sábado, 18 de julho de 2015

Tempo passado, presente, futuro



... e há dias em que se sente o peso do mundo entre o topo da cabeça e a cintura escapular. dias em que não se consegue endireitar as espinhas, aproximar as omoplatas, ou abrir a caixa torácica. daqueles dias em que se soma tudo o que é menos bom, a conta bancária, o local de trabalho, a casa, as distâncias, os projectos, o futuro, o presente e, o melhor somatório é conseguido quando se acrescentam algumas parcelas do passado.

dias em que, olhar para alguns momentos do passado, permite descansar do presente e abolir o futuro.

não sendo do género saudosista gosto de desenrolar a memória nas imagens do passado, quase como voltar aos álbuns em formato de papel, mas de momento que nunca foram fotografados. não se trata de uma "viagem na maionese", essa faz-se sempre no caminho para um futuro, mas sim, uma viagem com origem no agora e destino no antes. 

um antes que mesmo agora permanece desconhecido. Olhar o passado a partir do presente é ser espectador em plateia VIP, onde temos o melhor ângulo de visão e podemos tratar por tu o actor principal. E tratar por tu é poder ter confiança com ele para lhe dizer como sentimos o seu espectáculo, com tudo o que teve de bom e de mau, e, se formos especialista na matéria, podermos ajudar a melhorá-lo. 

é isso que se faz quando, nestes dias, se olha para o passado. Olhamo-o, revemo-lo a partir do meu olhar ângulo, e com a distância do presente, ajudamo-lo a tornar-se mais conhecido e mais consciente. dias em que olhar para alguns momentos do passado, permite descansar do presente e abolir o futuro. 


   (na mouche estes 10 minutos de viagem "Vladimir Martynov Come In")

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