sexta-feira, 1 de março de 2013

Dia 1 de Março é o dia nabantino

Dia 1 de Março é o dia da cidade de Tomar. Cidade que me acompanha desde sempre. Já morremos de amores uma pela outra, nos dias que correm temos apenas muitas memórias em comum.Tomar foi a cidade das descobertas. Eram as longas férias de verão, os primeiros amores, as festas da família numerosa, os concursos feitos na encosta do pinhal.
O meu avô Mário e a avó Etelvina eram sempre as personagens principais. A acompanhar os avós vinham os muitos tios e tias, e os imensos primos e primas. Eu era a caçula da família e isso reservava-me algumas regalias, que eu fazia questão de utilizar! Uma delas era, na altura dos trabalhos no campo (apanha da uva, azeitona, milho...) eu  ser a "aguadeira" e deste modo, escapar-me à obrigatoriedade daqueles trabalhos. A minha função resumia-se a perceber quem tinha sede ou fome e satisfazer os seus pedidos. 
Foi lá que construí a grande parte das minhas boas memórias... os jantares de natal em que, depois de comidas as caras de bacalhau, os miúdos iam jogar às escondidas para o pinhal. Só regressávamos quando se aproximavam as 12 baladas e o avô Mário lançava foguetes. ... os verões sem fim em que andávamos de bicicleta para todo o lado e os lanches eram feitos de pão com banana e refresco de café
... as viagens que fazíamos a pé pela cidade 
... os concursos de música que fazíamos no pinhal, onde eu era rainha com a "Linda de blue jeans" do José Cid ou o "Sobe, sobe balão sobe"
... os banhos no tanque de água gelada
... o primeiro grande amor
... as histórias de vida dos meus avós
... a confusão de muitas mulheres juntas
... as dormidas nos colchões de camisas de milho, que eram um martírio por causa do barulho e da avó Etelvina a não nos deixar dormir de pernas encolhidas porque fazia mal à circulação
... a tentativa de dormir ao lado de casa, numa tenda
... a troca de cartas que fazia com a minha prima e com a avó Etelvina, que nos dizia sempre: "soubesse eu ler e escrever e era eu que ficava no lugar do Puterres"
... o momento em que as mulheres se juntavam para amassar o pão
... os banhos tomados dentro de uma grande bacia de metal, junto à lareira, porque o frio era de congelar e o isolamento da casa era duvidoso
... as festas dos Tabuleiros
... as festas da descamisada do milho. As melhores festas! Os meus avós tinham uma grande eira e era lá que corria o espectáculo. Os adultos faziam um monte gigante com as maçarocas do milho e colocavam cadeiras à sua volta. O meu avô trazia o seu gira-discos portátil (uma mala com padrão de xadrez vermelho), os seus discos comprados em França e todos eram convidados a bailar durante aquela jorna nocturna. Era uma verdadeira festa. As mulheres, com a sua voz de cana rachada (que ainda hoje se mantém), animavam os acordeões que saíam daquele gira-discos. Os homens desafiavam-nas à dança. E os miúdos podiam saltar, pular, descamisar o milho, ficar acordados até tarde e sobretudo, ver aqueles adultos a dançar e felizes com os seus. 
Tomar é uma cidade pitoresca, boa para ser conhecida a pé. Hoje é o seu dia e nele viajo com as minhas memórias nabantinas.

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