, um bom resto de férias e que Setembro entre com os pézinhos delicados, cheios de boas energias e muito amor. Este ano, o meu Setembro também vai ser o início de uma grande mudança, mas enquanto mãe de um Guerreiro de Voz Branca que vai para o 1º ano... a ver vamos como me aguento neste novo papel!

1 comentário:

  1. Lembro-me muito bem do meu 1º dia de aulas na então 1ª classe. Já nem sei como se diz agora, não tenho filhos para me actualizar nomenclaturas.
    Ía no táxi do meu pai, ele a conduzir, sentada atrás, mas hirta, já de mochila às costas. E lembro-me de estar muito entusiasmada com o novo mundo que ía conhecer. Coisas que ficam.

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