segunda-feira, 16 de junho de 2014

Um fim de semana com planos mas poucos...




"Um fim de semana com planos mas poucos..."

Sabem aqueles dias em que tudo está planeado, tudo fica desplaneado, tudo volta a ser planeado e a desplanear?! Lembro-me sempre do livro da Alice Vieira "Chocolate à Chuva" que li com cerca de dez anos e que começa assim: "Fizemos malas, desfizemos malas, abrimos o mapa, fechamos o mapa..." De cada vez que há viagens lembro-me sempre desta frase. Foi o que nos aconteceu. Tudo estava planeado, tudo se desplaneou e tudo se voltou a planear...

Há algum tempo que andava com vontade de um fim de semana como o que passou. E tudo esteve para não acontecer devido a outro plano, mas no final da semana tudo se proporcionou e aconteceu. Uff! Tinha em mente uma saída económica em todos os aspectos logísticos - que a coisa não está para grandes luxos- mas rica nos aspectos afectivos. Sentia que precisava de parar no tempo com o meu Guerreiro, só nós dois, sem grandes interferências e, planear um fim de semana que, ao contrário dos outros, não tivesse muitas actividades. Não sinto saudade do passado, nem estava a sentir que lhe andava a dar pouca atenção, nada disso. Sentia que queria estar a sós com ele e fora da rotina.
Não é fácil atender às malditas expectativas de Mãe/Pai, de Filho e de Sociedade na organização dos tempos em família. Muitas vezes sinto (especialmente depois do aparecimento das redes sociais e das partilhas de fotos) que toda a gente tem sempre actividades "giras e boas" e aqui a Mãe Sabura faz menos do que devia, ou não faz as mais espectaculares porque não se lembrou, por desconhecimento ou porque o orçamento não se ajusta ao nosso extracto bancário. Há dias em que isto pesa negativamente na nossa auto-confiança (dias esses em que ela própria anda abalada), mas há dias em que não afecta nada porque temos a certeza do que é mais importante para cada um de nós. Também não era o nosso caso. As "auto" estão em forma.  A única questão era: "fugir" com o meu companheiro de vida. E para mim, há muitos dias em que o importante é não fazer nada e não ter grande "show" à minha volta. O meu Guerreiro já se habituou a ter uma Mãe que, de vez em quando, gosta de não fazer nada (sem sentimentos de culpa), nada planear e de respeitar isto em si mesma. E aqui a questão não passa por achar que é bom ou mau ter dias assim, passa muito mais por respeitar o que possa apetecer a cada uma das partes (mães/pais e filhos). Dias em que se planeia porque eles/nós  querem/queremos, dias em que não se planeia porque nós/eles  não queremos/não querem. E este fim de semana eu planeei-o (em cima dos meus dois joelhos é certo) porque eu precisava.   Apetecia-me estar sozinha com o meu Guerreiro de Voz Branca.  E consegui. E as conclusões são muito boas...

- passar 48 horas fora de casa (não chegou a tanto) e no regresso o nosso corpo e nossa mente dizerem que passou, de certeza, uma semana

- no final do dia contarmos pelos dedos das duas mãos o número de coisas que fizemos

- não sentirmos ansiedade por estar a terminar um bom fim de semana

- sentirmos uma tranquilidade imensa 

-partilhar momentos, ceder, combinar, respeitar, conversar, perdoar, incentivar, conversar, explicar, descobrir, crescer, em suma... viver numa relação saudável, sem máscaras.

E porque é que partilho esta experiência?! Não para vocês comentarem ou acharem fantástico e bonito, não. Partilho porque às vezes é difícil encontrarmos opiniões que remem contra a maré das expectativas sociais e do que os outros esperam de nós enquanto mães/pais. Serve este texto para lembrar que é bom e possível fazer coisas de muita qualidade, com pouca quantidade. 




Q'ais Nadal, q'ais quê...

Water tenis

Water badminton (já começou a invasão das fotos aos pés!

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