segunda-feira, 14 de julho de 2014

Importação e Exportação - Entre Eu e Outro

Quantas vezes pensamos nós, verdadeiramente, no outro? Quantas vezes nos colocamos na idade do outro, e em tudo o que ela implica? 
Quantas vezes nos colocamos na vida do outro, e em tudo o que ela agarra?

Dizer que nos colocamos no lugar dos outros passa muitas vezes por um "colocar no que está à vista" e de facto, existem pessoas com as quais não precisamos gastar mais energia, mas muitas das que nos rodeiam merecem que façamos o exercício básico do "sair do filme". Ou seja, por instantes,  sairmos de nós mesmos, olharmos para nós próprios (como se fossemos personagem de novela), olharmos para o outro e seguirmos em direcção ao lugar do outro. Já no seu lugar lembrarmo-nos do seu tamanho, idade, história, situação actual de vida, reacções anteriores, tendências... E lembramo-nos? Quase de certeza que não. Importamo-nos? Quase de certeza que sim. Importamos os nossos preconceitos novamente para o nosso interior. Importamos as nossas suposições para o nosso interior. Importamos a nossa história de volta para o nosso umbigo. Importamos de novo a nossa idade. Importar. Trazer para o interior um bem. O sentido, até ao outro, devia ser o inverso..."exportação".  "Sim, eu exporto-me até ti!" Ou seja, eu levo-me de dentro para fora até chegar a ti. Levo a minha vida até à tua vida, levo-te um bem, eu. E aí sim nós iremos olhar com os olhos dos outros, sentir com o outro, pensar com o outro, percebê-lo, colocarmo-nos na sua idade, na sua pele, no seu lugar. Até lá continua a prevalecer a nossa opinião construída em em livros, em conversas de amigos, em crenças religiosas, em psicologias de bancadas, em pedagogias bacocas e pouco do "Eu" do outro.

É tão difícil exportamo-nos para o outro. Mais ainda, ter humildade suficiente para aceitar que os nossos olhos vejam qualquer coisa desconhecida e aceitem.É tão difícil exportarmo-nos para adulto, mas ainda mais para uma criança. Tu, adulto, já te esqueceste de como é estar lá das dificuldades, das incertezas, da liberdade ou da falta dela, das alegrias, dos tempos. O tempo é muito lento para uma criança no seu dia a dia. Mas para nós adultos o tempo acelera. 

Exportamo-nos para o Tempo dos outros? Ou Importamo-nos com os outros e eles que se acomodem ao nosso Tempo?!


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