sábado, 23 de fevereiro de 2013

Alerta à navegação

Há um par de anos atrás o fogo pegou-se à nossa cozinha. Foi um daqueles inúmeros acidentes domésticos, possíveis de acontecer a qualquer um. Nesse dia, chegávamos da praia e íamos "cometer um pecado"... combinámos que eu fritaria UMA batata. Era a primeira vez que o fazíamos cá em casa. Uma só e frita em azeite. Entre o chegar a casa e o jantar há um longo caminho percorrer: estar disponível 10 minutos só para brincar com o filho, preparar banho, arrumar compras, apanhar uma roupa, estender outra, preparar jantar, etc.. Nós estávamos nesse caminho até que, o azeite para a batata aqueceu mais do que devia, e aconteceu o acidente: azeite a arder em cima da placa e exaustor ligado foram o rastilho de pólvora. Pânico instalado, filho perto da janela do quarto e gritos de socorro aos vizinhos. Valeram-nos os nossos amigos e vizinhos estarem em casa. Dominaram a situação como verdadeiros soldados da paz e quando chegaram os bombeiros já não foi necessária a utilização de água. O resultado é um horror: o fumo preto entranha-se em tudo o que tem nome; o cheiro permanece durante meses; os estragos são elevados; o choque é grande; a trabalheira é muita. Quando as peritagens vieram cá a casa deram-me várias novidades que não conhecia, tais como: 
- Oh menina, incêndios é o que há mais por aí. Teve sorte porque não foi preciso água, os maiores danos é quando enchemos as casas de água.
- Ui...quantas cozinhas a arder por causa do óleo a ferver ou azeite, como a senhora? O mal do azeite é que não deita cheiro, como o óleo queimado, e assim as pessoas não se apercebem.
- Sabe qual é a maior causa dos incêndios em casa? Os carregadores de telemovel deixados nas fichas. Pois é, o pessoal carrega o telefone, desliga-o mas deixa lá o carregador na ficha. Tem que se tirar o carregador da ficha.
- E outra, quer saber? Deixar os telefones a carregar em cima dos sofás, ou das cadeiras. Aquilo aquece e começa a pegar fogo.
- E mais... os aparelhos de ar condicionado que se estragam durante a noite e deitam um fumo tóxico, que ninguém se apercebe, porque está toda a gente dormir...
- Ponha aqui em casa uma manta ou um extintor que é melhor.
Na altura, mantas só os edredons poliester ou lençois frescos e extintores zero. Com o passar do tempo os danos materiais são ultrapassados mas, os danos emocionais, vão permanecendo mais tempo. Hoje, cá em casa, fritámos pela segunda vez, uma batata. Agora, não tiro os olhos de cima do azeite. Os acidentes acontecem e ainda para mais, se somos só uma pessoa a tomar conta de tudo numa casa, a probabilidade aumenta! Mas por causa do nervoso que isto ainda me provoca, lembrei-me de partilhar convosco as causas de tantos acidentes em casa, que até então me eram desconhecidas (essas aí em cima escrita em itálico). A recordação mais poética deste dia foi os bombeiros, agentes da psp, médicos e enfermeiros do inem, à medida que verificavam se estava tudo bem com o meu filho , irem perguntando-lhe "então, quando cresceres queres ser bombeiro?" ou médico, ou polícia... ele farto e assustado com tudo aquilo respondeu a todos que não, e já no fim disse-me "oh mãe, quando crescer quero só ser pai, está bem?!"

4 comentários:

  1. :)Haja também poesia no dia-a-dia

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    1. Muita... e em doses extra! Só assim caminhamos. "Pelo sonho é que vamos" como dizia o Sebastião da Gama! Que tenha muita no seu dia-a-dia, Sandra!

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  2. bonito e inspirador... batatas fritas verdadeiras.

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    1. Já viste no que dão as batatas fritas verdadeiras?! Obrigada João!

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