sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

O C. não dorme a sesta como o C. Ronaldo


Esta semana, em reunião na escola, tive de "mentir" e dizer ao C. que os professores, os médicos (inventados na altura da conversa) e a mãe tinham chegado a uma regra boa para ele. A regra era "Não ver televisão, ou jogar computador, ou pintar no "tablet", ou jogar na play station depois do jantar"
A mãe esfregava as mãos de contente porque tinha encontrado a desculpa certa. Sim, desculpa, porque ela não consegue fazer nada dele, e ele fica acordado até às 23.30 a jogar... ele que tem sete ou oito anos!
Eu, enfiei os meus olhos nos olhos dele, e expliquei-lhe todos os perigos da situação actual e os benefícios daquela regra, no futuro. Eu, agarrei-lhe a mão, e perguntei se ele achava que eu deixava o meu filho fazer aquilo. Eu, passados três segundos, só o via chorar, chorar, chorar. 
"Mas não posso fazer nada?! Nada?!"
"Nada de eletrónica. Só podes ler livros ou revistas, pintar em papel!"
"Buáááááááááááááááá!!!!"
A mãe olhava e comentava "Estão a ver?! Depois é esta choradeira. Percebem? Eu não consigo fazer nada dele - e não consegue". Aquela mãe não consegue fazer nada dele, nem dela. Infelizmente.
Fomos para casa, os professores, sem grande esperança do acatamento da regra (por parte de mãe e filho). Hoje, quando me viu no corredor, perguntou-me se íamos ter aulas de Histórias. Respondi-lhe que não. Só na quarta-feira. Imediatamente a seguir pergunto-lhe se a regra está a ser cumprida. Diz-me que sim com a cabeça e começa a chorar. "Há regras que doem mas fazem bem à saúde" foi o que pensei. 
"Então C. ?! Vai fazer-te bem. Tu podes ver os jogos até ao jantar, depois disso não podes para protegeres o Sono e não deixares que esses monstros entrem nos teus sonhos! Até o C. Ronaldo dorme a sesta! Não continues a ficar triste por isso Eu ajudo-te. Blá, blá, blá" ... 
"Não é issoooooooooo - entre ranho, lágrimas e bába - é tudo contra mim, tudo contra... até tu hoje não me vens dar aulaaaaassss!!! Buáááááááá"

É tão lindo e faz tão bem o Amor, não é?!    

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