quarta-feira, 19 de março de 2014

O meu Mestre de Amor, meu Pai...

Quando um dia ouvi dizer que ele era o meu Mestre de Amor quase esbofeteei a pessoa que mo disse. O meu Pai, o meu Mestre de Amor ... ahahahahahah! Jamais! Aquele homem enraizado em costumes arcaicos, em tradições e pensamentos da idade de Pedra?! O meu Mestre de Amor?! Impossível!
Passaram dias e anos, passaram-se muitas conversas e hoje, à distância daquela raiva de filha engaiolada, percebo que sim, ele é o Meu Mestre de Amor. Quem me levou ao caminho daquilo que acredito, hoje, ser o Amor. Em paisagens diferentes das minhas ele mostrou-me como ama. Eu vi as suas  paisagens e escolhi as minhas. diferentes das deles, é certo. Muito diferentes. E se não fosse isso, eu não era o que sou.
Uma das maiores memórias que guardo da minha infância com o meu pai é a sua imagem e a apetência para nadar. Miúdo giro, giro até aos seus 40. Eu era uma apaixonada por ele. Guardava na minha gaveta uma fotografia sua, do tempo da tropa! Que pinta! Também guardo na memória o dia que me desapaixonei, por volta dos meus treze anos... tudo no tempo certo. A outra memória que guardo é a de ter sido ele o meu instrutor de natação. Ele adora nadar. Quando éramos pequenos, ele chegava à praia e desaparecia, por duas horas, no mar. Quando regressava, colocava-nos às suas "cavalitas" e voltava a entrar mar dentro. De vez em quando, fora de pé, deixava-nos cair para a água mas depressa nos resgatava. 

É o meu mestre de Amor.  

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