quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Mandela "Capitão da sua alma", seguiu o seu destino

Morreu Mandela, Madiba, Tata... já era esperado, como a qualquer um de nós. Mas há sumiços que custam mais. Há sumiços que calam uma voz ímpar. Nunca mais teremos a originalidade da força de Mandela. Os seus exemplos ficarão para sempre na memória. Por eles nos guiaremos. Eu acredito nele e olhando para a sua vida, para o que passou, acredito que também sou capaz. E aqui está o meu principal problema... numa época em que preciso Acreditar e ter um Farol, um Mandela... Ele desaparece. E não duvidem que desaparece. Os seus ensinamentos ficam mas quem continua a lutar como ele?! Os Homens da nossa História estão a acabar, quem fica para levantar o punho fechado?! Quem fica a dedicar 67 anos de vida em prol dos direitos humanos?! Quem agita novamente a humanidade?! Quem aguenta manter a sua palavra e a sua luta mais de vinte anos encarcerado injustamente?!

Todas as vozes serão poucas para alcançar a obra feita por este homem. Um Ser Humano fisicamente igual a todos nós mas com um Mundo de força dentro dele. 
Às vozes críticas que se levantarem (há sempre os pobres de espírito), nada mais resta que não habituarmo-nos a ouvi-las com indiferença. 

Há poemas, frases, textos, fotografias... tudo para relembrar Mandela. Eu fico na memória com o Peter Gabriel a cantar "Biko", com os U2 sempre ao seu lado, com Johnny Clegg (Asimbonanga), com as imagens/notícias de Mandela a sair da prisão. 

Neste mundo em que todos os dias vou perdendo a esperança na raça humana fico triste por esta voz ter desaparecido. 
Agarro-me ao imenso Mandela que o meu filho já é em mim!

Deixo dois textos (um dele e outro dedicado a si) e uma das frases mais marcantes... 

Dentro da noite que me rodeia
Negra como um poço de lado a lado
Agradeço aos deuses que existem
por minha alma indomável


Sob as garras cruéis das circunstâncias
eu não tremo e nem me desespero
Sob os duros golpes do acaso
Minha cabeça sangra, mas continua erguida
Mais além deste lugar de lágrimas e ira,
Jazem os horrores da sombra.
Mas a ameaça dos anos,
Me encontra e me encontrará, sem medo.
Não importa quão estreito o portão
Quão repleta de castigo a sentença,
Eu sou o senhor de meu destino
Eu sou o capitão de minha alma.
-"Invictus" por William Henley.

Poema que Nelson Mandela manteve na sua cela em Robben Island, escrito num pedaço de papel.

-------------------------------

Parem já os relógios, corte-se o telefone,
dê-se um bom osso ao cão para que ele não rosne,
emudeçam pianos, com rufos abafados
transportem o caixão, venham enlutados.

Descrevam aviões em círculos no céu
a garatuja de um lamento: Ele Morreu.
no alvo colo das pombas ponham crepes de viúvas,
polícias-sinaleiros tinjam de preto as luvas.

Era-me Norte e Sul, Leste e Oeste, o emprego
dos dias da semana, Domingo de sossego,
meio-dia, meia-noite, era-me voz, canção;
julguei o amor pra sempre: mas não tinha razão.

Não quero agora estrelas: vão todos lá para fora;
enevoe-se a lua e vá-se o sol agora;
esvaziem-se os mares e varra-se a floresta.
Nada mais vale a pena agora do que resta.

(tradução de Vasco Graça Moura) 

-----------------------------------

"A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo"


Tenho a certeza que vai ser bem recebido! O Miguel é rapaz para isso! 
(By the way Miguel... estás lixado... o Senhor Mandela já deve ter tocado à campainha e tu, com o teu mau feitio xenófobo, vais abrir-lhe a porta, erguer-lhe o teu punho, abraçá-lo e iniciar a grande festa! A vingança serve-se num prato frio, mano! :)  ).







Sem comentários:

Enviar um comentário